Coronavírus

05/08/2021 | domtotal.com

Opas alerta para os mais de 600 mil casos de Covid-19 entre povos indígenas nas Américas

Entidade ressalta a vulnerabilidade das comunidades e aumento da desigualdade

Homem do povo indígena Guarani recebe vacina CoronaVac em Maricá, no Rio de Janeiro
Homem do povo indígena Guarani recebe vacina CoronaVac em Maricá, no Rio de Janeiro (Mauro Pimentel/AFP)

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) informou que mais de 600 mil indígenas foram infectados e cerca de 15 mil morreram por Covid-19 nas Américas desde o início da pandemia, fazendo um pedido para que os países priorizem o atendimento a essas comunidades. 

A diretora da Opas, Carissa Etienne declarou que "a pandemia exacerbou as desigualdades em nossa região. E isso é especialmente verdadeiro para nossos povos indígenas". "Devemos garantir que nossas respostas e nossas campanhas de vacinação anticovid não ampliem as iniquidades", acrescentou ela em entrevista coletiva.

Para os 62 milhões de indígenas que vivem nas Américas, o risco de contrair Covid-19 e morrer por complicações derivadas da doença é alto, segundo a Opas, o escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre janeiro de 2020 e julho de 2021, a Opas recebeu notificação de 617.326 infecções e 14.646 mortes por Covid-19 em povos indígenas em 18 países americanos. Os Estados Unidos, com 4.860 óbitos de indígenas entre 259.884 casos registrados, é a nação mais afetada pela pandemia.

Em número de casos, vêm em seguida Chile (65.884), Peru (64.923), Colômbia (63.250), Brasil (51.334), Canadá (32.597), México (21.046), Guatemala (18.924) e Bolívia (18.700) . Depois dos Estados Unidos, com a maior quantidade de mortes de indígenas, estão o México (3.253), a Colômbia (1.813) e o Chile (1.170).

As sociedades comunais onde o distanciamento físico é difícil, a pobreza, as barreiras linguísticas e a falta de redes de apoio social e financeiro tornam as comunidades indígenas "mais vulneráveis" ao contágio e mais propensas a não ter acesso aos serviços de saúde, de acordo com a Opas.

"Provavelmente há muitos mais infectados, mas podemos não saber porque eles têm tido dificuldades para receber o cuidado contra a covid-19 que merecem", disse Etienne.

Por isso, enfatizou, os países devem envolver as populações indígenas na resposta ao coronavírus, traçar políticas alinhadas aos seus costumes e garantir que trabalhadores dos serviços de saúde conheçam as línguas dos indígenas e respeitem a medicina ancestral que praticam.

Etienne aplaudiu o fato de 17 países nas Américas terem incluído os povos indígenas como um grupo prioritário para a imunização. "Mais de 134 mil indígenas estão totalmente vacinados na Guatemala e mais de 312 mil completaram seus esquemas de vacinação no Brasil", afirmou ela, urgindo os governos a produzir melhores estatísticas sobre a população indígena.

"Poucos países coletam dados sobre o impacto da pandemia em todos os grupos étnicos, o que deixa os ministérios da saúde cegos para tendências importantes e valiosas de como o vírus está afetando nossas comunidades indígenas", explicou ela, que elogiou os "dados sólidos" do Brasil e da Colômbia.


AFP



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