Economia

23/09/2021 | domtotal.com

Alta nos preços, que já tira pão e carne da mesa dos brasileiros, deve continuar

67% dos brasileiros cortaram o consumo de carne vermelha e 41% reduziram o pão

Disparada nos preços do alimentos tira comida da mesa dos pobres
Disparada nos preços do alimentos tira comida da mesa dos pobres Foto (Montagem com fotos de Rovena Rosa (ABr) e Rômulo Ávila)

A alta dos preços dos alimentos, que impede milhões de brasileiros de consumir alimentos como carne de boi, arroz, feijão, frutas, legumes e pão, deve continuar. O aleta foi dado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nessa quarta-feira (22) , após a elevação da taxa básica de juros de 5,25% para 6,25%. A inflação ao consumidor segue elevada.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana aponta que 85% dos brasileiros reduziram o consumo de alimentos desde o início do ano, com destaque para carne de boi e pão. O levantamento aponta que 67% dos brasileiros cortaram o consumo de carne vermelha; 51% o de refrigerantes e sucos e 46% o de leite, queijo e iogurte. Pão francês, pão de forma e outros pães aparecem com 41% de redução.

O Copom admitiu que a alta nos preços dos bens industriais ainda não arrefeceu e deve persistir no curto prazo, assim como a elevação dos preços dos serviços, que refletem a normalização da atividade no setor.

"Adicionalmente, persistem as pressões sobre componentes voláteis como alimentos, combustíveis e, especialmente, energia elétrica, que refletem fatores como câmbio, preços de commodities e condições climáticas desfavoráveis", acrescentou o Copom, que voltou a apontar que as diversas medidas de inflação subjacente seguem acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta de inflação.

Embora tenha havido uma retração de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre do ano, o Copom avaliou hoje que a economia brasileira continua mostrando "evolução positiva". Por isso, o colegiado não alterou seu cenário que prevê uma "recuperação robusta" da atividade ao longo do segundo semestre.

Já sobre o cenário externo, o Copom alertou para dois fatores adicionais de risco para o crescimento das economias emergentes. O comunicado cita as revisões para baixo nas projeções de crescimento das economias asiáticas em função do avanço da variante Delta do novo coronavírus e a elevação de juros em países emergentes para combater surpresas inflacionárias.

Ainda assim, o Copom considerou que os estímulos monetários de longa duração e a reabertura das principais economias ainda sustentam um ambiente favorável para os países emergentes. "O Comitê mantém a avaliação de que questionamentos dos mercados a respeito dos riscos inflacionários nas economias avançadas podem tornar o ambiente desafiador para países emergentes", acrescentou o documento.

Decisão

A decisão do Copom do Banco Central de elevar a Selic em 1 ponto porcentual, para 6,25% ao ano, refletiu o cenário básico da autoridade monetária e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva. O documento enfatizou que a magnitude é compatível com a convergência da inflação para as metas no horizonte relevante e repetiu que esse prazo inclui o ano-calendário de 2022 e, em grau menor, o de 2023.

"Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", justificaram os diretores.

Por outro lado, o colegiado salientou que novos prolongamentos das políticas fiscais de resposta à pandemia que pressionem a demanda agregada e piorem a trajetória fiscal podem elevar os prêmios de risco do país. "Apesar da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública, o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária."

O Copom também reiterou que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O colegiado ressaltou ainda que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia.


Dom Total /Agência Estado



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