Brasil Política

30/06/2021 | domtotal.com

Governo Bolsonaro queria propina de US$ 1 para cada vacina, denuncia empresa

Representante da empresa Davati Medical Supply afirmou que Roberto Dias, diretor do Ministério da Saúde, pediu propina para compra do imunizante

Vários escândalos de corrupção foram revelados nesta semana envolvendo o governo de Jair Bolsonaro em Brasília
Vários escândalos de corrupção foram revelados nesta semana envolvendo o governo de Jair Bolsonaro em Brasília (Evaristo Sá/AFP)

A imprensa revelou novas denúncias de corrupção na negociação e compra de vacinas anticovid, aumentando a pressão sobre o governo de Jair Bolsonaro e sua gestão da pandemia.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o diretor do Departamento de Logística (DLOG) do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, pediu propina de US$ 1  por dose de um representante da empresa Davati Medical Supply, que tentava negociar a venda de 400 milhões de vacinas AstraZeneca ao governo.

O representante da Davati no Brasil, o empresário Luiz Paulo Dominguetti Pereira, garantiu que o acordo, proposto em fevereiro, foi rejeitado por sua empresa.

Logo após a publicação dessas denúncias, o Ministério da Saúde informou em nota que o diretor de Logística supostamente implicado informou que o diretor foi exonerado do seu cargo nesta quarta-feira.

O laboratório anglo-sueco AstraZeneca, por sua vez, negou, em comunicado citado pelo portal G1, a utilização de intermediários para negociar com governos.

O caso revelado pela Folha se soma a outras denúncias de irregularidades investigadas por uma CPI instaurada pelo Senado para apurar o fracasso da resposta do governo à pandemia, que já deixou mais de meio milhão de mortos no Brasil.

É uma "Denúncia forte. Vamos convocar o senhor Luiz Paulo Dominguetti Pereira para depor na #CPIdaPandemia na próxima sexta-feira", tuitou o senador Omar Aziz, presidente da CPI.

Outro funcionário do Ministério da Saúde disse na semana passada que detectou em março possíveis irregularidades no contrato para adquirir a vacina indiana Covaxin, do laboratório Bharat Biotech, a preços altíssimos, e que a preocupação foi repassada diretamente a Bolsonaro pessoalmente.

Acrescentou que Bolsonaro lhe garantiu que comunicaria essas suspeitas à Polícia Federal, algo que aparentemente nunca fez. Essa aparente omissão levou três senadores a abrirem um processo no STF na segunda-feira para que Bolsonaro fosse investigado por um possível crime de "prevaricação".

O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira que, por enquanto, não detectou irregularidades no contrato de vacina da Índia, para o qual até o momento não houve entregas ou pagamentos. O órgão, porém, decidiu suspender o contrato enquanto investiga as suspeitas.


AFP



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