Meio Ambiente

09/09/2021 | domtotal.com

Amazônia perdeu cerca de 44 milhões de hectares para agropecuária em 35 anos

Maior parte da área convertida se transformou em pasto, revela levantamento do MapBiomas

Dos 44 milhões desmatados entre 1985-2020, 99% foi convertido para uso agropecuário
Dos 44 milhões desmatados entre 1985-2020, 99% foi convertido para uso agropecuário (Marcio Isensee e Sá)

Cristiane Prizibisczki

O Eco

Entre os anos de 1985 e 2020, a perda líquida de vegetação no bioma Amazônico – balanço entre perda por desmatamento e ganho com regeneração – foi de 44,5 milhões de hectares, extensão equivalente a cerca de nove vezes a área do estado do Rio de Janeiro. Do total desmatado, 99% foi convertido para uso agropecuário, revela levantamento realizado pelo MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira (8). Os dados fazem parte da série Brasil Revelado 1985-2020, produzido pelo MapBiomas em parceria com Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, com participação de instituições de pesquisa, empresas de tecnologia, universidades e organizações não-governamentais

Segundo o levantamento, da área total de vegetação perdida, 38 milhões de hectares (86,3%) se transformaram em pasto, enquanto seis milhões de hectares (13,6%) foram usados na agricultura.

Quando considerado o acumulado no período, o Pará encabeça a lista de estados com maior redução de áreas florestais, com perda de 15,4 milhões de hectares entre 1985 e 2020. O Mato Grosso ficou em segundo lugar, com acumulado de 13,7 milhões de ha desmatados, seguido por Rondônia, com perda de 6,7 milhões de hectares.

Amazônia mais seca e urbanizada

O levantamento também revelou que, em 20 anos (de 1999 a 2020), a Amazônia perdeu 19.569 quilômetros quadrados de superfície de água, o que representa uma redução de 16,4%.

“Os dados indicam uma tendência de seca na Amazônia, principalmente nas áreas de várzea. A perda de floresta está relacionada, porque afeta o ciclo hidrológico”, explica Luis Oliveira Junior, pesquisador assistente do Imazon e um dos responsáveis pelos dados sobre a Amazônia.

O estado que mais perdeu superfície de água em 25 anos foi Roraima, que registrou redução de 58%, ou 3.528 quilômetros quadrados perdidos.

No geral, Amazonas e Pará respondem por 82,5 do total de superfície de água no bioma amazônico.

Entre 1985 e 2020, a expansão total das áreas urbanas na Amazônia foi de 236 mil hectares, sendo o Pará responsável por 1/3 das novas áreas urbanizadas no bioma (34%). Atualmente, o bioma acumula 395 mil hectares de áreas urbanizadas.

Mineração na Amazônia

Segundo o levantamento do Mapbiomas, entre 1985 e 2020, as áreas voltadas para mineração no bioma cresceram 134 mil hectares, sendo a maior parte delas no Pará (102 mil hectares).

Da área total utilizada para mineração, 67%  são áreas de garimpos e 33% é mineração industrial.

O relatório também mostrou que 81% do território da Amazônia permaneceu estável durante a série histórica, sendo 90% áreas classificadas como “formação florestal”. No entanto, isso não significa que essas florestas estão intactas. “Mesmo não tendo mudado de classe, essas florestas sofrem pressão, sofrem degradação por fogo e degradação madeireira, e parte dessas áreas são florestas secundárias, que já foram desmatadas alguma vez”, diz Luis Oliveira.

Os dados do MapBiomas foram levantados a partir da análise e processamento de todas as imagens do satélite Landsat, da Nasa, disponíveis em 36 anos. O trabalhou contou com o esforço colaborativo de mais de 100 pesquisadores de universidades, ongs e empresas de tecnologia no Brasil. A série Brasil Revelado traz informações anuais sobre 25 classes de cobertura e uso do solo entre 1985 e 2020 para todos os biomas brasileiros.

Texto publicado originamente por Oeco.org.br.


O Eco



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