Meio Ambiente

02/10/2021 | domtotal.com

ONGs denunciam 'preocupante degradação ambiental' na Amazônia colombiana

A violência da guerrilha e de narcotraficantes agrava o combate ao desmatamento ilegal

Vista aérea do desmatamento ilegal no Parque Nacional Natural de La Macarena, departamento de Meta, Colômbia
Vista aérea do desmatamento ilegal no Parque Nacional Natural de La Macarena, departamento de Meta, Colômbia (Raul Arboleda/AFP)

Um relatório publicado pela Fundação Ideias para a Paz (FIP) e o centro de estudos alemão Adelphi, com o apoio do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) faz um grave painel sobre a devastação da Amazônia colombiana. Cultivos ilícitos, agricultura intensiva, mineração ilegal e narcotráfico produzem uma "preocupante degradação ambiental" na região, cada vez mais afetada pelo desmatamento e por ataques contra ambientalistas. 

A região "enfrenta uma crise ambiental e de segurança sem precedentes, que tem um grave risco para os defensores do meio ambiente", alertaram nove organizações colombianas e internacionais na apresentação de um relatório sobre o tema.

A apropriação de terras para a agricultura e a pecuária e as economias ilegais como o garimpo e os narcocultivos não só afetam o meio ambiente, como também aumentaram a violência, segundo o documento intitulado "Un clima peligroso: Deforestación, cambio climático y violencia contra los defensores ambientales en la Amazonía colombiana" (Um clima perigoso: desmatamento, mudanças climáticas e violência contra os defensores ambientais na Amazônia colombiana, em tradução livre).

Segundo cifras do Ideam, órgão estatal a cargo da violência ambiental, 70% do desmatamento no país se concentra nesta região "e continua aumentando: de 98.256 hectares em 2019 para 109.302 hectares em 2020". "Embora esta crise venha sendo gestada há décadas, mudou significativamente desde a assinatura do Acordo de Paz entre o Governo colombiano e a guerrilha das Farc em 2016", alerta o informe.

Um "vácuo" mortal

"Uma complexa e flutuante rede de grupos armados ilegais, atores privados e alguns funcionários corruptos aproveitaram o vácuo de poder deixado pelo desarmamento de grande parte das Farc para ampliar seu poder e suas atividades econômicas ilegais, as quais, em sua maioria, impactam negativamente a natureza", explica o texto.

"As comunidades locais, as organizações não governamentais e as instituições estatais que tentam proteger a Amazônia entraram em conflito com os interesses destes grupos poderosos e (...) se tornaram cada vez mais alvos de ataques", enfatiza Juan Carlos Garzón, pesquisador da FIP e um dos autores da análise.

Segundo a ONG britânica Global Witness, a Colômbia foi em 2020 o país mais perigoso para os defensores do meio ambiente: 65 deles foram assassinados.

As comunidades indígenas "foram especialmente afetadas por esta situação, pois estão perdendo suas terras e seus meios de sustento, e são objeto de violações dos direitos humanos, violência e deslocamento", denunciam as ONGs.

A Amazônia colombiana ocupa quase um terço do território do país (400 mil quilômetros quadrados). Cerca de 120 quilômetros do Rio Amazonas fluem por esta região, que concentra ricas fauna e flora. Letícia, a capital, é um importante porto comercial fronteiriço com o Brasil e o Peru.

Entre as zonas mais afetadas "se encontram os Parques Nacionais Naturais Serranía de Chiribiquete, Tinigua e Sierra de La Macarena, assim como a Reserva Indígena Nukak Makú".

O relatório destaca que as medidas das autoridades para proteger os ambientalistas "careceram de recursos e capacidades suficientes e não têm conseguido desempenhar um papel significativo para reduzir os riscos".

O país atravessa o pior surto de violência desde o desarmamento das Farc. Grupos de rebeldes que se afastaram do acordo de paz, grupos de traficantes de drogas de origem paramilitar e a guerrilha do ELN disputam as receitas das atividades ilegais em zonas onde o Estado tem uma presença frágil.

Operações militares como "Artemisa" e outras iniciativas de segurança destinadas a frear o desmatamento "não têm conseguido debilitar as redes que impulsionam a insegurança e a degradação ambiental".

"Ao contrário, têm sido fonte de preocupação pelos casos de abuso da força, violação dos direitos fundamentais e as tensões que geraram entre as comunidades", destaca o documento.

Os autores sugerem "abordar o controle do desmatamento e as atividades ilegais como parte de uma estratégia de paz mais ampla" em um país castigado por seis décadas de conflito armado, com mais de nove milhões de vítimas, a grande maioria deslocados.


AFP/Dom Total



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