Religião

31/08/2021 | domtotal.com

Provai e vede como o Senhor é bom: a catequese como experiência de encontro e relação com Jesus

A catequese não pode ser vista apenas como formação, mas como relação

A catequese é aquela que, apresentando o Senhor e o Evangelho de seu Reino, proporciona e facilita o encontro com Ele
A catequese é aquela que, apresentando o Senhor e o Evangelho de seu Reino, proporciona e facilita o encontro com Ele (Unsplash/Priscilla Du Preez)

Daniel Reis*

Defronte ao mundo secularizado, apressado, tecnicista, consumido pelo consumismo e mergulhado na volatilidade das relações virtuais, o futuro da catequese consiste nisto: conseguir propiciar a experiência do encontro e relação com Jesus. Essa experiência, para que permaneça e frutifique, deve ser proposta de maneira encarnada, visceral, integral, não apenas mental e racionalmente.

O anúncio querigmático-catequético, para que cative e encante, também deve, antes, ser fruto de uma experiência autêntica dos(as) catequistas com a Pessoa de Jesus. Não se aponta o Caminho (Jo 14,6) sem antes ter passado por Ele. Não se propõe uma experiência sem antes a ter experienciado. No caso, corre-se o risco de uma catequese meramente discursiva e ideal, sem o vigor testemunhal.

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Com origem no latim (experientia/experiri), "experiência" significa experimentar, provar. "Provai e vede como o Senhor é bom!" (Sl 34,9), canta o salmista. Fazer provar, escutar, saborear, ver, tocar, experimentar Jesus é a missão da catequese. Experienciar e proporcionar experiência, portanto, é algo que passa pelos sentidos e toca a inteireza do sujeito e da realidade criada.

"Alguém me tocou!" (Lc 8,46), exclamou Jesus em meio à multidão que o comprimia. Numa infinidade de esbarrões, Jesus percebe um toque. Ali se deu uma experiência. Houve ali, naquele toque discreto da mulher de fé notável, um encontro com o Mestre de Nazaré. A catequese é aquela que, apresentando o Senhor e o Evangelho de seu Reino, proporciona e facilita o encontro com Ele. Nesse sentido apontou o papa emérito Bento XVI: "Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo" (Deus caritas est, 1).

Uma catequese meramente doutrinadora, moralizante e dogmática é insuficiente e nada eficiente para promover a experiência do encontro com o Senhor. De nada adianta apregoar o conteúdo da fé sem antes suscitá-la a partir d'Aquele que é seu "autor e iniciador" (Hb 12,2). A catequese, assim, não pode ser vista apenas como formação, mas como relação. Desfiar o catecismo, sem estabelecer uma relação com a Pessoa de Jesus e sua práxis, poderá formar bons católicos, mas dificilmente formará bons cristãos.

A catequese, ao propiciar a experiência do encontro, acompanhará a relação que ali se desenvolverá. Relação que é pessoal, porque Deus se revelou, se mostrou, se deu a conhecer plenamente na Pessoa de Jesus de Nazaré. "Pessoal", no entanto, não se confunde com uma relação individualista, intimista e sentimentalista. "Pessoal" é a relação encarnada no hoje da história, comprometida com a ação sociotransformadora que vise a dignidade e a "vida em abundância" (Jo 10,10) das demais pessoas, a exemplo do que fez a Pessoa de Jesus.

*Daniel Reis é leigo, bacharel em Direito e graduando em Teologia pela PUC Minas. Cursou Especialização em Liturgia pelo Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard e Universidade Salesiana de São Paulo (UNISAL). Assessor da Comissão de Liturgia da Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Membro do Secretariado Arquidiocesano de Liturgia (SAL). Membro do Regional Leste II para a Liturgia, da CNBB. Membro da Associação dos Liturgistas do Brasil (ASLI).



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