Meio Ambiente

29/07/2021 | domtotal.com

Aquecimento do Ártico pode ser gatilho para eventos climáticos extremos, diz relatório

Em 30 anos, o Ártico aqueceu a uma taxa 3 vezes mais rápida do que média global

Liberação de água doce por derretimento do gelo pode afetar clima em todo o planeta
Liberação de água doce por derretimento do gelo pode afetar clima em todo o planeta (Torsten Blackwood/AFP)

Um novo relatório do Climate Crisis Advisory Group (CCAG), divulgado nesta quinta-feira (29), conclui que o rápido aquecimento e derretimento do gelo no Ártico é provavelmente o principal gatilho para eventos climáticos em cascata em todo o planeta, resultando em mudanças devastadoras em nossos sistemas meteorológicos e nos incidentes climáticos extremos observados recentemente - como as ondas de calor e inundações em países como os EUA, Canadá, Alemanha e China, que causaram centenas de mortes.

"A ocorrência sistemática de super-extremos em todo o mundo em 2021 não pode ser explicada apenas pelo 1,2 grau de aquecimento global que temos até agora - há algo mais em jogo. E o candidato é o aquecimento acelerado e o derretimento do gelo no Ártico", diz Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático, da Alemanha, e membro do CCAG.

Nos últimos 30 anos, o Ártico aqueceu a uma taxa de 0,81grau por década, mais de três vezes mais rápido do que a média global de 0,23 grau por década. Isso resultou na perda rápida e irreversível do gelo marinho, bem como na perda do manto de gelo da Groenlândia. De acordo com o relatório, há gelo suficiente apenas na camada de gelo da Groenlândia para elevar o nível global do mar em 7,5 metros.

Um Ártico estável é conhecido por controlar a temperatura da Terra - interrompida essa estabilidade, os mantos de gelo estão derretendo e liberando grandes quantidades de água doce fria no Atlântico Norte, diminuindo a circulação do oceano e provocando impactos em regiões tão distantes quanto a Antártica, além de perturbar eventos climáticos complexos, como a monção sul-americana. Isso também explica a maior frequência de secas e incêndios na floresta amazônica, causando aumento da liberação de CO2 na atmosfera.

Paralelamente, se as emissões de gases de efeito estufa continuarem a aumentar na taxa atual, dezenas a centenas de bilhões de toneladas de carbono, presas no permafrost do planeta, poderiam ser liberadas na atmosfera. No ritmo atual, segundo o documento, as condições de clima quente que levam ao degelo do permafrost já estão ocorrendo cerca de 70 anos antes das previsões.

"Os impactos da influência humana sobre o clima em uma região se propagam a outras regiões em função da circulação atmosférica e oceânica. Não atuar para reverter as causas da mudança climática e reduzir seus impactos é uma escolha que implica em prejuízos substanciais para nossa economia e para a segurança da população", alerta Mercedes Bustamante, pesquisadora da UnB e única brasileira membro do CCAG.

"É mais um lembrete de que não há margem remanescente para mais de gases de efeito estufa em nossa atmosfera. Não apenas devemos reduzir imediatamente as emissões, particularmente de combustíveis fósseis, devemos também procurar maneiras de remover gases de efeito estufa da atmosfera em escala", afirma Sir David King, presidente do CCAG.

O primeiro relatório do CCGA pode ser acessado aqui.


Agência Bori



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