Brasil Política

24/07/2021 | domtotal.com

Milhares de brasileiros voltam às ruas em protestos contra presidente Bolsonaro

Manifestantes pedem impeachment, mais vacina e em defesa da democracia

Protesto em Salvador contra o presidente Jair Bolsonaro
Protesto em Salvador contra o presidente Jair Bolsonaro (Divulgação/SINDJUFE-BA)

Atualizada às 21h20

Dezenas de milhares de brasileiros voltaram às ruas de várias cidades neste sábado (24) para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, cada vez mais desgastado sobretudo por sua caótica gestão da pandemia.

É o quarto dia de manifestações convocadas por partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais contra o presidente, que também está sendo investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por não ter denunciado suspeitas de irregularidades na negociação de vacinas contra a Covid-19 da Covaxin.

No Centro do Rio de Janeiro, uma das mais de 400 cidades do Brasil e do exterior com atos programados, o protesto começou cedo. Milhares de pessoas expressaram suas críticas nesse "dia de unir o país em defesa da democracia, da vida dos brasileiros e do fora Bolsonaro", segundo os organizadores.

Os manifestantes, a maioria deles vestidos de vermelho e usando máscara para evitar a propagação do coronavírus, carregavam cartazes com dizeres como "Fora criminoso corrupto", "Ninguém aguenta mais" e "Fora Bolsonaro".

"É muito importante que todos aqueles e todas aquelas que se sentem ofendidos ou oprimidos por esse governo, venham para as ruas, porque nós precisamos lutar pela volta da democracia", disse a assistente social Laíse de Oliveira, de 65 anos.

Em Belo Horizonte, a concentração na capital mineira começou por volta das 13h, na Praça da Liberdade, na região Centro-Sul da cidade. Eles estampam cartazes e faixas contra o presidente. Além disso, o grupo levou um imenso boneco inflável da imagem de Bolsonaro vestido de morte, com uma faixa presidencial com marcas de sangue e uma caixa de ‘cloroquina’ nas mãos.

Por volta das 15h30, os manifestantes seguiram para o Centro da capital em passeata iniciada pela Avenida Brasil. Até este horário, não houve registro de ocorrências.

Popularidade em baixa

Até o início da tarde, a imprensa noticiava, com imagens de avenidas cheias de manifestantes, protestos contra Bolsonaro em 20 estados, com críticas ao atraso da campanha de vacinação e ao disparo do desemprego e apelos pelo aumento do auxílio emergencial.

Nem os organizadores nem as autoridades divulgaram uma estimativa da quantidade de participantes dos atos, que ainda estão ocorrendo no país.

Estão previstos para mais tarde protestos em outras capitais, incluindo São Paulo, que costuma ser a maior, e Brasília.

Bolsonaro vive seu pior momento desde que chegou ao poder em 2019. Sua popularidade está no nível mais baixo, 24%, e as pesquisas indicam que nas eleições do próximo ano ele seria derrotado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A oposição apresentou em junho um "superpedido de impeachment", que condensa uma centena de pedidos já apresentados anteriormente à Câmara dos Deputados com mais de 20 denúncias diferentes contra o presidente. Mas, por enquanto, Bolsonaro tem apoio suficiente no Congresso para bloquear essas iniciativas.

No exterior, os atos foram registrados em Londres, na Inglaterra, Barcelona, na Espanha, Haia, na Holanda, Viena, na Áustria, e Tóquio, no Japão.

Manifestantes protestaram contra o governo em Governador Valadares (Divulgação)Manifestantes protestaram contra o governo em Governador Valadares (Divulgação)Ameaça de Braga Netto

Organizadores de novas manifestações contra Bolsonaro registraram um aumento no número de atos nos estados após a ameaça do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, de que não haverá eleições caso o voto impresso não seja adotado no país.

A decisão do presidente de entregar o comando da Casa Civil para o senador Ciro Nogueira (PP-PI), principal expoente do Centrão, também impulsionou o movimento.

Segundo Raimundo Bonfim, líder da Central de Movimentos Populares (CMP) e um dos principais líderes das manifestações, foram agendados 123 novos atos pelo Brasil nas 24 horas seguintes à divulgação das ameaças e o acerto com o Centrão.

"Mais um motivo para lotarmos as ruas no sábado! O Ministro da Defesa Walter Braga Netto fez um ameaça dizendo que se não houver voto impresso, não haverá eleições em 2022. Nosso país não pode seguir nas mãos de quem ameaça a democracia. #24JForaBolsonaro", escreveu no Twitter a ex-deputada Manuela D’Ávila, do PCdoB.

Segundo Bonfim, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), estará no centro dos protestos do sábado, já que só ele tem a prerrogativa de aceitar um dos pedidos de impeachment que foram protocolados na Câmara.


Agência Estado/DomTotal



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