Coronavírus

17/09/2021 | domtotal.com

Marcelo Queiroga diz que 'desobrigação do uso da máscara' acontecerá em breve

Ministro da Saúde participou da live semanal do presidente Jair Bolsonaro e disse que a desobrigação deve ocorrer 'à medida que o cenário epidemiológico melhore'

Live semanal do presidente contou com a presença do ministro da Saúde Marcelo Queiroga
Live semanal do presidente contou com a presença do ministro da Saúde Marcelo Queiroga (Reprodução)

Atualizada às 11h

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que, em breve, haverá a desobrigação do uso de máscaras no país. Segundo o presidente Jair Bolsonaro, a portaria deve ser editada "brevemente".

"Em breve, nós teremos essa desobrigação de usar máscaras. Quem quer usar máscaras, usa. Mas essa mania de querer criar lei para tudo... Daqui a pouco tem uma lei para obrigar as crianças irem para a escola vacinadas. Não precisa de vacina para ir para a escola", disse Queiroga em transmissão ao vivo nas redes sociais ao lado do presidente Jair Bolsonaro nessa quinta-feira (16). "À medida que o cenário epidemiológico melhore", acrescentou o ministro.

Vale lembrar que, ao contrário do que Marcelo Queiroga disse, existe sim uma obrigatoriedade prevista para a vacinação de crianças no Brasil - o que, atualmente, inclui as vacinas contra tuberculose (BCG), poliomielite (Sabin); hepatite B (VHB); difteria, coqueluche, tétano e influenza tipo B (DPT-Hib); difteria, coqueluche e tétano (DPT); sarampo, caxumba e rubéola (Tríplice Víral); rotavírus (Rota) e difteria e tétano (dT, vacina dupla, tipo adulto).

A obrigatoriedade é prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): o artigo 14 do documento afirma que "é obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades". Cada vacina possui uma idade mínima para a aplicação e os intervalos de tempo entre as doses devem ser respeitados a fim de garantir uma imunização efetiva.

Em alguns lugares, inclusive, existem leis que exigem a apresentação da carteira de vacinação no ato da matrícula de crianças em escolas. Isso acontece em cidades como Rio de Janeiro e Poços de Caldas (MG), e nos estados do Espírito Santo, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

Ataque à Coronavac

Em um novo ataque às vacinas, Bolsonaro declarou ainda que ele, sem se vacinar, está com mais imunidade do que quem tomou Coronavac. "Não tem comprovação científica", atestou Bolsonaro, disparando críticas ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), que resolveu obrigar servidores públicos a se vacinarem.

"O prefeito do Rio de Janeiro obrigando o servidor público a tomar vacina. Eduardo Paes, tomar Coronavac... tem alguma comprovação científica tomar Coronavac? Por que você faz isso? Que maldade é essa? São projetos de ditadores no Brasil. Um é o Eduardo Paes no Rio de Janeiro. E nós vimos muitos governadores fazendo coisas terríveis durante a pandemia, como toque de recolher, lockdown, confinamento, prisões e outras barbaridades" disse Bolsonaro. "Quem tomou Coronavac, complicou". A Anvisa, contudo, concedeu autorização de uso emergencial para a Coronavac.

Queiroga ainda garantiu que não faltarão doses de vacinas para a população brasileira. No entanto, foi registrado nos últimos dias um "apagão" de imunizantes da AstraZeneca, o que levou estados como São Paulo a utilizar Pfizer em cidadãos com a segunda dose da AstraZeneca atrasada.

'Nós não dialogamos com a morte', diz Paes

Chamado de "projeto de ditador" por Bolsonaro, por obrigar os servidores do município a se vacinarem, Eduardo Paes respondeu às críticas na manhã desta sexta-feira (17), durante a divulgação do boletim epidemiológico semanal do Rio. Paes afirmou que, na cidade, "nós não dialogamos com a morte, como parece fazer o presidente da República permanentemente desde que a pandemia começou".

"O que tem nos movido aqui permanentemente é o amor à vida", afirmou o prefeito. "As decisões aqui se dão a partir de gestos de compaixão, de empatia com os cidadãos, com o que vêm passando a população do mundo, especialmente a população brasileira. O que me move aqui, e o que tem levado a minha ação permanente na busca de superar a pandemia, é a solidariedade com as muitas famílias enlutadas neste país. Eu não sei se o presidente da República tem capacidade de se sensibilizar com isso - quero crer que sim".

Paes acrescentou que, além do flagelo de quase 590 mil mortos no Brasil, a pandemia trouxe outras consequências. "Talvez o presidente da República não conheça esses dados, mas o Brasil é um país que tem um conjunto grande de municípios, principalmente pelo interior, nas áreas mais distantes do país, das grandes cidades... Parte da economia é sustentada pela aposentadoria, de aposentados que infelizmente perderam suas vidas. Então nós temos famílias enlutadas, como aliás é o caso da minha, mas também temos famílias que perderam as condições de sua sobrevivência", pontuou.

"A mensagem que eu mando ao presidente da República, sem politizar algo que na minha opinião não deve ser politizado, é que o que vai nos mover aqui é a paixão pela vida, é o respeito pelos servidores do Rio de Janeiro, é o respeito pelo cidadão carioca, aquele que compete a mim cuidar a partir da eleição do ano passado", sustentou o prefeito. 

Depois, antes de anunciar que o Rio continuará vacinando adolescentes com mais de 12 anos, apesar de nota técnica contrária divulgada na quinta pelo Ministério da Saúde - e a qual o secretário de Saúde do município, Daniel Soranz, afirmou que "falta com a verdade" em alguns de seus apontamentos - Eduardo Paes aproveitou para criticar as decisões do Ministério tomadas a partir de ordens do presidente.

"(No Rio) o secretário Daniel Soranz jamais vai tomar uma decisão a partir de uma ligação matinal do prefeito da cidade achando alguma coisa sobre algo que ele desconhece completamente. Desconheço eu, e certamente desconhece o presidente da República, que não tem formação nem especialização neste tema", declarou o prefeito.

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Agência Estado/Dom Total



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