Direito

24/09/2021 | domtotal.com

Ministério Público cria força-tarefa para investigar Prevent Senior por 'kit-Covid'

Operadora é suspeita de ocultar mortes de pessoas que teriam participado do estudo e de pressionar médicos a adotarem o 'tratamento precoce'

As suspeitas que recaem sobre a pesquisa supostamente desenvolvida pela operadora
As suspeitas que recaem sobre a pesquisa supostamente desenvolvida pela operadora (Reprodução/Prevent Senior)

O procurador-geral da Justiça de São Paulo, Mário Sarrubbo, designou quatro promotores para compor a força-tarefa que vai investigar se a Prevent Senior tratou pacientes, sem o seu consentimento, com o chamado 'kit-covid'.

As suspeitas que recaem sobre a pesquisa supostamente desenvolvida pela operadora de planos de saúde em São Paulo, com hidroxicloroquina e invermectina, vieram a público a partir da CPI da Covid no Senado.

Além de escalar os promotores Everton Zanella, Fernando Pereira, Nelson dos Santos Pereira Júnior e Neudival Mascarenhas Filho para trabalhar em conjunto com o promotor natural, Rodolfo Bruno Palazzi, o chefe do Ministério Público de São Paulo também determinou "atenção total' à investigação.

O inquérito policial tramita no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e apura se a aplicação de remédios sem eficácia comprovada contra a Covid-19 em pacientes da Prevent Senior que vieram a óbito configura crime de homicídio. A operadora também é suspeita de ocultar mortes de pessoas que teriam participado do estudo e de pressionar médicos a adotarem o ‘tratamento precoce’.

O Estadão apurou que, entre os próximos passos da investigação, está prevista a análise de documentos que a comissão parlamentar se comprometeu a compartilhar com o Ministério Público de São Paulo. O dossiê em posse dos senadores traz, por exemplo, denúncias de médicos da Prevent Senior.

Mãe de Luciano Hang

O dossiê elaborado por 15 médicos que afirmam ter trabalhado para a operadora de saúde Prevent Senior, entregue à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, aponta que a declaração de óbito da mãe do empresário Luciano Hang, Regina Hang, "foi fraudada". Segundo os ex-funcionários da rede, o documento que atesta a morte "omitiu o real motivo do falecimento", que seria por Covid-19. A empresa nega irregularidades.

Hang é apoiador do presidente Jair Bolsonaro e incentivador do chamado "tratamento precoce", composto por medicamentos sem eficácia comprovada ou contra-indicados para tratar a doença.

Segundo os médicos, a suposta fraude na declaração de óbito de Regina Hang é um dos "inúmeros casos que não foram devidamente noticiados". O relato sobre a mãe do empresário consta do capítulo "Da suposta fraude nas declarações de óbito", do dossiê de mais de 60 páginas entregue à CPI.

O Estadão teve acesso à certidão de óbito de Regina. No documento, a causa morte é descrita como "disfunção de múltiplos órgãos, choque distributivo refratário, insuficiência renal crônica agudizada, pneumonia bacteriana, síndrome metabólica, acidente vascular isquêmico prévio". Não há menção a covid.

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Trecho do dossiê entregue por médicos à CPI da Covid relata caso da mãe de Luciano Hang Foto: Reprodução


O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou nesta quarta-feira, 22, que Luciano Hang "tinha condições de levar a sua genitora para a lua, porque tem dinheiro para isso". "Mas leva para a Prevent Senior. E lá, segundo as informações, no atestado de óbito não consta que ela veio a óbito por covid", declarou Aziz.


Agência Estado



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