Coronavírus

21/07/2021 | domtotal.com

Casos da variante Delta crescem e especialistas alertam para possibilidade de nova onda

Apesar da vacinação, Rio e São Paulo já consideram transmissão comunitária

São Paulo já considera a transmissão comunitária da variante Delta na capital
São Paulo já considera a transmissão comunitária da variante Delta na capital (Rovena Rosa/ABr)

Com o espalhamento da Delta no Brasil, especialistas alertam para o risco de uma nova onda, apesar do avanço da vacinação pelo país. Um dos obstáculos para a nova variante no Brasil é vencer a Gama, que teve origem em Manaus e hoje é a cepa predominante.

"Não podemos relaxar; precisamos rastrear os casos e os contatos isolar as pessoas, reforçar a vigilância epidemiológica e genômica, manter as medidas de isolamento e uso de máscara, e ampliar a vacinação", enumera a presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, Gulnar Azevedo e Silva, professora do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio (Uerj). "Se nada disso for feito, corremos o risco, sim, de termos uma quarta onda."

Estudos mostram que a Delta é mais transmissível do que as demais cepas, mas não necessariamente mais agressiva. A Organização Mundial dessaúde (OMS) avaliou nesta quarta-feira (21) que a variante Delta será predominante no mundo nos próximos meses.

Na terça-feira (20), o número de casos identificados no Brasil da variante Delta do novo coronavírus era de 110. Desses, cinco casos evoluíram para quadro grave que resultou em morte. Dos 110 casos registrados, foram 83 no Rio de Janeiro, 13 no Paraná, seis em um navio que ficou parado na costa do Maranhão, um em Minas Gerais, dois em Goiás, três em São Paulo e dois em Pernambuco. No domingo, o número de casos, segundo o Ministério da Saúde, era de 97.

No entanto, a Prefeitura de São Paulo atualizou os números e informou que somente a capital tem ao menos oito casos. A prefeitura está ampliando a testagem e instalou barreiras sanitárias para tentar contar a nova variante. A Prefeitura diz ter realizado uma análise dirigida com cerca de 60 testes positivos de Covid-19 para três laboratórios. O sequenciamento genético é necessário para identificar a cepa do vírus. "Ao final de todo trabalho, pôde se confirmar a transmissão comunitária da variante Delta na cidade de São Paulo", afirmou o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido.

Cientistas ressaltam que a variante se espalhou em países onde boa parte da população já está vacinada. Isso poderia explicar o baixo número de internações e mortes. Já se sabe também que apenas a primeira dose de um imunizante pode não ser suficiente para barrar a infecção. É complexo prever como a Delta se comportaria no Brasil, que tem menos de 20% da população imunizada com duas doses.

"É difícil avaliar porque não temos nenhum outro país com a mesma situação epidemiológica do Brasil para comparar", afirmou o virologista Fernando Spilki, da Universidade Feevale, no Rio Grande do Sul. "Os países europeus tiveram medidas de controle muito mais rígidas e estavam com a vacinação mais avançada."

Segundo o especialista, o ideal é tentar evitar, pelo maior tempo possível, a transmissão comunitária da Delta no Brasil. É muito provável, porém, que ela já esteja circulando no Rio e em São Paulo. "Temos que fazer a identificação dos casos, rastrear os contatos mesmo os assintomáticos, quarentenando as pessoas", disse Spilki. "Ainda dá pra fazer isso. Quando estivermos com centenas ou milhares de casos, não será mais possível."

Presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Flávio Guimarães, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acha cada vez mais difícil fazer previsões sobre a pandemia. Mas avalia que ainda é possível que a predominância da variante Gama no país impeça a disseminação da Delta.

"Nossas fronteiras são tão ou mais porosas do que a dos outros países, claramente já fomos expostos à Delta", pondera. "Se ela ainda não é predominante é porque algo a está impedindo." Guimarães chama atenção também para o fato de que o Rio é o estado que faz o maior número de sequenciamentos genéticos do vírus. São 800 amostras por mês, em média. Essa peculiaridade pode criar uma percepção alterada da presença da Delta. "Os números ainda são tímidos para chegarmos a qualquer conclusão.


Agência Estado/AFP/Dom Total



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