Meio Ambiente

13/09/2021 | domtotal.com

Projeção alerta que mudanças climáticas podem deslocar 216 milhões até 2050

Relatório Groundswell do Banco Mundial prevê grande impacto do clima nas migrações

Relatório afirma que medidas urgentes devem ser tomadas para evitar catástrofe humanitária
Relatório afirma que medidas urgentes devem ser tomadas para evitar catástrofe humanitária (Asian Development Bank)

A mudança climática pode forçar 216 milhões de pessoas a migrar dentro de seus próprios países até 2050, incluindo 17 milhões na América Latina. O potencial cada vez mais potente da crise do clima sobre a migração foi apontado pelo relatório Groundswell, atualizado e publicado pelo Banco Mundial nesta segunda-feira (13).

Em 2018, a previsão era de que 143 milhões de pessoas migrariam internamente no Sul Asiático, na América Latina e na África Subsaariana. Agora, a região do Pacífico, Leste e Centro da Ásia o Norte da África e a Europa Central foram incorporados ao estudo. A escassez de água, o declínio da produção agrícola e o aumento do nível do mar podem causar o deslocamento de pessoas já em 2030, disse o órgão de empréstimo multilateral com sede em Washington.

A escala de migração pode ser reduzida em até 80%, a 44 milhões de pessoas até 2050, desde que ações imediatas e certeiras sejam tomadas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, afirma o Banco Mundial. Apoio ao desenvolvimento "verde, inclusivo e resiliente" também é necessário. Segundo a publicação, pontos críticos de migração podem surgir já em 2030 e aumentar ao longo de duas décadas.

Até 2050, no pior dos cenários, a África Subsaariana lidaria com 86 milhões de migrantes internos por causa do clima. O Leste e Pacífico Asiático, com 49 milhões; o Sul Asiático, com 40 milhões; o Norte da África, com 18 milhões; a América Latina, com 17 milhões; e a Europa Oriental e a Ásia Central, com 5 milhões.

A população mais pobre do mundo é a mais atingida pelas consequências da crise e as que menos contribuem para suas causas, relembra o vice-presidente de Desenvolvimento Sustentável do Banco Mundial, Juergen Voegele. "O relatório Groundswell é um lembrete gritante do aspecto humano da mudança climática", disse. Mas "esta projeção não está gravada em pedra", disse o responsável.

"Se os países começarem agora a reduzir os gases do efeito estufa, fechando as lacunas de desenvolvimento, restaurando ecossistemas vitais e ajudando as pessoas a se adaptarem, a migração climática interna poderia ser reduzida em até 80%, para 44 milhões de pessoas até 2050", explicou.

No entanto, enfatizou que, sem uma ação decisiva, pode haver "pontos críticos" de migração climática que "surgirão já na próxima década e se intensificarão até 2050, à medida que as pessoas deixam lugares onde não podem mais habitar e vão para áreas que oferecerem oportunidades".

Essa tendência pode ter implicações importantes para os países anfitriões, que muitas vezes não estão preparados para lidar com esses fluxos migratórios. "A trajetória da migração climática interna no próximo meio século depende de nossa ação coletiva sobre a mudança climática e o desenvolvimento nos próximos anos", disse Voegele.

Ele ainda pontuou que, desde a versão anterior do estudo, o mundo foi impactado pela pandemia da Covid-19 e reverteu um progresso de décadas na redução da pobreza. Além disso, a década mais quente já registrada acaba de ser vivenciada, com eventos de clima extremo ao redor do globo.


Agência Estado/AFP/Dom Total



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