Meio Ambiente

12/08/2021 | domtotal.com

Ondas de calor e chuvas em diferentes partes do mundo evidenciam aquecimento

Enchentes e incêndios provocam estragos e mortes da Índia ao Mediterrâneo

Com a alta do Rio Ganges, milhares tiveram que deixar suas casas na Índia
Com a alta do Rio Ganges, milhares tiveram que deixar suas casas na Índia (Sanjay Kanojia/AFP)

Os efeitos das mudanças climáticas e do aquecimento global têm se tornado cada vez mais concretos. Após inundações recorde na Europa e calor extremo na América do Norte, nas últimas semanas diferentes regiões do planeta enfrentam climas extremos, com ondas de calor, que causam incêndios em vários países mediterrâneos e chuvas torrenciais no Oriente Médio, África e Ásia.

Os cientistas consideram que esta repetição de ondas de calor é um efeito inequívoco do aquecimento global e estimam que o fenômeno se multiplique e se intensifique no futuro. Essas temperaturas, bem acima do normal neste período, são causadas pela irrupção de uma massa de ar muito quente vinda do Norte da África, que se soma a uma forte exposição solar, conforme explicam os dois órgãos meteorológicos.

A intensa onda de calor que atinge a Península Ibérica provocou nesta quinta-feira (12) os primeiros incêndios florestais na Espanha. Autoridades espanholas e portuguesas já haviam elevado ao máximo o risco destes incidentes. O perigo de focos de incêndios descontrolados é particularmente preocupante depois dos incêndios devastadores que afetam outros países mediterrâneos, como Grécia, Argélia e Turquia, há semanas.

"Desde 2003 não ocorre uma situação com temperaturas tão altas e com uma umidade tão baixa, o que causa um risco extremo de incêndio", explicou Jordi Carrasco, um agente rural catalão. "A situação meteorológica é muito semelhante à que ocorreu na Grécia ou na Turquia", alertou Carrasco. "Estamos diante de um desafio permanente que resulta das mudanças climáticas", afirmou o primeiro-ministro português Antonio Costa, durante uma visita à sede da Proteção Civil.

Incêndio consome florestas próximo à região de Manavgat, na Turquia (AFP)Incêndio consome florestas próximo à região de Manavgat, na Turquia (AFP)Na Espanha, o risco é considerado "extremo", indicou a Agência Meteorológica do Estado (Aemet), enquanto em Portugal o alerta para incêndios é "máximo" em várias regiões, indicou o seu instituto meteorológico.

Os alertas aumentaram devido à onda de calor que deve elevar as temperaturas para cerca de 40 graus em grande parte da península até segunda-feira, com picos ainda maiores em várias áreas como o vale do Guadalquivir, no sul da Espanha, onde os termômetros podem chegar a 45 graus.

A Itália também combate focos de incêndio em meio à onda de calor. Bombeiros combateram cerca de 500 focos de incêndios, que já provocaram ao menos quatro mortes. Um anticiclone, devidamente denominado Lúcifer, atravessa atualmente a península, provocando a explosão dos termômetros, especialmente com uma temperatura de 48,8 graus registrada na quarta-feira em Sicília, que poderia corresponder a um recorde na Europa.

Após semanas de incêndios descontrolados, as chuvas que caíram nas últimas horas deram um respiro aos bombeiros e cidadãos da Grécia, onde o fogo já queimou mais de 100 mil hectares em duas semanas de fortíssimos incêndios.

Diante desses incêndios, os mais graves desde 2007 e que provocaram três mortes, o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, lamentou mais uma vez "uma catástrofe ecológica imensa" e alertou sobre o risco de que focos ressurjam neste verão especialmente seco e quente no país. "A crise climática está aqui e está nos dizendo que tudo deve mudar", reconheceu o líder conservador, que é alvo de severas críticas por sua gestão dos incêndios.

Os habitantes de 20 cidades foram evacuados nos últimos dias, enquanto centenas de bombeiros, alguns deles enviados por países europeus, lutam sem descanso contra as chamas. "Estou perdido", desabafou Kostis Angelou, enquanto caminhava entre suas mais de 370 cabras mortas, devido ao fogo que devorou as florestas de Eubeia. O agricultor de 44 anos conseguiu sobreviver, passando horas debaixo de um cano de água de irrigação, devido à ameaça do incêndio. "Um santo me salvou", afirma. "Estamos acabados. O que podemos fazer?", questiona seu pai, Spyros Angelou, de 77 anos.

Na Argélia, bombeiros e voluntários locais, com ajuda internacional, continuam lutando n sem descanso, contra as chamas que arrasam o norte do país, no primeiro dos três dias de luto nacional decretados em memória dos 69 mortos nestes incêndios agravados por uma onda de calor. Divulgado na quarta-feira (11), o último balanço oficial de vítimas é de 41 civis e 28 militares mortos neste país do norte da África.

Ao voltarem para suas casas, os moradores evacuados da região constatam a magnitude da devastação: "Não sobrou nada. Meu escritório, meu carro, meu apartamento. Até as telhas estão destruídas", conta um deles. Seu único consolo é pensar que conseguiu salvar sua família, já que "alguns vizinhos morreram, ou perderam familiares".

A área do Magreb enfrenta uma onda de calor extremo, com temperaturas próximas dos 50 graus, que podem se prolongar até o fim de semana, de acordo com diferentes serviços meteorológicos. Tunísia, vizinha do leste da Argélia, registrou na quarta-feira um recorde absoluto de temperatura no país, 50,3 graus, em Kairouan, no centro.

Chuvas incomuns

Enquanto o fogo assola os países do Mediterrâneo, chuvas fortes causam mortes e destruição em outros países. O Níger, na África Ocidental, registra uma temporada incomum de chuvas desde o mês passado. Autoridades informaram que o país já registra 55 mortos e 53 mil desabrigados. Mais de 4,8 mil casas foram danificadas por inundações ou deslizamentos de terra e cerca de 900 cabeças de gado foram perdidas, disse na rádio estatal o coronel Baki Boubacar, chefe da agência de proteção civil.

Na Índia, milhares de pessoas foram evacuadas de várias centenas de cidades inundadas pelo transbordamento do Rio Ganges depois de ultrapassar seu nível de alerta em grande parte do estado mais populoso da Índia. O rio sagrado ficou dois metros acima de sua altura normal, depois de vários dias de chuvas torrenciais em Allahabad e arredores, no estado de Uttar Pradesh.

Mais de 600 cidades inundadas, com estradas intransitáveis, estão isoladas nesse momento. As autoridades enviaram 225 barcos para a região para ajudar as pessoas nos telhados e andares superiores de suas casas, disse M.P. Singh, um responsável do distrito de Allahabad, onde mais de 4,5 mil pessoas já foram resgatadas.

A Turquia, onde os incêndios arrasaram várias regiões do sul no início do mês, agora enfrenta enchentes na região norte. Ao menos nove pessoas perderam a vida. "Esta é uma catástrofe que não vivíamos há 50 ou 100 anos, talvez. Registramos chuvas recordes em alguns lugares", disse o ministro da Agricultura e Florestas, Bekir Pakdemirli.


AFP/Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!