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17/09/2021 | domtotal.com

Rivalidade entre China e EUA detona nova corrida armamentista no Pacífico

Gastos militares crescem em vários países e especialistas alertam sobre falta de controle

Imagem do lançamento de um míssil de um trem em 15 de setembro de 2021, difundida pela agência norte-coreana KCNA
Imagem do lançamento de um míssil de um trem em 15 de setembro de 2021, difundida pela agência norte-coreana KCNA (AFP)

Uma bateria de testes de mísseis e uma série de acordos de defesa no Pacífico ilustram a frenética corrida armamentista regional que está se intensificando pela crescente rivalidade entre a China e os Estados Unidos.

Em apenas 24 horas esta semana, a Coreia do Norte disparou dois projéteis de uma ferrovia, a Coreia do Sul testou com sucesso seu primeiro lançamento de míssil a partir de um submarino e a Austrália anunciou a compra sem precedentes de modernos submarinos nucleares e mísseis de cruzeiro Tomahawk dos Estados Unidos.

"Há um certo frenesi no Indo-Pacífico para se rearmar", comentou o professor John Delury, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). "Há uma sensação de que todos estão fazendo isso", acrescentou.

Uma extraordinária cadeia de eventos que mostra a ânsia da região em ter as últimas maravilhas do armamento moderno, dizem os especialistas. Somente no ano passado, a região da Ásia-Oceania alocou mais de meio trilhão de dólares para seus exércitos, de acordo com dados do Stockholm International Peace Research Institute.

Lucie Beraud-Sudreau, do instituto sueco, afirma que "há realmente uma tendência de alta nos últimos 20 anos. A Ásia é a região onde essa tendência de crescimento é mais evidente". A especialista sinaliza uma tempestade perfeita de rápido crescimento econômico, que aumenta o dinheiro disponível nos cofres dos governos e a mudança na "percepção da ameaça" na região.

Dissuadir a China

A China responde por quase metade dos gastos militares da Ásia e vem aumentando esse orçamento anualmente há 26 anos, transformando o Exército de Libertação do Povo em uma força de combate moderna. Os gastos de Pequim são avaliados em US$ 252 bilhões anuais (+ 76% em relação a 2011), permitindo-lhe projetar seu poder na região e desafiar o domínio dos EUA. 

Mas os orçamentos de defesa da Austrália, Índia, Japão, Coreia do Sul e outros países asiáticos também estão inflando.

Michael Shoebridge, ex-chefe de inteligência australiano, agora no Instituto Australiano de Política Estratégica, acredita que esses gastos são uma reação direta à China. "A competição militar atual é entre a China e outros países que querem dissuadir a China de usar sua força", disse.

"Essa reação está crescendo, principalmente porque Xi (Jinping) está no comando. Ele está claramente interessado em usar todo o poder que a China conquistou de forma coercitiva e agressiva", acrescentou.

Atualmente, 20% dos gastos militares na região se devem a aquisições, notadamente de recursos marítimos e material de dissuasão de longo alcance destinado a convencer Pequim, ou qualquer outro adversário, de que é melhor não atacar.

Shoebridge cita a decisão da Austrália de comprar oito submarinos com propulsão nuclear - embora sem armas atômicas - e mísseis de cruzeiro Tomahakw dos Estados Unidos. "Tudo foi planejado para aumentar o custo para a China de se envolver em um conflito militar. São uma réplica bastante eficaz do tipo de capacidade que o Exército de Libertação do Povo vem desenvolvendo", comentou.

Até o reforço da Coreia do Sul "é mais impulsionado pela China do que pela Coreia do Norte". "Não há explicação para (a decisão de Seul de construir) um porta-aviões que possa estar ligada à Coreia do Norte", estimou. O mesmo ocorre com a modernização do exército indiano, que há um ano protagonizou confrontos com a China em sua fronteira no Himalaia.

Mão de Washington

Por sua vez, a China, orgulhosa de descrever sua relação com os Estados Unidos como "uma grande rivalidade entre potências", acusa Washington de estimular a corrida armamentista. Nas palavras do tabloide estatal Global Times, Washington "está polarizando histericamente seu sistema de alianças".

Se a sombra da China é o principal motor da corrida armamentista regional, os Estados Unidos não hesitaram em acelerar o processo, ajudando ativamente seus aliados regionais a se fortalecerem.

Enquanto a China e o Japão intensificavam seus programas de defesa, Washington "ajuda e encoraja" seus aliados "em nome da dissuasão da China". "Não vemos controle de armas aqui, vemos o oposto", disse ele.


AFP



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