Brasil Política

24/09/2021 | domtotal.com

Crimes premeditados

Não há limites para o sadismo, a perversidade, a mentira, a usurpação da boa-fé da nação

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia realiza oitiva do diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior
Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia realiza oitiva do diretor-executivo da operadora de saúde Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior (Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Eleonora Santa Rosa*

Difícil escrever o artigo de hoje. Impossível manter a delicadeza, a polidez, o relato equilibrado dos últimos acontecimentos com a participação dessa corja de delinquentes e criminosos que nos obrigam, diariamente, a fatos, episódios e atitudes desonestas, vis, doentias, típicas de psicopatas e congêneres.

Não há limites para o sadismo, a perversidade, a mentira, a usurpação da boa-fé da nação e, claro, para a roubalheira da rachadinha familiar. Vergonha escancarada pela participação presidencial no palco das Nações Unidas, aliás, a organização da assembleia deveria ter vetado a presença de chefes de Estado e delegações com membros não vacinados, gente ordinária na acepção da palavra, egoísta, desprovida de qualquer bom senso ou preocupação com a coletividade, com a saúde pública, péssimo exemplo para o mundo.

Horror pela divulgação do caso do 'alucinado verde amarelo' que entregou a própria mãe ao 'açougue' da Prevent Senior (guardemos bem este nome), que, em (in)sã(na) consciência, deixou que lhe ministrassem remédios do kit falacioso covidiano, condescendeu com o tratamento doloroso e ineficaz e que, por fim, teve o desplante de gravar um vídeo levantando a hipótese de que a mãe poderia estar viva se tivesse feito o tratamento precoce contra a Covid-19.

Já o depoimento na CPI do diretor da Prevent, de uma hipocrisia e canalhice sem fim, deveria ter sido finalizado com sua prisão, algemado e colocado numa camisa de força, a bem da saúde pública do país, pois é inimigo da sociedade. Como uma criatura nociva e letal como ele ainda anda pelas ruas, livre? As gravações registrando suas ameaças aos médicos que se negaram a participar da carnificina, as fartas provas coletadas pela CPI, a fraude nos atestados de óbitos, a manipulação de medicação sem efeito, a omissão pela indicação e adoção de tratamento inócuo junto aos pacientes e familiares, o que mais emergirá nos próximos dias? Bandidos, são todos os que promoveram e compactuaram com essa lambança macabra, perversa.

País sob estresse absoluto, pária mundial, assiste ao seu ministro da Saúde, submisso e indigno do cargo, autenticar a cartilha genocida do chefe ensandecido, posando, na calçada novaiorquina, para uma foto inesquecível, de boca aberta, deglutindo, vorazmente, uma pizza de dar engulhos, na companhia do sanfoneiro do Turismo, este, de cueca para fora, circundado por figuras extraídas de almanaques de terror.

Para arrematar o cenário assustador e dizimador, a notícia vinda de Minas da suspensão da liberação concedida pelos órgãos ambientais do governo em área de interesse de preservação. Trata-se do complexo de grutas e cavernas em Lagoa Santa, local onde foi encontrado o crânio de Luzia, o mais antigo das Américas, escolhida por uma cervejaria, com o aval oficial, para sediar ali sua fábrica de bebidas. Inacreditável! Não é apenas um problema de falta de cultura, de ignorância crassa e de ausência de sensibilidade, mas é de reafirmação da conduta de um governo medíocre, limitado e mercantilista. Mobilizemo-nos todos para preservação desse patrimônio extraordinário, de interesse da humanidade!

Em silêncio, chocada, só me vem à memória o triste belo verso do poeta barroco Mathias Antônio Salgado: "AI DE NÓS, AI DO REINO, AI DE MINAS GERAIS".

*Eleonora Santa Rosa - Ex-secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais, ex-presidente do Conselho do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais - IEPHA, instituiu em sua gestão o Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais - CONEP. Implantou a primeira fase do Circuito Cultural da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte e foi diretora executiva do Museu de Arte do Rio - MAR. Concebeu e implementou inúmeras ações e iniciativas referenciais no campo do Patrimônio Cultural, da Educação Patrimonial e de museus. Gestora, consultora e estrategista da área da Cultura, é autora de diversos artigos e do livro Interstício.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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