Coronavírus

18/06/2021 | domtotal.com

Falta de doses interrompe campanha de vacinação em dezenas de países, diz OMS

De acordo com a entidade, fornecimento depende de doações e das farmacêuticas

Remessa de vacinas do consórcio Covax chega à República Democrática do Congo
Remessa de vacinas do consórcio Covax chega à República Democrática do Congo (Krishnan/Unicef)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que dezenas de países estão incapazes de administrar a segunda dose de vacinas anticovid porque não as possuem, o que pode colocar em risco suas campanhas de imunização. "Temos uma enorme quantidade de países que tiveram que suspender suas campanhas de vacinação para a segunda dose, 30 a 40 países", afirmou o médico Bruce Aylward, responsável da OMS para o sistema denominado Covax, criado com o setor privado para distribuir vacinas aos países menos desenvolvidos.

Alguns dos países afetados "receberam doses da AstraZeneca, por exemplo, e não estão em condições de fazê-lo", afirmou Aylward. "O intervalo [entre as duas injeções] agora é maior do que esperávamos", disse.

O Covax está negociando diretamente com a AstraZeneca, mas também com o Serum Institute of India, responsável pela maior parte das doses de vacinas para o Covax, e cuja produção não pode ser exportada por decisão de Nova Delhi até que se cumpram as metas de vacinação nacionais.

Um intervalo muito longo entre as duas doses pode provocar o surgimento de variantes mais perigosas ou contagiosas da Covid-19. Segundo Aylward, esses países se encontram particularmente na África Subsaariana, mas também na América Latina, Oriente Médio e no Sudeste asiático.

Diante desta situação de instabilidade, "as doações são uma solução a curto prazo em um mercado muito imperfeito, onde somente os países que têm os recursos ou produzem as vacinas têm acesso" a elas, alertou Aylward. O responsável também advertiu que o acúmulo de atrasos pode fazer com que, no final, as pessoas não compareçam para se vacinar.

Os efeitos da pandemia têm escancarado as desigualdades regionais do mundo. O planeta registrou 9.750 novas mortes em 24 horas, elevando o balanço global de vítimas para 3.844.390 pessoas. Quase metade desse número veio de três países: Brasil (2.311), Índia (1.587) e Colômbia (596).

O acesso às vacinas também é desigual, das quais já foram administradas 2,5 bilhões de doses em todo mundo, segundo uma contagem da AFP com base em dados oficiais. De acordo com esses números, 72 em cada 100 habitantes dos países ricos receberam uma ou duas doses da vacina, proporção que cai para 1 em cada 100 habitantes nos países pobres.

Um dos contrastes mais significativos é entre Israel, com 5,1 milhões de pessoas completamente vacinadas (55% de sua população), e Palestina, que conta com apenas 260 mil habitantes com as duas doses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Para amenizar essa situação, o novo governo israelense anunciou nesta sexta-feira que dará 1 milhão de doses "prestes a expirar" para a Autoridade Palestina, cuja sede de governo se encontra na Cisjordânia ocupada.

Além disso, os milhares de voluntários e responsáveis pelos Jogos Olímpicos de Tóquio começaram a receber a vacina. Permanece a dúvida sobre se a situação sanitária permitirá o acesso do público local às competições.


AFP/Dom Total



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