Brasil Política

01/09/2021 | domtotal.com

CPI ouve motoboy da VTCLog, empresa que fez contratos suspeitos com o governo

Ivanildo Gonçalves teria realizado saques e depósitos em nome de Roberto Dias, funcionário do Ministério

Ivanildo Gonçalves da Silva vai à Comissão Parlamentar de Inquérito munido de uma decisão do STF que o permite ficar calado e até mesmo não comparecer à sessão
Ivanildo Gonçalves da Silva vai à Comissão Parlamentar de Inquérito munido de uma decisão do STF que o permite ficar calado e até mesmo não comparecer à sessão Foto (Pedro França/Agência Senado)

Atualizada às 12h50

O motoboy Ivanildo Gonçalves confirmou, em depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (1º), que fazia saques e pagamentos em dinheiro para a VTCLog, empresa suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção no Ministério da Saúde.

O nome do motoboy apareceu em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou R$ 4 milhões em saques em espécie para a VTCLog. Informações citadas pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), apontam diversos saques neste ano.

O maior valor individual, conforme depoimento de Gonçalves, foi em torno de R$ 400 mil na agência da Caixa no aeroporto de Brasília. Ele relatou que, quando sobrava dinheiro após os pagamentos, ele devolvia à empresa.

Com o depoimento, a CPI espera confirmar uma parte do esquema de corrupção e identificar quem era responsável pelas operações irregulares. As suspeitas da comissão recaem sobre o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias, que chegou a ser preso quando prestou depoimento à comissão.

De acordo com Gonçalves, a ordem dos saques e pagamentos vinham de Zenaide Sá Reis, responsável pelo setor financeiro da empresa. O motoboy trabalha na VTCLog desde 2009. "O financeiro da empresa me passava os cheques para mim (sic) fazer os saques e aí eu executava", disse o funcionário. "Era na boca do caixa". Ele relatou que, ultimamente, o volume de movimentações teria diminuído.

No início do depoimento, os senadores apontaram contradições na declaração e falta de informações precisas. O motoboy relatou que, após os saques em espécie, pagava boletos e fazia depósitos em contas indicadas em anotações. Ele negou ter entregado dinheiro na mão de outras pessoas ou ter feito transferências entre contas, contrariando uma informação da CPI de que ele entregaria recursos para fornecedores da empresa.

Sessão foi remarcada

Inicialmente, a reunião desta quarta-feira estava marcada para ouvir o advogado Marcos Tolentino, apontado como dono oculto do FIB Bank, empresa usada como avalista no contrato da Covaxin. Tolentino informou que teve um mal súbito e foi internado em um hospital de São Paulo. Senadores levantaram suspeitas em torno da ausência.

Omar Aziz avisou que vai acionar o hospital para solicitar a real condição do advogado. De acordo com o senador, Tolentino teria conversado com um interlocutor às 22h de ontem e estava bem. "Vai fugir hoje, amanhã, mas vai chegar aqui, vai vir", afirmou Aziz na abertura da reunião do colegiado.

Apesar de não constar do Banco Central como uma instituição financeira, a empresa FIB Bank foi garantidora do contrato firmado entre a Precisa Medicamentos e o governo federal na compra da vacina indiana Covaxin, cancelado após entrar na mira da CPI.

Ivanildo Gonçalves da Silva vai à Comissão Parlamentar de Inquérito munido de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o permite ficar calado e até mesmo não comparecer à sessão. Por isso, os senadores preferiram suspender o depoimento na manhã de terça. Contudo, de acordo com Aziz, o motoboy, que prestou serviços à VTCLog aceitou comparecer ao colegiado, sinalizando disposição em colaborar.

Aziz informou que a diretora-executiva da VTCLog, Andréia Lima, ligou para a comissão e se colocou à disposição para prestar esclarecimentos. O senador disse que não pretende condenar e nem julgar ninguém e considerou "salutar a empresa querer dar informações". Em relação ao motoboy Ivanildo, Omar destacou que ele será tratado com respeito e dignidade.

Renan Calheiros (MDB-AL) informou que adicionou novas pessoas à lista de investigados pela CPI. Foram acrescentados os nomes de Cristiano Carvalho, Emanuella Medrades, coronel Hélcio Bruno de Almeida, Luciano Hang, Luiz Paulo Dominguetti Pereira, coronel Marcelo Bento Pires, Regina Célia Silva Oliveira, ministro Onyx Lorenzoni e o deputado Osmar Terra (MDB-RS).

Acompanhe a sessão

VTCLog e movimentação suspeita

Com 400 contratos firmados com o governo federal, 14 só no Ministério da Saúde, a VTCLog tornou-se um dos principais alvos de investigação da CPI. Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que a empresa (operadora logística do segmento fármaco e de saúde) movimentou de forma suspeita R$ 117 milhões nos últimos dois anos.

Nesse documento, o nome do motoboy Ivanildo Gonçalves da Silva é citado várias vezes. Ele teria sacado o montante de R$ 4,7 milhões, sendo a maioria em espécie e na boca do caixa. A CPI já obteve imagens de depósitos feitos pelo motoboy em agências da Caixa e do Bradesco em benefício de Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, apontado como responsável por possibilitar fraudes dentro do órgão.

Atrasos afetam cronograma da CPI

Comentando o adiamento do depoimento de Marcos Tolentino, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, disse que essas "manobras e adiamentos" atrasam as investigações e podem ter impacto na data de apresentação do relatório final. A intenção de Renan, manifestada ontem, é que seu relatório seja apresentado no dia 22 de setembro. Em entrevista, Renan chama o deputado Ricardo Barros (PP-PR) como "articulador desse grande esquema de corrupção".


Agência Estado/Agência Senado/Dom Total



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