Meio Ambiente

30/06/2021 | domtotal.com

Dossiê cita índice altíssimo de câncer e destruição ambiental em Santa Bárbara

Documento cita impactos sociais e psicológicos causados pela exploração de ouro na cidade

Documento cita violações da Anglo em Santa Bárbara
Documento cita violações da Anglo em Santa Bárbara (Dossiê-denúncia)

Rômulo Ávila

O dossiê-denúncia produzido por atingidos pela atividade minerária em Minas cita que moradores de Santa Bárbara, na região Central de Minas, vivem com medo do rompimento das barragens da AngloGold na cidade. Além disso, a exploração de ouro estaria causando destruição ambiental e, consequentemente, danos à saúde da população, com surgimento de doenças graves, como câncer. 

O documento destaca que os danos percebidos, em primeira análise, são: "número de carretas circulando; medo de rompimento das barragens; temor do excesso da barragem sair pelo ladrão e contaminar o rio. Na cidade, existe um índice altíssimo de câncer encefálico; detonações; relação da empresa com a comunidade".

Integrante da coordenação nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), Luiz Paulo Siqueira diz que a exploração da Anglo representa risco para a cidade. “Como deixa uma multinacional explorar ouro em pleno século 21? Ela tem lucro extraordinário com a exploração do nosso ouro e, ao mesmo tempo, deixa uma série de passivos: casas rachadas, povo doente, contaminação dos rios trazendo uma série de doenças, porque boa parte dos seus metais pesados vão parar na água que abastece a cidade”, disse ao Dom Total.

Em maio deste ano, moradores denunciaram dano ambiental provocado pela mineradora depois que um produto foi lançado no Rio Conceição. O temor de que a água seja contaminada com sedimentos tóxicos é constante na cidade. Neste caso, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) informou, na época, que foram lançados 30 metros cúbicos de rejeitos de mineração no rio após vazamento registrado durante uma manutenção feita pela mineradora.

Na época, a AngloGold reforçou que não há risco de rompimento de barragem e que o vazamento foi corrigido no dia 5 de maio. A mineradora informou que o líquido que vazou não contém cianeto, como alertava mensagens de moradores nas redes sociais, e é classificado como “não-perigoso”.

Sirene do terror

O dossiê também destaca o "terrorismo" da barragem provocado pelas sirenes, gerando enorme desgaste, sobretudo na população das comunidades de São Bento e Brumal, que estão sempre em alerta com medo de o acionamento das sirenes não ser uma simulação, mas um aviso real de rompimento. "É frequente o relato de que as pessoas, especialmente as crianças, estão sempre a postos para sair de suas casas a qualquer momento".

"Na primeira vez que a sirene tocou, em 2019, encontrei meus filhos no portão de casa, de mochila para ir embora. Eles tinham feito treinamento na escola para correr quando a sirene tocasse, que tinha que sair de casa imediatamente. No começo, disse para a minha filha (agora com 10 anos) que se a sirene tocar 50 vezes, temos que sair 50 vezes de casa. Mas os testes toda hora deixam ela em alerta, tendo crises de ansiedade. Hoje, ela faz tratamento psicológico por conta dessas crises. As crianças não entendem que se trata de um treinamento, acham que a barragem se rompeu”,  disse Roseni Ambrósio Silvério, 43 anos, moradora da comunidade de São Bento, militante do MAM e funcionária pública.

Anglo

A reportagem do Dom Total solicitou à AngloGold um posicionamento sobre o dossiê-denúncia. No entanto, a resposta foi evasiva. Confira a íntegra na nota:

“A AngloGold Ashanti tem a sustentabilidade como princípio norteador de todas as suas ações. Somente em 2021, empresa fará uma destinação para projetos culturais e socioambientais que ultrapassará o valor de R$ 20 milhões. Certo do seu compromisso com as comunidades, a empresa também destinou, até o momento, R$ 2,2 milhões a hospitais em Minas Gerais e Goiás para ajudá-los no combate a Covid-19. Já no quesito barragens, a produtora de ouro informa que está investindo na implementação do processo de disposição de rejeito a seco, solução para eliminar a dependência das barragens em suas operações. A expectativa é que, até 2022, 100% do rejeito seja depositado a seco nas operações brasileiras”.

Leia também:

Confira ainda:


Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!