Economia

09/09/2021 | domtotal.com

Tensão política acentuada por falas de Bolsonaro assusta mercado e ameaça PIB de 2022

Até projeção de crescimento de 1,5% para a economia no ano que vem é acompanhada de viés negativo; economistas afirmam que instabilidade deve deteriorar ainda mais as previsões para a inflação

Disputa eleitoral de 2022 e as incertezas geradas por ela ganharam importância na formação dos preços dos ativos brasileiros.
Disputa eleitoral de 2022 e as incertezas geradas por ela ganharam importância na formação dos preços dos ativos brasileiros. Foto (Marcos Corrêa/PR)

A nova crise deflagrada pela elevação do tom do presidente Jair Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal (STF) durante as manifestações do 7 de Setembro e sua repercussão no ambiente político não deve ficar restrita ao mercado financeiro - na quarta (8), a Bolsa caiu 3,8% e o dólar subiu 2,89%. Com o aumento das incertezas, a atividade econômica e a inflação devem se deteriorar ainda mais, de acordo com economistas.

“Os eventos (de terça-feira) colocam na mesa o risco de que Bolsonaro não termine o mandato, seja via impeachment seja por meio de uma cassação. Quando isso entra no radar, as incertezas são maiores, e isso pesa na economia, nas decisões de consumo e de investimento”, diz a economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria.

Esse cenário mais incerto está fazendo a economista rever sua estimativa de alta do PIB de 2022 de 2,2% para 1,8%. Alessandra afirma que há a possibilidade de esse crescimento ser ainda menor. “Há também o risco em relação ao resultado eleitoral, especialmente se Bolsonaro não for vencedor. Aí, podemos ter uma transição de poder que não seja pacífica. Isso traz mais incerteza e torna o ambiente mais difícil para a economia.”

Para o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, as manifestações de 7 de Setembro fizeram com que a disputa eleitoral de 2022 e as incertezas geradas por ela ganhassem importância na formação dos preços dos ativos brasileiros. Com isso, a instabilidade no mercado começa mais cedo do que o esperado para um período eleitoral e o prêmio de risco também sobe.

“Isso torna muito pouco provável que os preços convirjam para o patamar que faria sentido de acordo com os fundamentos (da economia). Um valor justo para a Bolsa hoje, por exemplo, seria de 130 mil pontos, e, para o dólar, R$ 4,70”, diz Padovani.

De acordo com ele, a deterioração financeira vai elevar o custo do crédito, o que afetará negativamente a economia. Para este ano, Padovani ainda projeta uma alta de 5,3% no PIB, dado que a reabertura da economia vai compensar as incertezas, mas, para 2022, a estimativa é de 1,8%, com viés negativo.

A economista Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia, da FGV (FGV Ibre), também afirma que sua projeção de 1,5% de PIB para 2022 tem viés negativo. “Poderíamos estar comemorando os resultados da abertura da economia. Mas o cenário agora é de muita incerteza. Isso prejudica investimentos, emprego formal, crédito. Muitas decisões de investimentos vão ficar para depois das eleições.”

Silvia diz que o único alento poderá vir do Congresso. Para ela, diante da crise, deputados e senadores podem tentar, nos próximos meses, avançar em alguma reforma econômica. "Se a economia for muito mal, talvez haja mais pressão para o Congresso ter protagonismo."

Instabilidade política afasta investidores estrangeiros

A agitação política no Brasil tem tomado as redes sociais, as ruas e na economia. Por conta do tom de ameaça às instituições, somado aos 136 pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro já entregues à Câmara dos Deputados, a instabilidade política nacional é uma realidade. Para especialistas, o crescimento do chamado risco Brasil deve afastar investidores estrangeiros.

Na quarta (8), após o feriado nacional do Dia da Independência, o Ibovespa respondeu negativamente às manifestações políticas que reuniram apoiadores do governo federal em diferentes cidades. A Bolsa fechou em queda de de 3,78%, enquanto o dólar à vista saltou 2,84%, para R$ 5,32, a maior valorização percentual diária desde 24 de junho de 2020. O mercado internacional também operou em baixa. O S&P 500 e o Nasdaq encerraram o pregão com baixas de 0,13% e 0,57%, respectivamente. O Dow Jones caiu 0,20%

Para analistas, a falta de prioridades relevantes do Executivo e os desentendimentos institucionais não são favoráveis ao mercado. “Não dá mais para chamar o momento atual de instabilidade política. A instabilidade seria uma exceção, mas já virou padrão”, afirma Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. “A falta de harmonia entre os poderes é uma sinalização negativa para os investidores estrangeiros”.


Agência Estado



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!



Outras Notícias

Não há outras notícias com as tags relacionadas.