Economia

25/09/2021 | domtotal.com

O que muda com a promessa da China sobre centrais elétricas de carvão?

Afastamento dos bancos públicos chineses pode ter um efeito dominó nos privados e tornar os investimentos em carvão mais arriscados

(Arquivo) Central de energia Celukan Bawang 2, financiada pela China, em Singaraja, na ilha turística de Bali, na Indonesia, em 29 out. 2020
(Arquivo) Central de energia Celukan Bawang 2, financiada pela China, em Singaraja, na ilha turística de Bali, na Indonesia, em 29 out. 2020 (Sonny Tumbelaka/AFP)

Uma revolução climática? A China anunciou que não financiará mais usinas termelétricas a carvão no exterior: mas esse avanço, considerado bem-vindo pelos ambientalistas, não resolve todos os problemas.

Principal emissor mundial de gases de efeito estufa, a China não definiu datas para implementar esta medida, nem especificou o que vai acontecer com os projetos em desenvolvimento. Isso é o que se sabe por enquanto:

O que a China prometeu?

Em uma mensagem de vídeo divulgada na Assembleia Geral da ONU, o presidente chinês, Xi Jinping, fez esta promessa.

"A China reforçará seu apoio aos países em desenvolvimento para fomentar as energias verdes e baixas em carbono, e não construirá mais usinas elétricas movidas a carvão no exterior".

Isso muda a situação?

Sim e não.

A China é o maior financiador público de usinas termelétricas a carvão fora das fronteiras, como no caso de Zimbábue, Paquistão, Indonésia e Vietnã, entre outros.

Japão e Coreia do Sul, os outros maiores financiadores destes projetos, já anunciaram que vão parar de fazer isso até o fim do ano.

"A China foi a última a se manter firme", disse Li Shuo, do Greenpeace China, à AFP.

O afastamento dos bancos públicos chineses pode ter um efeito dominó nos privados e tornar os investimentos em carvão mais arriscados, alerta.

"Quando o dinheiro público vai para um setor, o privado tende a segui-lo", explica Li Shuo.

A participação chinesa nessas usinas a carvão no exterior é baixa, porém, em função dos fundos (públicos e privados).

De 2013 a 2019, os credores chineses (estatais, ou não) forneceram apenas 13% do financiamento para fábricas em construção, ou planejadas, fora de suas fronteiras, de acordo com o Centro de Políticas de Desenvolvimento Global da Universidade de Boston. Aqui, 87% dos recursos foram procedentes de fora da China.

Quem são seus financiadores?

Principalmente bancos privados e investidores japoneses, americanos e britânicos. De 2018 a 2020, os bancos privados japoneses foram os principais financiadores destas centrais nos países em desenvolvimento, emprestando em torno de US$ 76 bilhões.

Com US$ 68 bilhões, principalmente de bancos privados, os Estados Unidos responderam por 21%, e Reino Unido, por 7%.

Em contraste, as entidades estatais chinesas investiram apenas US$ 50 bilhões em cinco anos (2015-2019).

A China manterá sua palavra?

O governo chinês se comprometeu a "tornar mais verdes" seus investimentos estrangeiros, após as muitas críticas às novas usinas movidas a carvão, que poriam em risco as metas climáticas globais.

"A China passa lentamente de uma era (...), em que privilegiava arrecadar dinheiro" e, "agora, se move para melhorar a qualidade de seus projetos", disse Li Shuo.

O Ministério chinês do Comércio afirma que, no primeiro semestre de 2021, o país não financiou novos projetos de centrais a carvão, no âmbito das "Novas Rotas da Seda", seu macroprojeto de infraestruturas no exterior.

Duas questões permanecem em aberto, porém, após a promessa de Xi Jinping.

A partir de quando a medida será aplicada? E serão bloqueados apenas investimentos de bancos públicos, ou também privados?

Menos carvão na China?

A China havia prometido que alcançaria um teto de emissões de gases de efeito estufa até 2030 e "reduziria gradualmente" o uso de carvão a partir de 2026.

O país ainda depende muito dessa matriz energética.

Em 2020, acrescentou 38,4 GigaWatts (GW) de energia baseada em carvão, três vezes a capacidade instalada, no referido ano, em outros países, afirma a organização americana Global Energy Monitor (GEM).

Segundo a ONG Greenpeace, porém, as províncias chinesas aprovaram a construção de apenas 24 usinas a carvão no primeiro semestre de 2021 (-79%, em um ano).

"Mas não há limite em relação às emissões chinesas antes de reduzi-las", observou Yuan Jiahai, da Universidade de Eletricidade do norte da China, em Pequim.

"Ou seja, pode poluir tudo o que quiser antes do prazo-limite", completou.


AFP



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!