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23/06/2021 | domtotal.com

Estudo indica que pandemia fortaleceu a confiança na mídia

A preocupação do público com a desinformação teve um ligeiro aumento, mas varia muito de país para país. No Brasil, essa taxa chega aos 82%

A 10ª edição do relatório sobre notícias digitais descobriu que a confiança na mídia aumentou seis pontos, para 44%, desde o início da crise de saúde
A 10ª edição do relatório sobre notícias digitais descobriu que a confiança na mídia aumentou seis pontos, para 44%, desde o início da crise de saúde (Angela Weiss/AFP)

A pandemia de Covid-19 impulsionou a confiança do público na mídia em geral e acelerou a digitalização da imprensa ao redor do mundo, de acordo com um relatório do Instituto Reuters publicado nessa terça-feira (22). Os brasileiros, porém, estão entre os que mais se preocupam com a desinformação.

Segundo o 10º relatório sobre informação digital, a confiança na informação aumentou em média 6 pontos desde o início da pandemia, chegando a 44%. Este resultado é baseado em uma série de pesquisas conduzidas pela empresa YouGov em 46 países (com mais de 92 mil entrevistados no total), que representam mais da metade da população mundial.

A Finlândia, com 65%, continua registrando o maior índice de confiança, enquanto nos Estados Unidos, apenas 29% de seus habitantes afirmam confiar na mídia. No Brasil, esse índice é de 54%.

De acordo com Nic Newman, principal autor do relatório, dois fatores ligados à crise podem explicar esse crescimento da confiança: uma maior importância da "informação factual" e da mídia local, deixando de lado a "informação política mais partidária".

"Esse efeito pode ser apenas temporário, mas em quase todos os países descobrimos que o público prioriza fontes confiáveis", acrescenta Newman no estudo.

Aumento das assinaturas digitais

Esse movimento beneficiou especialmente a mídia de serviço público "forte e independente" em países como a França, observa o Instituto Reuters para Estudos do Jornalismo, que faz parte da Universidade de Oxford.

O estudo também confirma as graves dificuldades da imprensa escrita, provocadas ou agravadas pela crise de saúde, devido às restrições aos deslocamentos que reduziram a venda de jornais e as receitas publicitárias.

Isso acelerou a transição para assinaturas digitais, em especial em países onde as vendas de jornais em papel são tradicionalmente mais altas, como Alemanha, Áustria e Suíça.

Nos vinte países onde os jornais estão ativamente tentando aumentar suas vendas digitais, 17% dos entrevistados afirmaram que pagaram por informações on-line dois pontos a mais do que em 2020 e cinco a mais do que em 2016.

O aumento mais significativo de assinaturas pela internet foi registrado em países ricos, onde as de veículos em papel são historicamente mais altas, como a Noruega (45% dos entrevistados pagam por informações digitais) e a Suécia (30%). Nos Estados Unidos, a taxa é de 21%, superior aos 11% na França, 9% na Alemanha e 8% no Reino Unido.

"As assinaturas [digitais] estão começando a funcionar para algumas editoras, mas não funcionarão para todas e sobretudo para todos os consumidores", já que muitos não estão dispostos a pagar, alerta Rasmus Kleis Nielsen, coautor do relatório.

Desinformação

Ao mesmo tempo, a confiança nas notícias compartilhadas nas redes sociais continua muito baixa (24%). E a preocupação do público com a desinformação teve um ligeiro aumento, mas ela varia muito de país para país: chega a 82% no Brasil, enquanto na Alemanha é de 37%.

Entre outros resultados, a esmagadora maioria dos entrevistados (74%) acredita que a imprensa deve ser imparcial e 72% acha inclusive que ela deve dar tempo igual aos diferentes lados em questões políticas e sociais.

O relatório também revela que em vários países, como os Estados Unidos, alguns setores do público (jovens, minorias étnicas, certas correntes políticas) se consideram mal representados na mídia.

O estudo também mostra um descontentamento dos jovens com os sites tradicionais de informação, em favor das redes sociais, agregadores de notícias e notificações.

O Instituto Reuters destaca que o Facebook perdeu espaço como fonte de informações no ano passado, ao contrário do Whatsapp e o Instagram (que pertencem ao mesmo grupo), o TikTok e o Telegram.

Aplicativos de mensagens como o WhataApp, no entanto, são fonte de preocupação a respeito de informações falsas sobre o coronavírus em boa parte do sul global, incluindo o Brasil, Indonésia, Índia, Nigéria e África do Sul.

O intercâmbio de notícias no TikTok, um plataforma dedicada ao entretenimento em suas origens, se desenvolveu com a crise do coronavírus e o movimento Black Lives Matter. O relatório ressalta que o aplicativo de vídeos curtos também é utilizado por jovens como meio de mobilização em Peru, Indonésia e Tailândia.


AFP/Dom Total



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