Religião

08/09/2021 | domtotal.com

Papa denuncia formas atuais de escravidão, sobretudo a das mulheres

Na catequese dessa quarta, Francisco lembra que ser cristão é superar discriminações

O papa Francisco fala com fiéis após a audiência geral de quarta-feira no Vaticano
O papa Francisco fala com fiéis após a audiência geral de quarta-feira no Vaticano (Tiziana FABI/AFP)

O papa Francisco disse na catequese da audiência pública desta quarta-feira (8) que milhões de pessoas sem direito a comer, à educação, ao trabalho" são sinal da "escravidão que ainda existe hoje".

"São os novos escravos, que estão na periferia, explorados por todos. Ainda hoje há escravidão, pensemos nisto", afirmou o papa na Sala Paulo VI, no Vaticano.

Francisco referiu-se às diferenças entre homens e mulheres, afirmando que ambos "têm a mesma dignidade", condenou expressões de desprezo ao gênero feminino e observou que existe na história de hoje uma "escravidão das mulheres", reconhecendo que elas "não têm as mesmas oportunidades que os homens".

"Quantas vezes ouvimos expressões de desprezo às mulheres. Quantas vezes ouvimos 'mas não faça nada, é um assunto de mulher'", declarou o papa. "Os homens e as mulheres têm, no entanto, a mesma dignidade, mas há na história, e ainda hoje, uma escravidão da mulher. As mulheres não têm as mesmas oportunidades que os homens", concluiu Francisco em seu comentário sobre a igualdade diante de Deus de todos os batizados.

Na catequese sobre o tema 'Somos filhos de Deus', o papa afirmou que "as diferenças e os contrastes" que criam separação "não deveriam existir".

"As diferenças e os contrastes que criam separação não deveriam existir entre os fiéis em Cristo. Pelo contrário, a nossa vocação é tornar concreta e evidente o chamamento à unidade de toda a raça humana", afirmou Francisco na Sala Paulo VI, no Vaticano.

Na audiência pública semanal desta quarta-feira o papa continuou a desenvolver o ciclo dedicado à Carta de São Paulo aos Gálatas, onde o apóstolo afirma a profunda unidade que existe entre todos os batizados, qualquer que seja a sua condição.

"A nossa vocação é tornar concreta e evidente o chamamento à unidade de toda a raça humana. Tudo o que exacerba as diferenças entre as pessoas, muitas vezes causando discriminação, tudo isto, perante Deus, já não tem qualquer substância, graças à salvação realizada em Cristo", desenvolveu.

O papa definiu como audaciosas, chocantes e revolucionárias as afirmações de São Paulo, uma vez que pelo batismo, a filiação divina prevalece sobre as diferenças culturais, sociais e religiosas: "Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher".

'Somos filhos de Deus' foi o tema da catequese desta quarta, e o papa alertou que os cristãos dão, "frequentemente, por certa esta realidade de ser filhos de Deus".

"Pelo contrário, é bom recordar sempre com gratidão o momento do nosso batismo, para viver com maior consciência o grande dom recebido", acrescentou na catequese da audiência geral desta quarta-feira.

Francisco realçou a importância de saber a data de batismo e recordá-la todos os anos: "Se eu perguntasse quem sabe a data do batismo, creio que poucos levantariam a mão", acrescentou, recomendando que os fiéis celebrem esta memória.

Saudações aos brasileiros e demais

No final da audiência, ao saudar os fiéis de língua portuguesa, o papa lembrou que os batizados foram "santificados no nome da Santíssima Trindade": "Peçamos a graça de poder viver os nossos compromissos batismais como verdadeiros imitadores de Jesus, o Filho de Deus, guiados pelo Espírito Santo, para a glória do Pai. Obrigado". Ele também se dirigiu de modo especial aos brasileiros residentes em Roma:

"Dirijo uma cordial saudação aos fiéis de língua portuguesa, particularmente à Comunidade brasileira 'Nossa Senhora Aparecida' em Roma. Queridos amigos, no batismo fomos santificados no nome da Santíssima Trindade. Peçamos a graça de poder viver os nossos compromissos batismais como verdadeiros imitadores de Jesus, o Filho de Deus, guiados pelo Espírito Santo, para a glória do Pai. Obrigado".

Francisco, nas saudações aos diversos grupos linguísticos, apelou para que na Etiópia seja o tempo da solidariedade, recordando a grave situação humanitária no país africano, e lembrou que Cuba celebra hoje a sua padroeira, Nossa Senhora da Caridade do Cobre. "Quero apresentar novamente aos pés da Virgem da Caridade a vida, os sonhos, as esperanças e dores do povo de Cuba. Onde quer que haja hoje um cubano, que experimente a ternura de Maria, e que Ela conduza a todos a Cristo, o Salvador", disse o pontífice.


AFP/ Vatican News/ Dom Total/ Ecclesia



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