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28/08/2021 | domtotal.com

Caso do voo Rio-Paris: Airbus e Air France serão julgadas por 'homicídio culposo'

O voo AF447, que fazia o trajeto entre o Rio de Janeiro e Paris, caiu no meio do Atlântico em 1º de junho de 2009, deixando 228 mortos

Destroços do voo Rio-Paris da Air France, recuperados no Atlântico, após a queda em junho de 2009
Destroços do voo Rio-Paris da Air France, recuperados no Atlântico, após a queda em junho de 2009 (Handout/AFP)

A companhia aérea francesa Air France e a fabricante europeia Airbus serão julgadas por "homicídio culposo" pela queda do voo Rio-Paris em 2009, que deixou 228 mortos, depois que a justiça francesa considerou improcedentes seus recursos em uma decisão proferida na última quarta-feira (25) e consultada na quinta (26) pela reportagem.

Essa decisão "encerra 12 anos de procedimentos recheados de esperanças, incertezas, humilhações, mas nunca resignação", reagiu Danièle Lamy, presidente da associação francesa Entraide et Solidarité AF447 (número do voo que fazia o trajeto Rio-Paris), em um comunicado.

A fabricante e a companhia aérea tinham apresentado um recurso após o anúncio, em 12 de maio, de que seriam reapresentadas perante um tribunal correcional francês por este acidente. "Toda luz poderá enfim ser lançada sobre (esta) tragédia, a história de uma queda anunciada desde 2008", acrescentou Lamy, que espera "um processo justo, que não esqueça nenhum dos eventuais culpados".

As datas do processo ainda não foram marcadas.

O voo AF447, que fazia o trajeto entre o Rio de Janeiro e Paris, caiu no meio do Atlântico em 1º de junho de 2009. Os pilotos, desorientados por um falha das sondas anemométricas em plena área de instabilidade meteorológica, não conseguiram compensar a perda de altitude do A330, provocando a morte dos 216 passageiros e 12 tripulantes a bordo. Os destroços e as caixas-pretas foram encontrados mais tarde, a cerca de 4 mil metros de profundidade.

Após um processo de 10 anos, os juízes de instrução franceses tinham se pronunciado pelo encerramento do caso em 2019, antecipando que as investigações não permitiram estabelecer "uma infração dolosa da Airbus ou da Air France ligada às falhas de pilotagem na origem do acidente".

A corte de apelações, ao contrário, considerou que a companhia aérea "se absteve de adotar uma formação adaptada e a informação das tripulações que se impunham" em face à falha técnica encontrada, "o que impediu que os pilotos reagissem como necessário", informou uma fonte próxima da investigação.

A Airbus, por sua vez, "subestimou a gravidade das falhas das sondas anemométricas ao não tomar todas as medidas necessárias para informar urgentemente as tripulações e contribuir para formá-las de forma eficaz", avaliou a corte, segundo esta fonte.


AFP/Dom Total



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