Economia

28/07/2021 | domtotal.com

Acesso às vacinas amplia desigualdades na recuperação econômica, diz FMI

Onde a vacinação é adiantada, como EUA e países da Europa, o crescimento econômico tende a ser muito mais acelerado, em contraste com países emergentes onde a vacinação é lenta

Placa de loja fechada em Arlington, Virginia (EUA), durante isolamento contra o coronavírus
Placa de loja fechada em Arlington, Virginia (EUA), durante isolamento contra o coronavírus Foto (Olivier Douliery / AFP)
Previsões de crescimento do FMI
Previsões de crescimento do FMI Foto (Erin CONROY/AFP)

A recuperação deve ser mais rápida do que o esperado nas economias desenvolvidas, mas mais lenta para os países emergentes, em particular devido ao acesso desigual às vacinas contra o coronavírus, alertou nessa terça-feira (27) o FMI, que mantém sua previsão de crescimento global de 6% em 2021.

"O acesso às vacinas se tornou a principal linha de ruptura que divide a recuperação global em dois blocos", disse o FMI em uma atualização trimestral de seu Relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO).

De um lado, as economias mais avançadas, que têm acesso às vacinas e "podem esperar uma normalização da atividade este ano". Do outro, países que têm pouco ou nenhum acesso a elas e "continuarão enfrentando um ressurgimento de infecções e o aumento do número de mortes relacionadas à Covid-19".

O Produto Interno Bruto (PIB) deve, portanto, crescer mais rápido do que o esperado nas economias desenvolvidas, de 5,6% em 2021 (0,5 ponto a mais do que nas últimas projeções de abril).

Em contraste, os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento devem experimentar um forte crescimento este ano, mas mais lento do que o esperado anteriormente, de 6,3% (-0,4 ponto).

A Índia, devastada pelo ressurgimento do vírus devido à variante delta, vive a desaceleração mais acentuada em suas perspectivas econômicas, com crescimento esperado de 9,5% (-3 pontos). A situação também se deteriora para a China, com crescimento esperado de 8,1% (-0,3 ponto).

Erin Conroy/AFPErin Conroy/AFPAcesso às vacinas e apoio orçamentário

Quase 40% da população das economias avançadas está totalmente vacinada, em comparação com 11% nas economias de mercado emergentes e uma pequena fração nos países em desenvolvimento de baixa renda, detalha o FMI, que recentemente propôs um plano de US$ 50 bilhões para vacinar pelo menos 40% da população mundial até o final do ano.

"Eu diria que estamos mais preocupados do que em abril", declarou Petya Koeva Brooks, vice-diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI). O surgimento de variantes altamente contagiosas pode custar à economia global US$ 4,5 trilhões até 2025, avisa a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, em um blog publicado nesta terça-feira. "As diferenças de apoio político são uma segunda fonte do agravamento da lacuna" entre os países, comentou ela.

Assim, os Estados Unidos devem experimentar um crescimento de 7% este ano (+0,6 ponto) e 4,9% em 2022 (+1,4 ponto) graças aos planos de investimento em infraestruturas e gastos com políticas sociais que poderão ser adotados em breve no Congresso.

O FMI enfatiza que esse vigor econômico deve ter um impacto positivo sobre seus parceiros comerciais. O mesmo ocorre na zona do euro, onde o plano de estímulo "Next Generation" deve estimular o crescimento, agora esperado em 4,6% em 2021 (+0,2 pontos). A situação também deve ser melhor do que o esperado no Reino Unido, com o PIB crescendo 7,0% (+1,7 ponto).

Preços dos alimentos em alta

"Alguns mercados emergentes como Brasil, Hungria, México, Rússia e Turquia também começaram a aumentar suas taxas básicas para evitar pressões de alta sobre os preços", disse Gita Gopinath.

O FMI apela aos bancos centrais para que mantenham seu apoio às economias e não restrinjam suas políticas imediatamente, estimando que "a inflação deve retornar aos níveis pré-pandêmicos na maioria dos países em 2022", apesar do "risco de que pressões transitórias possam se tornar mais persistente".

O FMI agora espera, para as economias desenvolvidas, inflação de 2,4% em 2021 (+0,8 ponto) e 5,4% (+0,5 ponto) nos países em desenvolvimento. "A inflação deve permanecer alta até 2022 em alguns mercados emergentes e economias em desenvolvimento, em parte devido à pressão contínua sobre os preços dos alimentos e desvalorizações cambiais, criando uma nova lacuna", comentou a economista-chefe.

Boas notícias, porém, no plano do comércio internacional, que deve registrar crescimento de 9,7% em 2021 (+1,3 pontos), "apesar das perturbações na oferta no curto prazo". No longo prazo, para 2022, a projeção para o crescimento do PIB global é elevada em 0,5 ponto, para 4,9%.


AFP/Dom Total



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