Brasil Política

21/07/2021 | domtotal.com

Centrão pressiona, Bolsonaro cede e anuncia 'pequena mudança ministerial'

Base aliada pede troca na Casa Civil e na Secretaria-Geral para contemplar o Senado e frear CPI

Com desafetos no Centrão, Onyx Lorenzoni pode ser ministro numa possível recriação do Ministério do Trabalho
Com desafetos no Centrão, Onyx Lorenzoni pode ser ministro numa possível recriação do Ministério do Trabalho (Antonio Cruz/ABr)

Com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid causando estragos na imagem e na popularidade do presidente Jair Bolsonaro, o chefe do Executivo decidiu ceder à pressão da base aliada no Congresso, o chamado Centrão e anunciou que haverá uma "pequena" mudança ministerial na segunda-feira (26).

Em entrevista nesta manhã à Jovem Pan Itapetininga, o chefe do Executivo afirmou que os novos ministros foram escolhidos "com critério técnico", sem dar mais detalhes. Mas nos bastidores é notória a pressão do Centrão para o presidente mexer na articulação política do governo e a substituir os ministros da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, e da Secretaria-Geral, Onyx Lorenzoni.

Um dos nomes cogitados para a cadeira de Ramos é o do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas. Aliados do governo avaliam que Bolsonaro precisa contemplar o Senado, principalmente agora quando está acuado pela CPI. A possível entrada de Ciro no governo, no entanto, é vista como uma manobra arriscada até mesmo por seus pares. Motivo: ele comanda o principal partido da base aliada e Bolsonaro nunca poderia demiti-lo, sob pena de perder apoio.

Para o lugar de Onyx um nome citado é o do senador Davi Alcolumbre (AP), que também é do DEM. Dirigentes do Centrão avaliam que Onyx só trabalha para construir sua candidatura ao governo do Rio Grande do Sul, em 2022, e não ajuda na articulação política. Além disso, a percepção desses aliados é que a forma como ele atacou o deputado Luis Miranda (DEM-DF) – que acusou o governo de acobertar um esquema de corrupção nas negociações para compra da vacina indiana Covaxin – provocou efeito bumerangue e acabou levando Bolsonaro para o meio da crise.

Onyx tem muitos desafetos no Centrão e não são poucos os que dizem que ele tem exposto o governo a situações vexatórias. Em março, por exemplo, o ministro disse que lockdown não funciona para frear a disseminação da Covid-19 porque insetos podem transportar o vírus. Foi desmentido em seguida por especialistas. Para manter Onyx no governo, Bolsonaro estuda recriar o Ministério do Trabalho, que seria rebatizado de Emprego e Previdência.

O general Ramos, por sua vez, vem sendo apontado por governistas como o ministro que deu informações erradas ao presidente sobre a votação do fundo eleitoral de R$ 5,7 bilhões, na semana passada, fazendo com que Bolsonaro acusasse o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), de “atropelar o regimento” na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

O deputado presidia a sessão que sancionou a LDO e o fundo que agora Bolsonaro promete vetar. O presidente o chamou de "insignificante" e atribuiu a ele a aprovação da verba "astronômica" para financiar campanhas eleitorais.

Depois das críticas, Marcelo Ramos – que publicamente mantinha posição neutra em relação ao Palácio do Planalto – se declarou na oposição e agora está analisando os mais de 100 pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Em entrevista, o deputado disse que a Câmara precisa delimitar até onde o presidente pode ir. "Se não fizermos isso, Bolsonaro vai avançar e marchar sobre a democracia", afirmou.

Apesar da pressão de dirigentes do Centrão – que estão retornando a Brasília, nos próximos dias, para conversar com o presidente –, ainda não se sabe como e quando será a reforma na equipe. Ramos, por exemplo, é amigo de Bolsonaro, que sempre quer mantê-lo por perto e, no máximo, pode trocá-lo de cargo.

"É para a gente continuar administrando o Brasil", comentou Bolsonaro sobre a nova mudança. O chefe do Executivo pontua que sabia que assumir a Presidência "não era fácil, mas realmente é muito difícil". "Não recomendo essa cadeira para os meus amigos" declarou.

Bolsonaro avalia que seu estado de saúde está bom, após internação na semana passada por conta de uma obstrução intestinal - e disse que vem trabalhando na mudança que será anunciada na semana que vem.


Agência Estado/Dom Total



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