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03/07/2021 | domtotal.com

Milhares de pessoas voltam às ruas para protestar contra governo Bolsonaro

Belo Horizonte teve o maior ato contra o presidente neste ano

Milhares foram às ruas neste sábado em protesto contra Bolsonaro
Milhares foram às ruas neste sábado em protesto contra Bolsonaro Foto (Pablo Pires/Dom Total)

Dezenas de milhares de pessoas voltaram às ruas neste sábado (3) para protestar contra o presidente Jair Bolsonaro, que será investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) a fim de apurar possível crime de prevaricação em relação ao processo frustrado de compra da vacina indiana Covaxin. Eles pedem o impeachment, mais vacina contra Covid-19, combate à corrupção e a declaram apoio ao trabalho da CPI da Covid.

É o terceiro dia de manifestações contra o governo, que vem enfrentando uma pressão crescente da CPI da Covid-19, que investiga possíveis omissões na gestão da pandemia, responsável por mais de 500 mil mortes no país.

Em Belo Horizonte , o ato começou ainda na parte da manhã e na parte da tarde se concentrou na Praça da Liberdade, região Centro-Sul de BH, de onde os manifestantes saíram em direção à Praça Sete, no Centro da capital. Milhares de pessoas participam do ato. 

"Vim pelo fora, Bolsonaro e contra esse desgoverno de Jair Bolsonaro. Para quem está acompanhando a CPI, o escândalo da Covaxin já é motivo suficiente para ele ser deposto, para acontecer o impeachment.funcionário público Lauro Filgueiras.
Pablo Pires/ Dom TotalPablo Pires/ Dom Total

Com mensagens de protesto inscritas em faixas, dezenas de milhares de pessoas bloquearam várias quadras da Avenida Paulista, no centro de São Paulo.

"As pessoas saíram um pouco dessa coisa da internet e da passividade para ir pra as ruas. Acho que o superpedido de impeachment, essas notícias (sobre suspeita de corrupção) contribuem para isso", disse à AFP a assistente social Ana Claudia Lima, de 32 anos.

Com as camisetas e bandeiras vermelhas de sindicatos e movimentos sociais, muitos manifestantes de esquerda carregavam a bandeira brasileira neste sábado, na tentativa de se reapropriar do símbolo nacional normalmente usado pelos apoiadores de Bolsonaro.

Para a médica Patrícia de Lima Mendes, 47 anos, que participava de um ato no centro do Rio de Janeiro, o governo é o principal responsável pelo alto número de falecimentos.

"São mais de 500 milvidas assassinadas por este governo, por decisões espúrias, fake news, mentiras, e agora esse escândalo absurdo de corrupção relacionado às vacinas", criticou Mendes.

Outras capitais como Brasília, Belém, Recife, porto Alegre e Maceió também registraram manifestações repletas de cartazes com frases como "Bolsonaro genocida", "Impeachment já" e "Sim às vacinas".

Nos dois primeiros meses de audiências, a CPI da Covid-19 instaurada pelo Senado focou principalmente na demora do governo em selar acordos com as farmacêuticas para a aquisição de vacinas, enquanto pregava o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o coronavírus e criticava as medidas de distanciamento social ou uso de máscara.

Mas, desde a semana passada, o testemunho de Luis Ricardo Miranda, um funcionário do Ministério da Saúde, mudou o foco das investigações ao afirmar que em março ele teria sofrido uma "pressão atípica" para concretizar a compra de três milhões de doses da vacina indiana Covaxin, um contrato que, a seu entender, apresentada indícios de irregularidades, entre elas um preço muito maior do que o Brasil pagou por qualquer outro imunizante.

Miranda afirmou ter repassado pessoalmente as suspeitas a Bolsonaro, que teria se comprometido a levar o caso à Polícia Federal, algo que aparentemente o presidente não fez.

Essas declarações motivaram a abertura na sexta-feira de uma investigação da PGR contra Bolsonaro, que averiguará se o presidente cometeu crime de "prevaricação" ao supostamente não denunciar as suspeitas de irregularidades.

Outras alegações investigadas pela CPI e que causaram reboliço esta semana partiram de um empresário que afirmou ter recebido um pedido de propina de um diretor do Ministério da Saúde enquanto negociava a venda de vacinas ao governo, algo que o funcionário -que foi destituído- nega.

Bolsonaro, eleito em 2019, nega a existência de qualquer ato de corrupção em seu governo e garante que a CPI é uma "palhaçada" para tirá-lo do poder.

A oposição apresentou esta semana um "superpedido de impeachment", que condensa uma centena de pedidos de destituição já apresentados à Câmara dos Deputados com mais de 20 acusações diferentes contra Bolsonaro.


AFP/Dom Total



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