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11/09/2021 | domtotal.com

11 de Setembro: americanos prestam homenagem aos quase 3 mil mortos

Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, presidiu a homenagem ao lado de antecessores, incluindo Barack Obama e Bill Clinton

Joe Biden, ao lado de Bill Clinton e Barack Obama no memorial das vítimas
Joe Biden, ao lado de Bill Clinton e Barack Obama no memorial das vítimas Foto (AFP Photo)
Rosas vermelhas colocadas junto aos nomes das vítimas dos ataques de 11 de Setembro de 2001, durante cerimônia no Marco Zero, em 11 de setembro de 2021
Rosas vermelhas colocadas junto aos nomes das vítimas dos ataques de 11 de Setembro de 2001, durante cerimônia no Marco Zero, em 11 de setembro de 2021 Foto (Anthony Behar/AFP)

Os Estados Unidos marcam, neste sábado (11), o vigésimo aniversário do 11 de Setembro, com cerimônias para homenagear os cerca de 3 mil mortos nos ataques da Al-Qaeda, em uma atmosfera tensa pela caótica retirada americana do Afeganistão.

Um minuto de silêncio foi observado às 8h46 (9h46 de Brasília) no memorial de Manhattan (Nova York), onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center (WTC), exatamente vinte anos após o primeiro avião sequestrado pelos terroristas ter atingido a Torre Norte.

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, presidiu a homenagem aos 2.977 mortos (incluindo 2.753 em Nova York) no "Marco Zero" ao lado de antecessores, incluindo Barack Obama e Bill Clinton.

Em duas décadas, o tempo de uma geração, os ataques terroristas mais mortais da História agora estão bem ancorados na história política e na memória coletiva dos Estados Unidos, mas a dor das famílias das vítimas e sobreviventes continua extremamente viva.

 Pearl Harbor

Mais cinco minutos de silêncio e homenagens musicais se seguirão até as 12h30 (13h30 de Brasília) para marcar a trágica manhã daquela terça-feira de 11 de setembro de 2001: o colapso das torres de Nova York, o ataque ao Pentágono perto de Washington e a queda de um dos aviões em Shanksville, Pensilvânia.

Como todo 11 de setembro, durante três horas, os nomes das quase 3.000 vítimas serão lidos no memorial de Nova York. Enormes feixes de luz verticais saem das duas enormes bacias pretas que substituíram a base das torres.

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Na Times Square, no centro de Manhattan, coração econômico da maior potência mundial, onde tradicionalmente se comemora as vitórias do país, também estão previstos uma mobilização e momentos de contemplação.

Todo americano, vítima ou testemunha do 11 de Setembro, se prepara para homenagear um ente querido perdido.

Frank Siller foi mais longe. Irmão de um bombeiro do Brooklyn que morreu no WTC, ele "caminhou 537 milhas (864 km entre Washington e Nova York) do Pentágono, em Shanksville, até o Marco Zero", e está levantando fundos para apoiar as famílias das vítimas.

"A América nunca se esqueceu de Pearl Harbor, e nunca se esquecerá do 11 de Setembro", disse Siller à AFP.

De fato, segundo pesquisadores, o cataclismo do 11 de Setembro mudou a sociedade e a política americanas e, em uma geração, tornou-se um capítulo da história inscrito na memória do país. Como Pearl Harbor, o Desembarque na Normandia ou o assassinato do presidente Kennedy.

Este aniversário do 11 de Setembro, Joe Biden, de 78 anos, sem dúvida preparou muitas vezes desde sua vitória em novembro contra Donald Trump, a quem acusou de ter enfraquecido e fragmentado os Estados Unidos.

Em uma mensagem de vídeo transmitida na sexta-feira à noite, o presidente democrata pediu "união, nossa maior força".

Mas depois de oito meses no cargo, ele é amplamente criticado pelo desastre do fim da intervenção militar no Afeganistão, com Washington sendo pego de surpresa pelo avanço meteórico do Talibã.

Em 20 anos, os Estados Unidos perderam 2.500 soldados e gastaram mais de US $ 2 trilhões no Afeganistão.

No final de agosto, abandonaram o país às mãos dos fundamentalistas islâmicos que haviam expulsado de Cabul no final de 2001, acusando-os de abrigar o líder da Al-Qaeda Osama bin Laden, que finalmente foi morto em 2011 no Paquistão.

 Geração 11 de Setembro

E o ataque de 26 de agosto, reivindicado pelo braço afegão do grupo Estado Islâmico, que matou 13 jovens soldados americanos no aeroporto de Cabul - em meio a uma operação de evacuação - revoltou parte da opinião pública.

