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04/08/2021 | domtotal.com

Canal Brasil retorna com programa 'Cineastas do real' convidando Walter Salles

Nova temporada traz 13 entrevistas com documentaristas conduzidas pelo crítico Amir Labaki

Manuel Bandeira, Chico Buarque, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, imagem do documentário de Walter Salles
Manuel Bandeira, Chico Buarque, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, imagem do documentário de Walter Salles (Canal Brasil)

Walter Salles é o primeiro entrevistado da terceira temporada de Cineastas do real, série escrita, dirigida e apresentada por Amir Labaki no Canal Brasil. O programa vai ao ar nesta quarta, 4, às 19h30, com horários alternativos na quinta, às 13h30, e terça, às 7h. Esta será a primeira de 13 entrevistas com destacados documentaristas brasileiros. Depois de Walter Salles, virão, ainda este mês, Antônio Carlos da Fontoura, Joel Zito Araújo e Sandra Kogut.

Em tempo de pandemia, as gravações de Cineastas do real foram feitas de maneira remota. Labaki, criador e diretor do festival de documentários É Tudo Verdade, diz que perdeu o privilégio do convívio pessoal com os cineastas, “mas a série nada perdeu em foco, sintonia e concentração”.

É bem o que se vê nos dois primeiros programas, aos quais o Estadão teve acesso. Walter Salles é bastante conhecido por sua obra ficcional, em especial por Central do Brasil (1998), vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. Mas, como diz, é da prática documental que muitas vezes tira material para sua obra de ficção. É o caso de Central do Brasil, que surge após o documentário Socorro Nobre (1995) sobre a presidiária que escrevia cartas ao artista plástico Frans Krajcberg.

Também é o caso de Antonio Carlos da Fontoura, bastante conhecido por filmes como Rainha diaba (1974) e o mais recente Somos tão jovens (2013), recriação da trajetória de Renato Russo. Fontoura começou com documentários hoje tidos como clássicos, como Heitor dos Prazeres (1966) e Ver ouvir (1966).

Da mesma forma, Salles dá início à sua carreira com documentários como Japão, uma viagem no tempo: Kurosawa, pintor de imagens (1986), Krajcberg: O poeta dos vestígios (1987) e Chico ou o país da delicadeza perdida (1989), obras que precedem sua estreia na ficção em 1991 com A grande arte, adaptação do romance de Rubem Fonseca.

Salles relembra como foi importante o processo documental pela América Latina antes da filmagem de outro de seus sucessos, Diários de motocicleta (2004), recriação do processo de descoberta geográfica e política do jovem Ernesto Guevara em anos que antecederam a Revolução Cubana. Muitas das imagens documentais migram para o filme de ficção, enriquecendo-o e dando-lhe autenticidade.

Mesmo processo para On The Road (2012), versão ficcional da obra de Jack Kerouac, precedida por um documentário sobre a beat generation norte-americana. O doc pode ser uma obra em si, ou um processo de aprendizagem do cineasta com vistas à realização de uma obra de ficção sobre aquela realidade.

Salles deu seguimento à sua carreira de cineasta de ficção, mas volta e meia se exercita no documentário. É o caso do ótimo Jia Zhangke, um homem de fenyang (2014), sobre o formidável diretor chinês, que Salles realizou em parceria com o crítico francês Jean-Michel Frodon.

Os diálogos entre Labaki e os diretores são muito interessantes, leves, bem-humorados e esclarecedores. É conversa entre criadores e um crítico experiente, que conhece seu ofício e as obras que discute. Pode conduzir a conversa a temas importantes da reflexão crítica contemporânea, como o dos limites entre documentário e ficção, cada vez mais fluidos. Pelo que se percebe, doc e ficção não se opõem: fertilizam-se mutuamente. Aquele fornecendo base de realidade para encorpar a ficção; esta, doando técnicas narrativas que podem enriquecer o registro documental.

Os outros entrevistados desta temporada são: Sérgio Tréfaut, Ricardo Calil, Gregório Baccin, Silvio Da-Rin, Daniel Santiago, Ana Carolina, Cristiano Burlan, Walter Carvalho e Sérgio Oksman.


Agência Estado/Dom Total



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