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26/07/2021 | domtotal.com

EUA e outros 20 países pedem que governo cubano respeite 'direitos e liberdades'

Brasil assina o documento, que não foi endossado por aliados europeus dos EUA

Manifestantes em Miami protestam contra governo cubano, após manifestações na ilha
Manifestantes em Miami protestam contra governo cubano, após manifestações na ilha (Joel Raedle/AFP)

Brasil, Estados Unidos e outros 19 países divulgaram comunicado conjunto nesta segunda-feira (26), na qual condenam o governo de Cuba pela prisão em massa de manifestantes em protestos recentes contra a gestão do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel.

Na nota, o grupo exorta as autoridades locais a respeitarem "os direitos universais e a liberdade" da população, incluindo a livre circulação de informações. A coalizão de nações lembra que em 11 julho, milhares de pessoas foram às ruas em "demonstrações pacíficas" para protestar contra a "deterioração de condições de vida e para demandar mudanças".

Os países pedem que o governo cubano respeite os direitos legais do povo e pare com a prisão de manifestantes. Também defendem a liberdade de imprensa e a restauração do irrestrito acesso à internet na ilha. "A comunidade internacional não vai ceder em seu apoio ao povo cubano e para todos aqueles que defendem para liberdades básicas que todos os povos merecem", ressaltam.

Além de Brasil e EUA, assinam a nota: Áustria, Colômbia, Croácia, Chipre, República Checa, Equador, Estônia, Guatemala, Grécia, Honduras, Israel, Letônia, Lituânia, Kosovo, Montenegro, Macedônia do Norte, Polônia, Coreia do Sul e Ucrânia.

O apelo foi feito por iniciativa dos EUA, na qual o Secretário de Estado americano, Antony Blinken, exorta o governo da ilha a "respeitar os direitos e liberdades legalmente garantidos do povo cubano" e "libertar os detidos pelo exercício de seu direito a protestos pacíficos". "Instamos o governo cubano a prestar atenção às vozes e pedidos do povo cubano", diz a declaração conjunta, que também pede o fim das restrições à Internet. "A comunidade internacional não hesitará em seu apoio ao povo cubano e a todos aqueles que defendem as liberdades fundamentais que todos merecem".

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, comentou em um tuíte que o apelo de Blinken é baseado no apoio "de vários países que foram pressionados a cumprir seus ditames". Ele também destacou que Cuba conta com o apoio de 184 países que pedem aos Estados Unidos o fim do embargo contra a ilha e pediu a Washington que apresente provas que comprovem suas "acusações caluniosas".

"Separar o político do humanitário"

A Coreia do Sul, tradicional aliada dos Estados Unidos, foi a única nação asiática a aderir ao pedido. Na Europa, se uniram Áustria, Polônia e Grécia. A declaração, no entanto, não foi assinada por aliados próximos dos Estados Unidos, como Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Japão e Espanha, apesar do entusiasmo que demonstraram em colaborar com o presidente democrata Joe Biden, após a turbulência das relações com seu antecessor, o republicano Donald Trump.

Biden pretende fazer uma frente comum com seus aliados para pressionar Cuba, mas Washington tradicionalmente fica isolado nessa questão. A Assembleia Geral da ONU condenou, no final de junho, por esmagadora maioria e pela 29ª vez, o embargo imposto à ilha pelos Estados Unidos em 1962.

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, propôs aos Estados Unidos permitir o reenvio de remessas a Cuba, como primeiro passo para levantar o embargo. "Muitas coisas poderiam ser feitas, sugiro apenas uma, com todo o respeito, pelas duas nações: que as famílias de Cuba possam receber remessas de quem vive e trabalha nos Estados Unidos ou em qualquer outro país", disse à imprensa o presidente mexicano.

Segundo López Obrador, "Biden deve tomar uma decisão a esse respeito. É um apelo respeitoso, sem interferências, devemos separar o político do humanitário".

Na semana passada, o governo Biden impôs sanções ao ministro da Defesa cubano. A Casa Branca afirma que busca uma forma de restaurar o acesso à Internet e permitir que os cubano-americanos enviem dinheiro sem precisar pagar ao governo.

Cuba registrou manifestações sem precedentes em mais de 40 localidades em 11 de julho, em meio à pior crise econômica da ilha em décadas e um forte aumento nas infecções por Covid-19. Os protestos deixaram um morto, dezenas de feridos e mais de cem detidos.


AFP/Agência Estado/Dom Total



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