Cultura Teatro

14/09/2021 | domtotal.com

Teatro Municipal de Santiago reabre para despedida de grande bailarina brasileira

Andreza Randisek se apresenta após 24 anos como principal figura do balé chileno

A brasileira Andreza Randisek, primeira bailarina do Balé do Chile, ensaia a que será sua última apresentação no Teatro Municipal de Santiago
A brasileira Andreza Randisek, primeira bailarina do Balé do Chile, ensaia a que será sua última apresentação no Teatro Municipal de Santiago (Martin Bernetti/AFP)

A pandemia cancelou em 2020 a despedida da brasileira Andreza Randisek após 24 anos como a principal figura do balé chileno. Agora, com a situação mais controlada, o Teatro Municipal de Santiago, o principal do país, reabrirá suas portas e ela poderá fazer sua última apresentação. Graças a seu bom preparo físico e treinamento disciplinado, a bailarina estrela do Balé de Santiago conseguiu estender sua carreira até os 45 anos.

No começo de 2020, Randisek ia se aposentar apresentando o balé Carmen, uma coreografia criada pela exímia bailarina brasileira e ex-diretora do balé chileno Marcia Haydée, uma adaptação da famosa ópera homônima de Bizet. Mas a chegada da pandemia ao Chile, em março, forçou o fechamento desta sala emblemática, inaugurada em 1857, e sua apresentação foi cancelada.

"A Covid me deixou a cicatriz de pena por não poder ter feito o balé que estava programado para minha aposentadoria", disse Randisek.

Dezessete meses depois, o teatro vai retomar suas funções nesta quarta-feira, graças ao recuo da Covid-19 no Chile, que registra menos de mil novos casos diários há semanas.

Na reestreia, a bailaria se despedirá com uma atuação mais reduzida: um Pas de deux (um dueto), parte do Balé de Carmen que ela ia apresentar. "É muito paradoxal que eu volte para ir embora. Eu tinha sonhado me aposentar com um balé completo, mas estou sendo abençoada por poder pisar no palco de novo para ir embora", afirma Randisek, que espera se dedicar ao ensino da dança.

"Não sabemos o que vai acontecer depois e nos pareceu que era o momento de fazê-lo", afirma, por sua vez, Luis Ortigoza, diretor artístico do Balé de Santiago.

O programa de balé se denominará Trilogia +1 e incluirá outras três apresentações: o Réquiem para uma rosa, da coreógrafa belga-colombiana Annabelle López Ochoa; Três prelúdios, do coreógrafo britânico Ben Stevenson; e A 5ª, de Esdras Hernández, com a Orquestra Filarmônica de Santiago.

O teatro reduziu sua lotação a 500 espectadores - de um total de 1,5 mil - e para entrar será exigido um certificado de vacinação contra a Covid-19 e máscara.

A arte de curar

Este recuo da pandemia tem muito a ver com o acelerado processo de vacinação no Chile, que começou maciçamente em 3 de fevereiro, e que sete meses depois tem 13 milhões de seus 19 milhões de habitantes com o esquema de imunização completo.

Graças a isto os torcedores também vão voltar aos estádios e os espectadores aos shows e ao cinema, embora com capacidade reduzida e uso obrigatório de máscaras. Também foi permitida a reabertura de centros culturais, pubs com música ao vivo e apresentações de humoristas.

"A arte não é só beleza, é muito importante para as pessoas tendo estado trancadas poder participar de um momento artístico; a arte é um dos grandes curadores", diz Marcela Goicoechea, professora do Balé de Santiago.

Goicoechea conta que para suas bailarinos, a pandemia foi complexa. Tiveram que ensaiar por videoconferência e redes sociais, em espaços pequenos, apoiados em cadeiras ou mesas em suas casas, dificultando seus trabalhos. "Depois de 17 meses em casa, estar de volta é uma sensação deliciosa", afirma o bailarino Cristopher Montenegro.


AFP/Dom Total



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