Brasil Política

01/10/2021 | domtotal.com

PF investiga uso de escritório de ex-presidente da CBF pela Precisa Medicamentos

Escritório de advocacia Marco Polo Del Nero teria sido usado para simular contratos e gerar dinheiro em espécie para pagar propina a políticos em troca de contratos com órgãos públicos

Em 2018, Marco Polo Del Nero foi banido pela Fifa de todas as atividades do futebol
Em 2018, Marco Polo Del Nero foi banido pela Fifa de todas as atividades do futebol Foto (Nelson Almeida/AFP)

Ao pedir autorização da Justiça para abrir a Operação Acurácia, que fez buscas contra a Global Gestão em Saúde nesse quinta-feira (30), a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) disseram ver indícios de que a Precisa Medicamentos, empresa que pertence ao mesmo grupo empresarial da Global Saúde, tenha usado o escritório de advocacia do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Polo Del Nero, para simular contratos e gerar dinheiro em espécie para pagar propina a políticos em troca de contratos com órgãos públicos.

A Global ganhou o noticiário quando vieram a público as suspeitas da CPI da Covid sobre o contato de compra da vacina indiana Covaxin com o Ministério da Saúde. O dono da empresa, Francisco Maximiano, prestou depoimento aos senadores no mês passado. Embora seja contemporânea da comissão parlamentar, a ação não guarda relação com a investigação no Senado Federal. Resulta, na verdade, de uma longa apuração da PF em São Paulo, iniciada 2018 com a Operação Descarte.

Os policiais federais chegaram até a Global Gestão em Saúde a partir da delação dos advogados Luiz Carlos da Fonseca Claro e Gabriel Silveira da Fonseca Claro, pai e filho, que revelaram como teriam usado o escritório de advocacia e outras empresas controladas pela família para ajudar a administradora a gerar R$ 6,4 milhões em notas frias para caixa dois.

Em uma segunda etapa da investigação, a Receita Federal auditou a sede da Precisa e encontrou contratos suspeitos firmados outro escritório de advocacia, o Marco Polo del Nero e Vicente Cândido Advogados, na ordem de R$ 7,2 milhões.

Os auditores afirmam que os pagamentos à banca do ex-presidente da CBF não puderam ser comprovados. "Houve a prova do pagamento, mas não da prestação dos serviços", diz a PF. "O que indica que se trata de mais uma simulação, e que o dinheiro de caixa dois da Precisa não foi gerado apenas pela Claro Advogados", segue.

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A Polícia Federal chegou a pedir autorização para fazer buscas no escritório, mas a Justiça Federal de São Paulo disse que não detinha competência para apreciação do pedido.

O escritório Marco Polo del Nero e Vicente Cândido Advogados foi investigado na Operação Combustão, aberta em outubro do ano passado para investigar fraudes no Fundo de Pensão dos Correios (Postalis) e operações de lavagem de dinheiro que teriam sido levadas a cabo por Milton Lyra, apontado como operador do MDB. A PF trabalha com a hipótese de que ele tenha sido o elo entre e a Global e as bancas de advogados.

"O dinheiro pode ter sido distribuído em dois escritórios para não chamar a atenção das autoridades ou por falta de capacidade financeira dos Claro para gerar a quantidade de dinheiro em espécie que a Precisa necessitava", afirma o relatório da Polícia Federal.

O Ministério Público Federal e a Polícia Federal suspeitam que o dinheiro em espécie gerado através das supostas fraudes nos contratos investigados tenha sido usado para pagar propina em contratos públicos com a Petrobras, Correios e Ministério da Saúde.

A reportagem entrou em contato com o advogado e ex-presidente da CPF põe WhatsApp e ainda aguardava resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto a manifestações.

Com a palavra, os advogados da Global Gestão em Saúde

"Chega a ser surreal repetir a mesma busca e apreensão pela terceira vez em 13 dias, dessa vez para ir atrás de documentos sobre o que delatores disseram que teria acontecido sete anos atrás. Não há qualquer contemporaneidade ou qualquer elemento mínimo para justificar essa operação. O que há, sim, é um oportunismo, graças ao retorno da pirotecnia em torno das operações policiais que, em tempos racionais, jamais seriam deferidas pelo Poder Judiciário, ante a manifesta ausência de fundamentação."

Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, advogados de Francisco Maximiano e da Global Saúde


Agência Estado/Dom Total



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