Religião

22/07/2021 | domtotal.com

Secretário dos bispos dos EUA renuncia após ser pego no Grindr

Monsenhor Burrill pediu afastamento após ser acusado de utilizar aplicativo para encontros e ter frequentado bares gays

Site católico teria acessado dados do aplicativo do bispo
Site católico teria acessado dados do aplicativo do bispo (Editado de Unsplash/Claudio Schwarz)

Um alto funcionário da Igreja Católica nos Estados Unidos renunciou ao cargo na terça-feira depois que a imprensa revelou que ele supostamente usou um aplicativo de encontros para gays.

"A Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) tomou conhecimento de informações da imprensa, pendentes de publicação, suspeitando de possível comportamento indecente de seu secretário-geral, monsenhor Jeffrey Burrill", escreveu a organização em nota.

"Para evitar que isso desvie a atenção das operações e do trabalho da Conferência, monsenhor Burrill renunciou com efeito imediato", acrescentou o texto, observando que "todas as acusações de má conduta foram levadas a sério".

A Igreja Católica americana, que esteve no centro de vários escândalos de pedofilia nos últimos anos, destacou que as acusações "não se referem a conduta indecente em relação a menores".

No mesmo dia, o site de notícias católico The Pillar revelou que Burrill, um membro da Diocese de Wisconsin, usou regularmente o aplicativo de namoro gay Grindr entre 2018 e 2020 e que seu celular foi geolocalizado próximo a estabelecimentos frequentados por homossexuais.

Os usuários do Grindr, que se apresenta como "a maior rede de encontros do mundo para gays, bissexuais, trans e queer", criam um perfil com as preferências sobre seus parceiros e conseguem interagir facilmente entre si quando estão pertos um do outro. Funcionando por geolocalização, o aplicativo mostra quem o está usando nas proximidades.

The Pillar

A renúncia resultou de uma reportagem no Pillar, um boletim online que reporta sobre a Igreja Católica. Na tarde de terça-feira, após a renúncia de Burrill se tornar pública, o site informou que obteve informações com base nos dados que o Grindr coleta de seus usuários e contratou uma empresa independente para autenticá-la.

"Um dispositivo móvel correlacionado a Burrill emitia sinais de dados de um aplicativo de conexão baseado em localização, o Grindr, quase diariamente durante 2018, 2019 e 2020 -  desde seu escritório na USCCB e em sua residência (de propriedade do USCCB), bem como durante reuniões e eventos da conferência em outras cidades", relatou o Pilar.

"Os dados obtidos e analisados pelo Pillar foram transmitidos de aplicativos móveis durante dois períodos de 26 semanas, o primeiro em 2018 e o segundo em 2019 e 2020. Os dados foram obtidos de um fornecedor de dados e autenticados por uma empresa de consultoria de dados independente contratada pelo Pillar", relatou o site. Não foi informado quem era o fornecedor, nem se o site comprou as informações ou as obteve de terceiros.

A história do Pillar diz que os dados do aplicativo "correlacionados" ao telefone de Burrill mostram que o padre visitou bares gays, inclusive durante uma viagem para a USCCB.

Burril

Nomeado subsecretário-geral adjunto da Conferência dos Bispos Católicos dos EUA em 2016, e secretário-geral dois anos depois, Burrill foi responsável por coordenar a resposta da Igreja às acusações de abuso sexual contra o cardeal americano Theodore McCarrick, reveladas em junho de 2018. O influente cardeal aposentado foi finalmente afastado do cargo em 2019.

O editor-chefe do Pillar, JD Flynn, defendeu a publicação do artigo nesta quarta-feira(21), embora Burrill aparentemente não tenha violado a legislação americana. A divulgação de informações privadas sobre o monsenhor Burrill são "de interesse geral", argumentou.

"Os líderes da Igreja reconheceram nos últimos anos que as inconsistências entre o comportamento dos hierarcas da Igreja e a expectativa do celibato podem contribuir para uma cultura doentia e prejudicial de sigilo e encobrimento", disse ele em um comunicado à imprensa.

Gridr

Uma porta-voz do Grindr descreveu a história do Pillar como "homofóbica" e negou que os dados descritos nele pudessem ser acessados publicamente.

"As supostas atividades listadas naquela postagem não atribuída no Pillar são inviáveis do ponto de vista técnico e incrivelmente improváveis de ocorrer", disse o porta-voz em um comunicado na terça-feira. "Não há absolutamente nenhuma evidência que apoie as alegações de coleta ou uso indevido de dados relacionados ao aplicativo Grindr conforme alegado".


AFP/WP/Dom Total



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