Direito

01/10/2021 | domtotal.com

MPF denuncia Francisco Maximiano por propinas de R$ 2,5 mi da Global Saúde nos Correios

Dono da Precisa Medicamentos e outras quatro pessoas estariam envolvidos num esquema de propinas em troca da venda de um serviço de seguro para remédios aos funcionários da estatal

Dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano também é investigado na CPI da Covid no Senado
Dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano também é investigado na CPI da Covid no Senado (Jefferson Rudy/Agência Senado)

O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro contra o empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, a irmã e sócia dele, Michelli Maximiano Gonçalves, o ex-executivo dos Correios, Nelson Luiz Oliveira de Freitas, o ex-presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores das Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), José Rivaldo da Silva, e o advogado Alexandre Romano por participação em um suposto esquema que teria favorecido a empresa Global Gestão em Saúde em um contrato com os Correios.

A investigação aponta o pagamento de R$ 2,5 milhões em propinas pela Global, entre 2011 e 2014, em troca da venda de um serviço de seguro para remédios aos funcionários da estatal de entregas.

A denúncia teve como ponto de partida o acordo de colaboração premiada de Alexandre Romano, que é ex-vereador de Americana (SP) pelo Partido dos Trabalhadores (PT). De acordo com as apurações, o convênio com a Global Saúde foi fechado através da Fentect, entidade privada que recebe recursos dos Correios, para burlar a necessidade de licitação.

Em um primeiro momento, a adesão ao plano por parte dos trabalhadores era voluntária. Na fase inicial, Maximiano pagaria uma propina de R$ 50 mil mensais para Romano e Freitas. Em 2013, foi criada a Postal Saúde, entidade sem fins lucrativos que passou a ser responsável pela gestão de saúde dos funcionários dos Correios, incluindo o contrato com a Global. No ano seguinte a adesão ao 'Vale Medicamento' passou a ser obrigatória, o que fez com que o faturamento da Global Saúde pulasse de aproximadamente R$ 800 mil para R$ 3,2 milhões, segundo a investigação. Como resultado, o valor das propinas pagas também quadriplicou, passando de R$ 50 mil para R$ 200 mil mensais, de acordo com o MPF.

Na tentativa de ocultar a origem dos valores recebidos, Alexandre Romano teria usado uma corretora de seguros e empresas de fachada para simular contratos de prestação de serviços com a Global Saúde.


Agência Estado



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