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21/09/2021 | domtotal.com

Chefe da ONU alerta sobre clima e critica desigualdade no combate à Covid-19

Antonio Guterres também condenou a 'nova Guerra Fria' entre EUA e China

'Enquanto milhões passam fome, bilionários se divertem indo para o espaço', disse Guterres
'Enquanto milhões passam fome, bilionários se divertem indo para o espaço', disse Guterres (Eduardo Muñoz/AFP/Pool)

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, abriu a Assembleia-Geral da ONU com um discurso enfático em que abordou a pandemia, a crise climática e a disputa entre os Estados Unidos e a China, no que chamou de nova Guerra Fria.

O chefe da ONU falou de sua preocupação com o meio ambiente e alertou que o mundo ruma para a destruição ecológica. "Estamos a semanas da Conferência do Clima em Glasgow, mas parecemos estar a anos-luz de alcançar nossos objetivos."

Para Guterres, a falta de união global minou os esforços para o combate à pandemia de Covid-19 e para melhorias climáticas. "Ao invés do caminho para a solidariedade, estamos numa rota mortal para a destruição. Enquanto milhões passam fome, bilionários se divertem indo para o espaço."

Ele também protestou contra a falta de ação de líderes globais ante as mudanças climáticas, afirmando que a "janela" para o enfrentamento da crise climática está se fechando. "O mundo está à beira do abismo e estamos caminhando na direção errada", definiu.

Pandemia

Nesse contexto, o chefe da ONU lembrou ainda da desigualdade na distribuição de vacinas contra a covid ao redor do mundo, que levou países ricos a terem excesso de doses e considerarem a aplicação de vacinas de reforço, enquanto nações em desenvolvimento ainda nem começaram a imunizar suas populações.

"Talvez, uma imagem seja o retrato de nosso tempo. A imagem que vimos em algumas partes do mundo de vacinas contra a Covid-19 no lixo, vencidas e sem uso. Isso é obsceno", lamentou Guterres.

Quanto à vacinação contra a Covid-19, o secretário-geral criticou o acesso limitado aos imunizantes em regiões mais pobres do mundo, enquanto alguns países possuem excedentes dos produtos. "Passamos no teste de ciência, mas estamos tirando a pior nota em ética", afirmou, após comemorar o rápido desenvolvimento das vacinas em meio à crise sanitária. Guterres defendeu que ao menos 70% da população mundial seja vacinada até o fim do primeiro semestre do ano que vem.

Crise econômica

Guterres afirmou que "muitos países precisam de injeção urgente de liquidez" para enfrentar os severos impactos econômicos da crise do coronavírus. De acordo com ele, a falta de vacinas contra a covid-19 e o apertado espaço fiscal limitou a recuperação econômica em nações de baixa renda.

"Países ricos podem retomar o nível de crescimento anterior à pandemia ainda este ano, enquanto o impacto em países pobres poderá ser sentido por anos", protestou Guterres, antes de instar os países que vão receber, mas "não necessitam", dos recursos do programa de Direitos Especiais de Saques (SDRs, na sigla em inglês) do Fundo Monetário Internacional (FMI) a redistribuir o dinheiro a nações de baixa renda.

Guterres também defendeu que a suspensão do serviço da dívida seja estendida para o ano que vem, argumentando que os governos não devem ter de escolher entre "servir a dívida ou a população".

Guerra Fria

O secretário-geral advertiu Estados Unidos e China contra uma maior degradação do mundo já "à beira do precipício", conclamando os dois países ao "diálogo" e ao "entendimento". "É uma receita para problemas. Seria muito menos previsível do que a Guerra Fria. Para restaurar a confiança e inspirar esperança, precisamos de cooperação", defendeu o chefe da ONU a uma audiência de líderes mundiais, incluindo o presidente americano, Joe Biden, que escolheu ir a Nova York, apesar da pandemia de Covid-19.

No último ano de seu primeiro mandato à frente da ONU e se preparando para iniciar um novo em janeiro, Guterres já havia alertado em 2018 (divisão "sino-americana"), em 2019 ("a grande divisão") e em 2020 (uma "nova Guerra Fria") sobre o risco de um mundo bipolar preso às tensões sino-americanas.

"Estamos enfrentando a maior cascata de crises da nossa vida. Temo que nosso mundo esteja caminhando para dois conjuntos diferentes de regras econômicas, comerciais, financeiras e tecnológicas, duas abordagens divergentes no desenvolvimento da Inteligência Artificial - e, em última análise, duas estratégias militares e geopolíticas diferentes", comentou nesta terça.

Referindo-se a Pequim e Washington, Guterres foi ainda mais direto. "As divisões geopolíticas minam a cooperação internacional e limitam a capacidade do Conselho de Segurança de tomar as decisões necessárias. Ao mesmo tempo, será impossível enfrentar os dramáticos desafios econômicos e de desenvolvimento enquanto as duas maiores economias do mundo estão em desacordo." A falta de união entre a comunidade internacional, segundo Guterres, ajuda na formação deste cenário político global.


Agência Estado/Dom Total



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