Religião

14/09/2021 | domtotal.com

Papa vai ao encontro dos ciganos em uma das regiões europeias de maior pobreza

Roteiro do dia na Eslováquia engloba missa bizantina e encontro com jovens

Papa Francisco saúda fiéis em Presov, perto de Kosice, na Eslováquia, em 14 de setembro de 2021
Papa Francisco saúda fiéis em Presov, perto de Kosice, na Eslováquia, em 14 de setembro de 2021 (Tiziana Fabi/AFP)

O papa Francisco se reúne nesta terça-feira (14) com membros da minoria romani, de cerca de 400 mil membros na Eslováquia, durante sua visita ao deteriorado bairro Lunik IX em Kosice, no leste do país.

O sumo pontífice argentino iniciou sua jornada na cidade de Presov, a 40 quilômetros de Kosice, onde celebrou uma missa segundo o rito bizantino. Cerca de 30 mil fiéis participaram do evento, acenado para Francisco em sua passagem no papamóvel.

Esta é a primeira viagem ao exterior de Francisco, de 84 anos, desde sua cirurgia de cólon no início de julho. Até agora, segue com boa saúde.

Nas semanas que antecederam a visita, as autoridades municipais limparam o bairro e consertaram a estrada que leva até ele.

Quase 20% dos ciganos da Eslováquia vivem em extrema pobreza, em mais de 600 favelas, especialmente no sul e no leste deste país da zona do euro de 5,4 milhões de habitantes.

A região leste da Eslováquia é uma das áreas de menor PIB per capita da União Europeia.

Os ciganos são considerados a minoria étnica mais populosa do continente, com grandes comunidades vivendo na Europa Central e Oriental.

Segundo historiadores, meio milhão de romanis foram mortos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, o que equivale a 25% da população.

Hoje, no final do dia, o papa Francisco se reunirá com os jovens em um estádio Lokomotiva, em Kosice, depois do qual segue de novo para Bratislava.

Francisco termina a sua viagem à Eslováquia na quarta-feira com uma missa no Santuário Nacional de Šaštin, antes de partir de volta para Roma, onde chega às 14h30, hora de Portugal continental.

Missa em rito bizantino

O papa Francisco recordou esta manhã na Eslováquia os muitos católicos bizantinos que foram perseguidos ou deram mesmo a vida por amor a Cristo.

Francisco celebrou em Presov, perto de Košice, uma Divina Liturgia em rito bizantino, usado pela Igreja Greco-Católica da Eslováquia, que tem forte presença no leste daquele país.

Todos os cristãos sofreram durante o regime comunista, mas os católicos bizantinos, pela sua proximidade litúrgica e cultural com os ortodoxos, foram perseguidos com particular dureza, unidos forçosamente às Igrejas Ortodoxas locais, ou diretamente ao Patriarcado de Moscou, e obrigados a abandonar a comunhão com Roma. Os padres e bispos que recusaram foram presos e muitos morreram encarcerados.

"Penso nos mártires que deram testemunho do amor de Cristo nesta nação em tempos muito difíceis, quando tudo aconselhava a ficar calado, pôr-se a seguro, não professar a fé. Mas não podiam deixar de testemunhar. Quantas pessoas generosas sofreram e morreram aqui, na Eslováquia, por causa do nome de Jesus! Um testemunho prestado por amor Àquele que tinham contemplado longamente, até ao ponto de se assemelharem a Ele, inclusive na morte", disse Francisco.

Esta terça-feira a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz, tanto no calendário litúrgico ocidental como oriental, e Francisco fez da Cruz e do seu significado o centro de reflexão na sua homilia, alertando contra a sua utilização como símbolo social ou político.

"Como podemos aprender a ver a glória na cruz? Alguns santos ensinaram que a cruz é como um livro que, para o conhecer, é preciso abri-lo e ler. Não basta comprar um livro, dar-lhe uma vista de olhos e expô-lo em casa. O mesmo vale para a cruz: está pintada ou esculpida em cada canto das nossas igrejas. Incontáveis são os crucifixos: ao pescoço, em casa, no carro, no bolso. Mas isso de nada nos aproveita, se não nos detivermos a olhar o Crucificado e não Lhe abrirmos o coração, se não nos deixarmos impressionar pelas suas chagas abertas por nós, se o coração não se comover e chorarmos diante de Deus ferido de amor por nós".

"Se não fizermos assim, a cruz permanece um livro não lido, cujo título e autor são bem conhecidos, mas que não influencia a vida. Não reduzamos a cruz a um objeto de devoção, e menos ainda a um símbolo político, a um sinal de relevância religiosa e social".

Uma vida centrada na contemplação da Cruz leva a uma atitude evangélica, sublinhou Francisco. "A cruz não quer ser uma bandeira elevada ao alto, mas a fonte pura duma maneira nova de viver. Qual? A do Evangelho, a das Bem-aventuranças".

 "A testemunha que tem a cruz no coração, e não apenas ao pescoço, não vê ninguém como inimigo, mas vê a todos como irmãos e irmãs por quem Jesus deu a vida. A testemunha da cruz não recorda as injustiças do passado nem se lamenta do presente. A testemunha da cruz não usa as vias do engano e do poder mundano: não quer impor-se a si mesmo e os seus, mas dar a sua vida pelos outros. Não busca o próprio proveito, e logo se mostra piedoso: seria uma religião da duplicidade, não o testemunho do Deus crucificado. A testemunha da cruz segue uma única estratégia que é a do Mestre: o amor humilde. Não espera triunfos aqui na terra, porque sabe que o amor de Cristo é fecundo na vida quotidiana, fazendo novas todas as coisas a partir de dentro, como uma semente caída na terra, que morre e dá fruto".


AFP/Rádio Renascença/Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!