Cultura Música

27/09/2021 | domtotal.com

Professores de música de BH se reinventam durante isolamento social

Profissionais do setor oferecem aulas em formato online e ofertam cada vez mais novas categorias para preencher o 'buraco' deixado pela pandemia

O músico André Milagres pretende continuar a dar aulas online após a pandemia
O músico André Milagres pretende continuar a dar aulas online após a pandemia Foto (Reprodução/Instagram)
Du Macedo, dono de uma escola de música, teve se adaptar durante o período pandêmico
Du Macedo, dono de uma escola de música, teve se adaptar durante o período pandêmico Foto (Reprodução/Instagram)

Larissa Troian

Que a pandemia afetou o mercado musical de uma forma quase catastrófica já está bastante claro. Assim como o fato de que, quaisquer que sejam as dificuldades, a música continuará a ser um porto seguro para tantos criadores do Brasil. Com a chegada do novo coronavírus, em março de 2020, a maioria dos músicos precisou se reinventar com a proibição de shows, encontros e eventos culturais.

Em todo o mundo, espaços foram fechados e os profissionais da cultura se viram numa situação de medo, angústia e inquietação em relação ao que estava por vir. Em Belo Horizonte não foi diferente.

O músico André Milagres, que além de ser professor de violão participa também do grupo de choro Assanhado Quarteto, conta que teve que passar todos os seus alunos para o formato online: “Eu mesmo tive um pouco de dificuldade com isso, mas, de maneira geral, a aceitação foi boa”. Ele fala que, apesar das dificuldades principalmente iniciais, com o novo formato ele conseguiu mais alunos fora de BH do que na cidade. “Eu precisei aumentar a demanda de alunos, pois parei de ter shows”, frisa.

Du Macedo, músico multi-instrumentista também de Belo Horizonte conta que em 2020, primeiro ano da pandemia, a procura por aulas de música online se tornou intensa: “Os professores de música que já estavam na internet souberam aproveitar a primeira onda. Eu não encontrei modelos de aulas interessantes para mim. Bati muita cabeça. Acabava atendendo individualmente e isso matava todo o meu tempo produtivo”.

Com o avanço da pandemia surgiu a chamada Lei Aldir Blanc, projeto de auxílio financeiro ao setor cultural. Milagres não conseguiu o benefício com o quarteto, mas individualmente, sim. Ele conta que não teve outra atividade para preencher o orçamento, mas que, em decorrência da Aldir Blanc, discos de outros artistas tiveram aprovação, e ele passou a participar deles. Já Du Macedo estava muito envolvido na formatação e divulgação dos seus cursos e perdeu o prazo da inscrição.

Dono de uma escola, Macedo oferta aulas de violão, cavaquinho, harmonia, improvisação - ao lado do também multi-instrumentista Beto Lopes - e pandeiro, em parceria com o percussionista Fred Lazarini. Apesar de todas as dificuldades e do trabalho dobrado em diversos momentos, ele se mostra confiante com o que vem construindo. “Neste ano reformatei os meus cursos. Passei a ofertar aulas para um grupo de até 30 pessoas, em formato de live semanal, material didático em PDF, vídeos e podcasts, e acompanhamento e orientação de estudos individualizados”. “Pretendo dar continuidade as turmas já formadas e lançar novos cursos, como o de violão de sete cordas e o de voz, em 2022”, ressalta. André Milagres destaca o desejo de querer continuar dando aulas online no período pós pandêmico, já que,

além da ‘praticidade’, o formato lhe abriu portas e permitiu que tivesse alunos até de outros estados.

Opositores à gestão atual do governo Bolsonaro, que vem fazendo cada vez mais cortes orçamentais no setor cultural, André Milagres e Du Macedo não poupam críticas: “Temos esse governo fascista que não dá valor a cultura do país; com Regina Duarte e Mario Frias é só ‘ladeira abaixo’ e corte de verbas no nosso setor. Basicamente, precisamos de uma gestão que apoie o setor cultural o quanto antes”, diz Milagres. “Uma lástima. A política cultural é natimorta. Um dos setores que mais gera emprego e renda está sufocado, rendido. E é tudo o que querem essa gente facínora que nos desgoverna”, completa Macedo.


Redação Dom Total



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