Brasil Política

06/08/2021 | domtotal.com

Pacheco garante eleições legítimas e diz que Bolsonaro não pode agredir o STF

'Nem o presidente da República nem qualquer cidadão pode agredir a Suprema Corte do país'

Ataques de Bolsonaro contra eleições encontram resistência de Pacheco; Já Lira passa pano e apoia voto impresso
Ataques de Bolsonaro contra eleições encontram resistência de Pacheco; Já Lira passa pano e apoia voto impresso Foto (Pedro França/Agência Senado)

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), reagiu às declarações do presidente Jair Bolsonaro que colocam em suspeição a realização das eleições em 2022. Nesta sexta-feira (6), em entrevista à GloboNews, Pacheco descartou a possibilidade de o pleito não ser realizado no ano que vem. “Teremos eleições em 2022 legítimas”, disse o senador, que também avaliou que a situação entre os Poderes “não vai bem” e rebateu os ataques de Bolsonaro ao Judiciário.

Na avaliação de Pacheco, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, fez um pronunciamento “importante” contra o chefe do Executivo, na quinta-feira (5). “Nem o presidente da República nem qualquer cidadão pode agredir a Suprema Corte do país”.

Pacheco prestou apoio à Corte, mas insistiu que os Poderes devem apostar no diálogo para "melhorar a situação”. Segundo o senador,  as críticas, tanto a Bolsonaro quanto ao STF, devem ser analisadas e, diante disso, buscar uma convergência para reforçar o aspecto de independência e convivência harmônica entre os Poderes. Pacheco diz que não repudia as críticas feitas pelo chefe do Executivo, mas sim as agressões e ironias que, em sua visão, “não cabem numa relação que deve ser institucional”.

Apesar de apostar no diálogo como forma de apaziguamento, Pacheco diz que concordou com o pronunciamento de Fux mas que, uma hora ou outra, “todos precisarão sentar à mesa" e o STF “haverá de encontrar uma solução”. O presidente do Senado, então colocou a Casa para ser um ponto de pacificação. “Não fecho a porta para diálogo nenhum”. Segundo Pacheco, ele já conversou com Fux e com o procurador-geral da República, Augusto Aras.

“Vivemos uma crise perene já há algum tempo, nós temos buscado conter essa crise, sempre conversando", reforçou o pedido de diálogo. Segundo ele, “essas respostas do poder Legislativo ajudaram a virar essa página que estamos vivendo nessa crise institucional”.

Contra os ataques de Bolsonaro aos Poderes e instituições, Pacheco classificou como “grave” a declaração do chefe do Executivo de jogar “fora das quatro linhas da Constituição”. “Temos que ser fiéis a Constituição”, ponderou, emendando que deve ser feita uma análise sobre qual a razão do descontentamento do presidente para remediar com uma ação. “Qualquer ameaça mínima ao Estado de Direito será rechaçada pelo Senado”. Mas, insistiu: “Não podemos nos pegar na gravidade dessas falas para interromper o diálogo”.

Eleições

Sobre as eleições, Pacheco diz que ‘não se pode questionar a lisura das eleições’. E foi além: "Todo aquele que pregar retrocesso com eleições 2022 será punido pela história". Pacheco relembrou ainda que não há comprovação de fraude nas eleições e apostou na confiança do sistema de votação. Em sua avaliação, "a maioria dos parlamentares compreende que o sistema eletrônico é confiável" e a vontade do Congresso deve ser a de preservação do sistema.

A postura do parlamentar contra os ataques do presidente Bolsonaro ao sistema eleitoral, contudo, não são compartilhadas pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Na última quarta-feira (4), em entrevista à Bandeirantes, Lira afirmou que o debate sobre o voto impresso estava muito "polarizado" e pediu calma na análise do tema.

O presidente da Câmara admitiu não existir "nenhum fato relevante" que aponte fraude nas urnas eletrônicas, mas mesmo assim, não deixou de apoiar a bandeira do presidente. Lira falou em criar formas de auditagem "mais transparentes", que evitem a contestação das eleições, e jogou a decisão final sobre o tema para o Senado.

Apesar da pressão e das ameaças de Bolsonaro, o voto impresso sofreu sua primeira grande derrota no Congresso na quinta-feira (5). O relatório do deputado Filipe Barros (PSL-PR) para a volta da contagem manual do resultado das eleições e da impressão do comprovante de votação foi derrotado por 23 votos contrários e 11 favoráveis.

Contra qualquer ataque da decisão, Pacheco disse que as instituições devem ser "obedientes" e entender que "quem decide é o Congresso Nacional". "O papel do Congresso é discutir isso (voto e urna), como foi feito ontem", pontuou. A expectativa, conforme pontua, é que o assunto seja encerrado na Câmara dos Deputados. No entanto, caso prossiga para o Senado, "a Casa decidirá", declarou. Pacheco defendeu ainda que as reformas administrativa e tributárias são as prioridades do Parlamento no momento.


Dom Total /Agência Estado



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