Religião

22/07/2021 | domtotal.com

Grupos Católicos LGBT saem em apoio de religiosos perseguidos

Em nome da ortodoxia da fé, grupos católicos conservadores têm perseguido e difamado aqueles de quem discordam

O apoio dos grupos católicos LGBT se soma a manifestações de solidariedade em todo o país diante da perseguição orquestrada por grupos que se denominam conservadores
O apoio dos grupos católicos LGBT se soma a manifestações de solidariedade em todo o país diante da perseguição orquestrada por grupos que se denominam conservadores (Kaloian / Secretaria de Cultura da Nação)

A Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT publicou na noite dessa quarta-feira (22) uma nota de solidariedade a dois religiosos que têm sido vítimas de ódio e intolerância de grupos neoconservadores. Segundo a rede, a perseguição tem se dado pela defesa de ambos a "grupos minoritários como os pobres, indígenas, a população negra e LGBTQIA+".

A nota informa que o frade franciscano Lorrane Clementino e o padre Lino Allegri têm recebido ataques virtuais e presenciais e manifesta o apoio da rede pelos religiosos assumirem seu "papel de profetas nestes tempos sombrios". O apoio dos grupos católicos LGBT se soma a manifestações de solidariedade em todo o país diante da perseguição orquestrada por grupos que se denominam conservadores a quem não se enquadra dentro da sua suposta pureza de ortodoxia.

Em artigo publicado nessa quinta-feira (22), o padre Geovane Saraiva, de Fortaleza, faz eco do sentimento dos padres de sua Arquidiocese e de todo o Nordeste para o ocorrido com padre Lino, que se tomou redes sociais. 

"Quanta desfaçatez sórdida, mesquinha, ignóbil e truculenta, sofrida pelo sacerdote de 82 anos, no domingo, dia 4 de julho de 2021, após a missa, na sacristia da Paróquia da Paz. Foram pessoas que se dizem boas e irmãos na fé, mas que parecem mais malévolos facínoras, numa postura desintegrada e implacavelmente bárbara, incomodados com a palavra de Deus que deve ser vivida e encarnada, a partir da face reveladora, na vida dos pobres e excluídos", diz o artigo.

De fato, têm surgido no Brasil uma série de grupos e movimentos alicerçados em um fundamentalismo do magistério eclesial. Tomando trechos de documentos pontifícios e negando qualquer hermenêutica contrária a seus valores, fazem vídeos e postagens exigindo da Igreja o silenciamento de quem for vítima de seu patrulhamento. Embora pequenos, tais grupos são ruidosos e, frequentemente, muitos bispos cedem à pressão.

Leia a íntegra da nota:

Nota de solidariedade aos religiosos vítimas de ódio e intolerância de grupos católicos neoconservadores  em Fortaleza (CE)

Ódio, intolerância e preconceito têm sido o combustível de grupos que se intitulam neoconservadores católicos, e nas redes sociais têm arquitetado ondas de ataques a grupos, pessoas, religiosos e sacerdotes que, em sua visão, são "menos católicos", por defenderem grupos minoritários como os pobres, indígenas, a população negra e LGBTQIA+.

Diante dessa cruzada difamatória e violenta, a Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT vem a público manifestar solidariedade a dois religiosos da cidade de Fortaleza (CE) que vêm sendo difamados nas redes sociais por esses grupos.

O primeiro alvo foi o frei Lorrane Clementino, OFM, da Ordem dos Frades Menores, que tem sido exposto e desrespeitado, tendo sua vocação questionada por suas posições em defesa dos direitos e da cidadania de populações minoritárias, incluindo a população LGBTQIA+. 

O segundo episódio, incluiu uma série de ameaças ao padre Lino Allegri, da Paróquia Nossa Senhora da Paz. Padre Lino é membro da Pastoral de Rua da arquidiocese e começou a ser atacado depois de denunciar o descaso político com as mais de 500 mil mortes por Covid-19. O padre chegou a ter a sacristia invadida, e os ataques passaram a ser tão hostis que o sacerdote foi afastado temporariamente das missas.

No Evangelho de Mateus, a mensagem de Jesus dá a resposta contundente para estes ataques: "felizes os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino do Céu" (Mt 5, 10). Ainda assim, entendemos que é importante denunciar e repudiar a ação violenta destes grupos que, em nome de uma suposta "tradição", arquitetaram estes ataques e vêm colocando em risco a segurança e integridade destas e de outras pessoas. 

Manifestamos toda nossa solidariedade a frei Lorrane e padre Lino, bem como a todos os padres, religiosas e religiosos que têm sido perseguidos e atacados por terem tido a coragem de não silenciar, e assumir o papel de profetas nestes tempos sombrios. Suas vozes não serão caladas, e nenhuma cruzada difamatória será capaz de interromper a ação de Deus no trabalho importante que fazem.

Sempre em comunhão,
Rede Nacional de Grupos Católicos LGBT


Redação



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