Brasil Política

21/09/2021 | domtotal.com

Covaxin: ministro da CGU diz na CPI que soube de irregularidades somente em junho

Acusado de prevaricação por Omar Aziz, Wagner Rosário é ouvido na comissão nesta terça

Wagner Rosário presta depoimento nesta terça-feira
Wagner Rosário presta depoimento nesta terça-feira (Roque de Sá/Agência Senado)

O ministro da Controladoria-Geral da República (CGU), Wagner Rosário, afirmou nesta terça-feira (21) que só soube das suspeitas de irregularidades na compra da vacina indiana da Covaxin em junho de 2021. A declaração foi dada durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid após o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), acusar o depoente de prevaricação.

O contrato do Ministério da Saúde com a Precisa Medicamentos para a compra da Covaxin é um dos principais focos da CPI. A data citada por Wagner Rosário chamou a atenção do presidente do colegiado. "Só em junho de 2021?", questionou Aziz. "Sim. Se o senhor sabia antes, ótimo, mas eu... os casos apareceram na imprensa no final de junho", respondeu o ministro.

Acompanhe ao vivo:

Na semana passada, Omar Aziz acusou Wagner Rosário de prevaricação afirmando que a CGU havia acessado mensagens entre o lobista Marconny Faria com representantes da Precisa em junho do ano passado. Hoje, o ministro respondeu diretamente o senador. "Não existe prevaricação nem minha nem de nenhum servidor da CGU".

Na semana passada, Omar Aziz acusou Wagner Rosário de prevaricação afirmando que a CGU havia acessado mensagens entre o lobista Marconny Faria com representantes da Precisa em junho do ano passado. Hoje, o ministro respondeu diretamente o senador. "Não existe prevaricação nem minha nem de nenhum servidor da CGU".

De acordo com o ministro, a Justiça só autorizou o compartilhamento de informações da investigação com a CGU no dia 8 de julho de 2021 para encaminhar providências administrativas. O governo anunciou o cancelamento do contrato da Covaxin no dia 29 de julho após análise da CGU.

A versão do ministro de que soube das suspeitas pela imprensa foi questionada por senadores logo no início do depoimento. Wagner Rosário citou que o caso surgiu na imprensa só em junho deste ano. "Pela imprensa, sim, mas pelo órgão que o senhor preside não", disse Simone Tebet (MDB-MS).

Tensão

O ministro chega para depor em um momento de tensão. Na última terça-feira (15), Aziz (PSD-AM) disse que Wagner Rosário "prevaricou", pois teria deixado de tomar iniciativas diante de irregularidades nos contratos de vacinas.

"O que ele tem que explicar não é as operações que ele fez, é a omissão dele em relação ao governo federal. Tem que vir, mas não tem que vir para jogar para a torcida, não. Ele vai jogar aqui é no nosso campo. E Wagner Rosário, que tinha acesso a essas mensagens (sobre negociações de compra de vacinas pelo Ministério da Saúde) desde 27 de outubro de 2020, ele é um prevaricador", disse Aziz.

O ministro da CGU usou o Twitter para responder ao presidente da CPI e acusou Aziz de cometer o crime de calúnia. "Senador Omar Aziz, calúnia é crime!!! A autoridade antecipar atribuição de culpa, antes de concluídas as apurações e formalizada a acusação também é crime!!! Aguardando ansiosamente sua convocação", escreveu.

Na tréplica, pela mesma rede social, Aziz respondeu. "Prevaricação também é crime".

O requerimento de convocação foi apresentado pelo senador Eduardo Girão (Podemos-CE) e aprovado em junho. Segundo o parlamentar, o órgão enviou à CPI dados sobre 53 operações especiais que apuram desvio de recursos por Estados e municípios. De acordo com Girão, o valor total dos contratos chega a R$ 1,6 bilhão.

"O prejuízo efetivo apurado até agora atingiu quase R$ 39,2 milhões, e o prejuízo potencial é de R$ 124,8 milhões. Assim, o prejuízo total pode alcançar R$ 164 milhões", argumenta o requerimento.


Agência Estado



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