Brasil Política

19/08/2021 | domtotal.com

Dono da Precisa responde a poucas perguntas em depoimento à CPI da Covid

Intermediário da venda da Covaxin, Maximiano foi ameaçado de prisão por falso testemunho durante depoimento

Maximiano admitiu conhecer o líder do governo Ricardo Barros, também investigado pela CPI
Maximiano admitiu conhecer o líder do governo Ricardo Barros, também investigado pela CPI (Jefferson Rudy/AG.Senado)

O dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, decidiu ficar em silêncio sobre as negociações da empresa com o Ministério da Saúde investigadas pela CPI da Covid. Ele é um dos principais alvos da apuração por ter intermediado a compra da vacina indiana Covaxin. A CPI suspeita de um suposto esquema de corrupção no Ministério da Saúde envolvendo esse contrato.

Amparado por um habeas corpus concedido pela ministra Rosa Weber do Supremo Tribunal Federal (STF), Maximiano teve o aval para ficar em silêncio e não responder a perguntas que possam incriminá-lo. Ele se recuou a falar sobre o contrato com a fabricante da Covaxin, Bharat Biotech, e a remuneração que a Precisa teria com a venda de vacinas para o Brasil.

Diante das poucas respostas, a CPI aprovou a convocação para a próxima semana de dois diretores do Fib Bank, Roberto Pereira Ramos Junior e Luiz Henrique Lourenço Formiga, instituição garantidora do negócio entre a Precisa e o governo federal. A CPI também aprovou a quebra de sigilo de várias pessoas ligadas à Precisa, além do líder do governo na Câmara Ricardo Barros (PP-AL).

No momento mais tenso, Maximiano se retratou durante o depoimento e admitiu ser locatário de um apartamento frequentado pelo advogado Marcos Tolentino, ligado ao líder do governo na Câmara, Ricardo Barros. O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) sugeriu a prisão de Maximiano após ele ter dito anteriormente que era apenas fiador no contrato do apartamento. Tolentino é apontado como sócio oculto do FIB Bank, empresa usada pela Precisa para oferecer uma carta de fiança ao Ministério da Saúde na compra da vacina indiana Covaxin. Após a ameaça de prisão, Maximiano se retratou.

No início do depoimento desta quinta-feira (19), Francisco Maximiano se recusou a responder a perguntas do relator do colegiado, Renan Calheiros (MDB-AL), sobre outros contratos, além de vacinas. Após crítica de senadores, ele admitiu que a empresa é fornecedora de preservativos femininos ao Ministério da Saúde.

Além disso, Maximiano afirmou que conhece o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, outro alvo da comissão. Ao declarar que ficaria em silêncio, o dono da Precisa declarou que a escolha garantia sua autodefesa e reforçou "respeito" à CPI.

Algumas poucas questões foram respondidas, como sobre o preço da vacina Covaxin, que ele alegou ter sido fixado pela fabricante, no caso, a Bharat Biotech, na Índia. O empenho de R$ 1,6 bilhão, porém, foi feito à Precisa, mas o empresário se recusou a dar esclarecimentos sobre o procedimento. Além disso, não respondeu sobre a pressão da empresa para o ministério acelerar a importação da Covaxin.

Preços e pressão

Maximiano confirmou que o contrato estabelecia a compra de 20 milhões de doses a US$ 15 a unidade, mas não explicou a mudança de preço ao longo da negociação. Ele repetiu a versão dada pela diretora da empresa, Emanuela Medrades, de que o preço foi estabelecido pela companhia indiana e que a Precisa conseguiu fechar um contrato com o valor mínimo exigido pela fabricante.

Após negar influência na aprovação de uma lei no Congresso para destravar a importação da Covaxin, o dono da Precisa Medicamentos não respondeu se o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), já atendeu alguma demanda apresentada pelo empresário. No entanto, admitiu conhecer Barros e ter interesse na emenda que viabilizou o negócio, mas afirmou que não houve nenhum contato com o deputado ou com outro parlamentar para fazer essa inclusão.

Barros foi autor, em fevereiro, de uma emenda na Câmara que viabilizou a importação da Covaxin por meio da inclusão da Central Drugs Standard Control Organization (CDSCO), da Índia, na lista de agências reconhecidas pela Anvisa para permitir a autorização de importação e distribuição de vacinas de outros países. A CDSCO deu aval à Covaxin. No Brasil, a Anvisa chegou a ceder uma autorização prévia para importar o imunizante, mas cancelou a licença em meio às suspeitas. Ao depor na CPI, o deputado negou que a emenda tivesse relação com o caso.

Documentos falsos

Maximiano afirmou à CPI da Covid que a Envixia Pharmaceuticals é a responsável pelos documentos que foram apontados como falsos pela Bharat Biotech. Em julho, a farmacêutica indiana anunciou a rescisão de seu acordo com a Precisa para venda da vacina Covaxin ao governo brasileiro. Na ocasião, a Bharat negou ter assinado duas cartas que fazem parte do processo administrativo de compra do imunizante e foram enviadas ao Ministério da Saúde.

Questionado sobre o motivo da recente viagem à Índia, Maximiano afirmou que foi ao país para apresentar "provas" de que os documentos foram recebidos pela Envixia, empresa do exterior que também participou das negociações da compra da vacina. "Fui à Índia apresentar a eles provas de que recebemos documentos da Envixia", respondeu o dono da Precisa.

Perguntado então se quem teria "promovido as fraudes" seria a Envixia, Maximiano respondeu que sim. Uma das cartas que teriam sido falsificadas dava autorização à Precisa para ser a "representante legal e exclusiva no Brasil com poder de receber todas as notificações do Governo".

O documento aponta que a empresa brasileira estaria "autorizada a participar de todos os processos de aquisição oficiais do Ministério da Saúde da Covaxin (vacina contra o Sars-CoV-2) produzidas pela Bharat Biotech International Limited, negociando preços e condições de pagamento, assim como datas de entrega, e todos os detalhes da operação, formalizando o contrato para nós".


Agência Estado/Dom Total



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