Meio Ambiente

30/06/2021 | domtotal.com

Ampliação de complexo da Vale é visto como ameaça ao meio ambiente de Catas Altas

Movimentos de atingidos alertam sobre danos irreparáveis na região

Movimentos de atingidos alertam sobre danos irreparáveis na região
Movimentos de atingidos alertam sobre danos irreparáveis na região

Rômulo Ávila

Alteração da qualidade do ar, desvio do curso natural de afluente do Córrego Paracatu, redução dos remanescentes de vegetação nativa no bioma Mata Atlântica e alteração da qualidade das águas superficiais. O dossiê-denúncia aponta que estes são alguns dos impactos negativos que podem ocorrer na cidade de Catas Altas, na região Central de Minas, caso a ampliação do complexo da Mina de São Luiz, da AngloGold, seja aprovada, 

Cidade turística, Catas Altas é conhecida pela abundância hídrica, com presença de águas termais e por abrigar a Serra do Caraça.

"Se aprovada, a ampliação do Complexo de Fazendão vai determinar a minerodependência do município, uma vez que toda a possibilidade de vida habitual das comunidades será alterada e, com a diminuição do turismo se o meio ambiente for atingido, não haverá alternativa econômica para a cidade que não seja se apoiar nos frutos da mineração. Isso porque o projeto, dentre outras coisas, drenará as águas do Córrego São Luiz, Ribeirão dos Coqueiros e Morro D'água Quente (de águas termais)", alerta o documento.

Elaborado por movimentos de atingidos com apoio da agência de cooperação alemã Misereor e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o dossiê-denúncia, analisou, entre outras pontos, o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA).

De acordo com o dossiê, a ampliação afetará diretamente 132,21 hectares, assim como as microbacias hidrográficas do Ribeirão dos Coqueiros e do Córrego São Luiz. O documento reconhece, porém, que a microbacia do Ribeirão Pitangui também será atingida pela ampliação. Em relação à fauna e à flora, não foi precisada pelos estudos a extensão dos danos físicos e biológicos, uma vez que não há um padrão sobre até que ponto essas alterações penetram no interior das comunidades . 

Conforme o dossiê-denúncia, o Relatório de Impacto Ambiental "esconde" vários pontos: "Não haverá aumento na mão de obra empregada permanentemente, apenas de forma provisória durante a fase de implantação; os investimentos na qualidade de vida da população atingida apenas serão mantidos, ou seja, não aumentarão, embora os danos causados à população aumentem bastante; os danos ao turismo não foram considerados. Assim, a arrecadação da economia local com o turismo, especialmente nas águas termais que serão atingidas, não são listados; das medidas mitigatórias expostas, todas se destinam a monitoramento dos danos ou manutenção de programas de recuperação ambiental que já estão em andamento".

"O dossiê conseguiu identificar que há um padrão de atuação das mineradoras na região, com violação sistemáticas dos direitos das comunidades em volta dos projetos de mineração. Não é uma coisa específica da região do Caraça. É na verdade o modis operandi da mineração, em especial das grandes mineradoras e multinacionais que atuam no estado de Minas", diz Luiz Paulo Siqueira, da coordenação nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM).

"Não é uma especificidade da região do Caraça. No Norte de Minas, na Zona da Mata, da região metropolitana e na região do Quadrilátero Ferrífero a gente observa essa mesma atuação, esse mesmo padrão de violação de direito dessas grandes mineradoras na forma do trato com as comunidades", completou.

Vale não responde

A reportagem procurou a Vale por diversas vezes. Enviou questionamentos por e-mail uma semana antes de a reportagem ser publicada, entrou em contato posteriormente por telefone, mas as perguntas não foram respondidas.

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