Brasil Política

15/09/2021 | domtotal.com

Suposto lobista da Precisa Medicamentos, Marcony Faria é ouvido na CPI da Covid

Mensagens trocadas entre Marconny e ex-secretário da Anvisa revelam processo de contratação de testes de Covid entre o MS e a Precisa

Marconny Faria foi de ativista anticorrupção a investigado pelo colegiado; nesta quarta-feira (15) ele é ouvido na CPI da Covid
Marconny Faria foi de ativista anticorrupção a investigado pelo colegiado; nesta quarta-feira (15) ele é ouvido na CPI da Covid (Pedro França/Agência Senado)

A CPI da Covid abriu na manhã desta quarta-feira (15) a reunião em que será ouvido Marconny Nunes Ribeiro Albernaz de Faria. A comissão apura se ele teria feito lobby no Ministério da Saúde para favorecer algumas empresas, como a Precisa Medicamentos. Como mostrou o jornal O Estado de S. Paulo, o bacharel em Direito foi de ativista anticorrupção a investigado pelo colegiado.

A investigação da CPI começou após o Ministério Público Federal no Pará compartilhar o conteúdo de seu celular, apreendido na Operação Hospedeiro, com os senadores.

A CPI teve acesso a mensagens trocadas entre Marconny e o ex-secretário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) José Ricardo Santana, que prestou depoimento à comissão em 26 de agosto. Na conversa, Santana menciona que conheceu o suposto lobista da Precisa na casa da advogada do presidente Jair Bolsonaro, Karina Kufa.

Segundo os senadores, Santana e Marconny teriam conversado sobre o processo de contratação de 12 milhões de testes de Covid-19 entre o Ministério da Saúde e a Precisa. Uma das mensagens trocadas aponta que "um senador" poderia ajudar a "desatar o nó" do processo.

Acompanhe a sessão

O requerimento de convocação do advogado é de autoria do vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que cita as mensagens e diz que o conteúdo reforça a existência de um "mercado interno no Ministério da Saúde que busca facilitar compras públicas e beneficiar empresas, assim como o poder de influência da empresa Precisa Medicamentos antes da negociação da vacina Covaxin".

A comissão identificou mensagens trocadas por Faria com Jair Renan Bolsonaro, quarto filho do presidente; com as advogadas Ana Cristina Valle, mãe de Jair Renan e segunda ex-mulher de Bolsonaro; a advogada Karina Kufa, que defende o presidente; e com o dono da Precisa, Francisco Maximiano. As conversas mostram que, em setembro de 2020, o lobista ajudou Jair Renan a montar sua empresa de eventos.

Adiamento e condução coercitiva

Inicialmente, o depoimento de Marconny estava marcado para 2 de setembro, mas ele apresentou um atestado médico para não comparecer perante os senadores, sob a alegação de estar com "dor pélvica". O atestado acabou sendo anulado pelo próprio médico que o concedeu.

Marconny chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para não depor, mas o pedido foi negado. Caso não comparecesse à sessão sem justificativa, ele poderia ser conduzido coercitivamente à CPI, de acordo com decisão da juíza Pollyanna Kelly Martins Alves, que deferiu o pedido feito pela comissão. Ainda que seja obrigado a depor, ele pode ficar em silêncio para não produzir provas contra si. O habeas corpus foi concedido no início do mês pela ministra Cármen Lúcia, do STF.

O Ministério da Saúde fechou contrato com a Precisa, intermediária da fabricante indiana Bharat Biotech, para aquisição de 20 milhões de doses da Covaxin por R$ 1,6 bilhão. O governo chegou a empenhar recursos (reservar formalmente o valor na previsão de pagamentos), mas acabou cancelando a compra após a revelação de "pressões atípicas" para dar andamento ao contrato, e o negócio entrar no foco da CPI.

A Controladoria-Geral da União abriu processo contra a Precisa por fraude e comportamento inidôneo. A farmacêutica indiana também é alvo da CGU. Por recomendação da controladoria, o Ministério da Saúde cancelou o contrato.


Agência Estado/Dom Total



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