Religião

18/07/2021 | domtotal.com

Papa volta a rezar o Angelus na Praça de São Pedro após internação

Francisco manifesta proximidade aos problemas de Cuba e África do Sul como das vítimas das cheias na Europa

O papa Francisco oferece sua tradicional Angelus dos domingos na janela do palácio apostólico na praça São Pedro do Vaticano
O papa Francisco oferece sua tradicional Angelus dos domingos na janela do palácio apostólico na praça São Pedro do Vaticano (Andreas SOLARO/AFP)

O papa Francisco voltou a presidir a oração do Angelus da janela do Palácio Apostólico, na Praça de São Pedro, este domingo (18), após dez dias hospitalizado devido a uma operação de cólon. Ao fim da celebração, o pontífice destacou sua proximidade aos que sofrem, considerando, sobretudo, as situações das Europa Central, Cuba e África do Sul.

Vítimas das chuvas

Após a oração do Angelus, no Vaticano, Francisco manifestou sua proximidade para com as vítimas das enchentes: "Exprimo a minha proximidade aos povos da Alemanha, Belgica e Holanda, fortemente afetados pela catástrofe das cheias. Peço ao Senhor que acolha os defuntos e conforte os seus familiares e todos os aqueles cujas vidas foram perturbadas", disse Francisco.

Na quinta-feira o papa já havia enviado um telegrama ao presidente da Alemanha, Franz-Walter Steinmeier, dizendo-se "profundamente tocado" pelas notícias que chegavam sobre vítimas e destruição por causa das inundações sem precedentes no país.

As chuvas torrenciais e inundações na Europa Central já fizeram 183 mortos, a grande maioria, 156, na Alemanha. Só no estado da Renânia-Palatinado, as autoridades dão conta de mais de uma centena de vítimas mortais e 670 feridos. Cerca de 1.300 pessoas permanecem desaparecidas.

Cuba

O papa afirmou também ao povo cubano que está "perto nesses momentos difíceis" e fez um apelo ao "diálogo e a paz" após os protestos contra o governo que abalaram a ilha há alguns dias. "Estou também perto do querido povo cubano nesses momentos difíceis, especialmente das famílias que mais sofrem", disse Francisco.

"Rezo ao Senhor para que ajude a construir com paz, diálogo e solidariedade uma sociedade cada vez mais justa e fraterna", acrescentou o papa argentino, segundo a transcrição oficial ao espanhol de sua mensagem pronunciada em italiano.

No decorrer dos últimos dias, os bispos da Conferência Episcopal, do Conselho Episcopal Latino-americano e a Caritas (local e internacional) manifestaram sua preocupação, pedindo diálogo e respeito de ambas as partes. Os prelados dizem entender que "o Governo tem responsabilidades e que tem procurado tomar medidas para amenizar as referidas dificuldades", mas também entendem “que o povo tem o direito de expressar suas necessidades, anseios e esperanças" e se expressar publicamente contra "algumas medidas que foram tomadas e que o afetam seriamente".

Milhares de pessoas foram às ruas de várias cidades protestar em 11 de julho em Cuba, castigada pela pior crise econômica em 30 anos. Os protestos, que em alguns lugares continuaram na segunda-feira, deixaram um morto, dezenas de feridos e mais de cem detidos.

África do Sul

Também sobre os atos de violência dos últimos dias na África do Sul, o papa manifestou sua tristeza. "Nesta última semana chegaram, infelizmente, notícias de episódios de violência que agravaram a situação de tantos de nossos irmãos na África do Sul, já atingidos por dificuldades econômicas e de saúde, devido à pandemia", disse o pontífice.

Unindo-se aos bispos sul-africanos, o papa deixou "um forte apelo a todos os responsáveis envolvidos, para que trabalhem pela paz e colaborem com as autoridades para oferecer assistência aos necessitados".

Estima-se que haja 450 mil portugueses e lusodescendentes na África do Sul, país afetado por ações de violência armada e vandalismo, com dezenas de mortes e elevados danos materiais, depois da prisão do antigo chefe de Estado, Jacob Zuma.

Angelus

O papa disse durante o Angelus que o verão (do hemisfério Norte), que é  período de férias, deve ser uma oportunidade de "parar, calar, rezar", alertando para o perigo de "passar da correria do trabalho para a das férias".

"Tenhamos cuidado com o eficientismo, paremos a corrida frenética ditada pelas nossas agendas. Aprendamos a parar, a desligar o celular, a contemplar a natureza, a regenerar-nos no diálogo com Deus", apelou, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação da oração do Angelus.

De regresso ao Palácio Apostólico, após a intervenção cirúrgica ao cólon de 4 de julho, que obrigou a um internamento de 10 dias, Francisco sublinhou a importância do descanso, que Jesus recomendou aos seus próprios discípulos, para combater o "cansaço físico e interior".

"Ele quer alertá-los de um perigo, que sempre está à espreita, também para nós: deixar-se cair no frenesim do fazer, cair na armadilha do ativismo, onde o mais importante são os resultados que obtemos e sentir-se protagonistas absolutos", apontou.

O papa recomendou um descanso que chegue ao "coração". "Não basta 'desligar', é preciso descansar de verdade", afirmou. Francisco sustentou que, a partir deste "coração sem pressa", é possível viver com atenção aos outros, às suas feridas e necessidades. "A compaixão nasce da contemplação", indicou.

O Papa lamentou que muitos vivam numa atitude "voraz de quem quer possuir e consumir tudo". "Precisamos de uma 'ecologia do coração', feita de descanso, contemplação e compaixão. Vamos aproveitar o tempo verão para isso! Ajuda-nos muito", concluiu.


AFP/ Vatican News/ Dom Total/Rádio Renascença



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