Esses jovens militares eram, em sua maioria, crianças em 11 de setembro de 2001.

A morte deles é um lembrete de uma dolorosa cicatriz nos Estados Unidos: entre a memória ainda viva para dezenas de milhões de adultos americanos e uma consciência histórica mais parcial para os jovens nascidos desde os anos 1990.

É "importante que saibam o que aconteceu naquele dia, porque há toda uma geração que não entende bem", defende Monica Iken-Murphy, viúva de um operador do mercado financeiro que trabalhava na Torre Sul do WTC.

A rainha Elizabeth II prestou homenagem neste sábado às vítimas do 11 de Setembro, bem como à "resistência e determinação das comunidades que se uniram para reconstruir" após os ataques.

Nova York

Biden chegou ao lado da mulher e acompanhado dos ex-presidentes Barack Obama e Bill Clinton  para a cerimônia do Marco Zero. O casal presidencial segiu pouco depois para a Pensilvânia e deve ir ao Pentágono, onde também prestarão homenagens às vítimas. 

Torres Gêmeas
Luzes são projetadas do ponto onde ficavam as torres do World Trade Center, em homenagem às vítimas dos ataques terroristas de 11 de setembro, em Nova York.  Foto: Ed Jones/AFP

O Marco Zero de Manhattan, onde ficavam as Torres Gêmeas, se tornou um local de peregrinação e homenagem aos mortos. Os dois edifícios foram substituídos por um monumento, uma imensa fonte com formato de piscina cujas paredes funcionam como cascatas e têm os nomes gravados das 2.753 vítimas de Nova York.

A homenagem em Nova York começou com a chegada da bandeira americana, como foi feito em outros anos. Pessoas seguravam cartazes com a fotografia de algumas das vítimas do ataque ao World Trade Center. Um minuto de silêncio foi feito às 9h46 (horário de Brasília, 8h46 em Nova York), marcando o momento do impacto do primeiro avião contra a Torre Norte do complexo.

Em seguida, como ocorre todo ano, começou a leitura dos nomes das 2.977 pessoas que morreram nos ataques. Às 10h03 (9h03 em Nova York), outro minuto de silêncio foi feito para marcar o momento em que o segundo avião atingiu a Torre Sul do complexo. Em seguida, Bruce Springsteen, cantou uma música em homenagem às vítimas. 

De um lado, no museu memorial do 11/9 estão expostos um pedaço da escada por onde alguns sobreviventes conseguiram escapar, pedaços do muro dos edifícios transformados em uma massa de escombros, vigas de aço retorcidas pelo calor do fogo provocado pelo impacto dos aviões carregados de combustível, fotografias das vítimas e a reconstituição com imagens do que foi aquele dia que deixou mais de dois bilhões de pessoas no mundo grudadas diante das TVs, rádios ou telas de computadores.

Em Arlington, onde fica o Pentágono, às 10h37 (9h37, pelo horário local) mais um minuto de silêncio foi feito. Há vinte anos, neste horário, o terceiro avião se chocava, desta vez contra a sede do Departamento de Defesa americano.

O chefe do Estado Maior Conjunto dos EUA, Mark Milley, fez um discurso em Arlington ressaltando os valores americanos de liberdade e igualdade e como eles são alvos de terroristas. "O 11 de setembro tentou nos destruir, mas nos unimos novamente em esperança...choramos pelos que caíram e celebramos a vida deles...desde aquele dia, há 20 anos, homens e mulheres das Forças Armadas lutam para combater o terrorismo", afirmou.

Milley lembrou a retirada das tropas americanas do Afeganistão e citou os 13 militares americanos mortos em meio à retirada acelerada de Cabul, quando operações eram realizadas no aeroporto. Por volta de 10h45 (9h45 em Nova York), a comitiva do presidente Biden deixou o Marco Zero e foi para a Pensilvânia.

Momento político

Biden chega neste 11 de setembro enfraquecido pelo final caótico da guerra no Afeganistão, iniciada em represália justamente aos ataques executados pela Al-Qaeda há 20 anos. O presidente americano pretendia marcar simbolicamente o 20º aniversário dos ataques com a retirada das tropas americanas do Afeganistão.

Porém, a guerra no Afeganistão terminou em meio ao caos e os Estados Unidos foram pegos de surpresa pelo rápido avanço dos taleban, com 13 militares americanos mortos em meio à retirada acelerada de Cabul, em um ataque do Estado Islâmico Khorasan. 


AFP, AE e DomTotal



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