Meio Ambiente

24/07/2021 | domtotal.com

Ministros do G20 alcançam acordo que relaciona energia e mudanças climáticas

Grupo avança nas propostas para transição de matrizes fósseis para renováveis

Acordo não obteve consenso, mas houve concordância na progressiva mudança de fontes de energia
Acordo não obteve consenso, mas houve concordância na progressiva mudança de fontes de energia (Patrik Stollarz/AFP)

O Grupo dos 20 (G20) alcançou um acordo "sem precedentes" que reconhece, pela primeira vez na história desde a sua criação, que as políticas voltadas para energia e clima estão interconectadas, e que para mitigar as mudanças climáticas é necessário levar em conta o atual uso de combustíveis fósseis e fontes energéticas não renováveis. Apesar doacordo,o gruipo não conseguiu fechar um calendário claro. 

No comunicado divulgado após cúpula sobre o clima, o G20 reforçou comprometimento com o processo de transição da matriz energética de uma base de combustíveis fósseis para renováveis. "Os impactos das mudanças climáticas já foram experimentados em todo o mundo, demonstrando a necessidade de implementação de ações de adaptação", ressalta.

No entanto, dois dos 60 artigos da declaração não obtiveram consenso e ficarão para os líderes do G20, grupo de países que juntos representam 80% das emissões de gases de efeito estufa do planeta. Um deles especifica os limites do aumento da temperatura média do planeta, segundo os critérios do Acordo de Paris de 2015, que foi assinado por cerca de 200 países. A data de 2030 como prazo para cumprir a transição para fontes renováveis de energia foi outro ponto polêmico.

"Todos, da China à Índia, aos Estados Unidos, Rússia e países europeus, concordaram que, especialmente após a fase pandêmica, a transição energética para energias renováveis é uma ferramenta para o crescimento socioeconômico inclusivo e rápido", ressalta o texto.

O grupo garante que todas as nações estão "ativas" na transição, tendo usado US$ 2 bilhões de recursos previstos nos Fundos de Investimento no Clima (CIFs). Também classifica o hidrogênio como "pedra angular" no processo de redução de emissões de gases do efeito estufa.

"Reafirmamos nosso compromisso em reduzir as emissões no setor de energia e nós prometemos fazer isso ainda mais por meio da cooperação no uso e disseminação de tecnologias limpas", ressalta.

A aprovação do comunicado ocorreu após o "sinal verde" da China, que participou da reunião de ministros de Energia e Clima do G20 remotamente, disse O ministro da Itália para Transição Ecológica, Roberto Cingolani. Entre as metas acordadas, o ministro italiano disse que os países concordaram em aumentar os esforços para diminuir a temperatura global em 1,5 grau até o fim desta década, mas não houve concordância em fazer deste ponto uma meta formal do G20, já que "três ou quatro países" disseram não conseguir diminuir a emissão de poluentes ao ponto de atingir este objetivo.

Além deste, dentre os 60 artigos contidos no comunicado, o que tratava da neutralidade de carbono pelos países do G20 até 2025 também teve de ser retirado do documento final, já que não houve consenso, disse Cingolani. Mesmo com as negociações "difíceis" e algumas discordâncias, o ministro tratou o encontro de forma positiva. Segundo ele, as nações do grupo concordaram que os fluxos financeiros devem ser compatíveis com os objetivos do Acordo de Paris.

Mudança de matrizes

No comunicado conjunto, o grupo reafirma o compromisso com os termos do acordo climático de Paris de 2015, em que a comunidade internacional se comprometeu em empreender os esforços para limitar o aumento da temperatura global a 2 graus em relação aos níveis pré-industriais, preferencialmente 1,5 grau. 

As nações acrescentaram que consideram o Acordo de Paris como o "farol" vinculativo para a COP 26, que ocorre em outubro em Glasgow, na Escócia. Isso inclui apoio à proposta prevista no pacto de fornecimento de US$ 100 bilhões em ajuda por ano a países em desenvolvimento, para contribuir com o combate aos efeitos das alterações do clima. "Os países do G20 concordam em ajuda aumentada para países em desenvolvimento para que ninguém fique para trás", ressalta.

O ministro italiano ainda disse que "mesmo a Arábia Saudita, que tem uma economia baseada no petróleo, foi receptiva" durante as discussões e se comprometeu em investir mais em iniciativas que promovam a economia circular no país.

A nota acrescenta que Rússia e China se comprometeram em descontinuar gradualmente a produção de energia por carvão. "A eficiência energética é um fator crucial nas transições de energia limpa e no crescimento econômico, por isso o G20 está empenhado em aumentar as iniciativas multilaterais já existentes em todo o mundo", avalia.

"Especialmente com a pandemia, todos reconhecem que a transição para fontes de energia renováveis é um instrumento para o crescimento socioeconômico rápido e sustentável", afirmou o comunicado

Metrópoles

O G20 reconheceu as grandes cidades como locais particularmente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. Por isso, o grupo defende as metrópoles como "atores muito importante" nas ações de mitigação dos impactos das alterações no clima.

Os países chamam atenção para a "importância de se viver em harmonia com a natureza, construir resiliência e acelerar a redução das emissões de gases do efeito estufa". Nesse sentido, destacam que deve haver investimentos "urgentes" para a promoção de uma mobilidade urbana sustentável e acessível.

"O progresso contínuo no uso extensivo e investimento de tecnologias é encorajado em conglomerados urbanos, para integração de sistemas de energia renovável variável", salienta a nota.


Agência Estado/Dom Total



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