Meio Ambiente

06/10/2021 | domtotal.com

Vazamento de milhares de litros de petróleo na Califórnia pode ter sido causado por âncora

Cerca de 495 mil litros de combustível espesso e viscoso vazaram nas águas onde vivem focas, golfinhos e baleias

Equipes trabalham para retirar o petróleo na região do pântano de Talbert e a embocadura do rio Santa Ana
Equipes trabalham para retirar o petróleo na região do pântano de Talbert e a embocadura do rio Santa Ana (Patrick T. FALLON/AFP)

A guarda costeira dos Estados Unidos investiga se o impacto de uma âncora em um oleoduto submarino causou o vazamento de milhares de litros de petróleo no litoral da Califórnia, reportaram veículos de comunicação nessa terça-feira (05).

Cerca de 495 mil litros de combustível espesso e viscoso vazaram nas águas onde vivem focas, golfinhos e baleias desde que o oleoduto se rompeu no fim de semana. Um trecho de 24 km de costa permanece fechado ao público. A pesca foi interrompida, enquanto equipes trabalham para limpar o vazamento, um dos maiores ocorridos na Califórnia.

O jornal Los Angeles Times reportou nessa terça-feira que a Guarda Costeira investiga se a âncora de um enorme barco comercial foi lançada no local errado, impactando o oleoduto.

Martyn Willsher, diretor-executivo da Amplify Energy, encarregado do oleoduto, disse que avaliações no mar revelaram que 1,2 mil metros da estrutura estão onde deveriam estar. "O oleoduto foi essencialmente esticado como uma corda", disse durante uma coletiva de imprensa. "Em seu ponto mais largo, está a 32 metros de onde deveria estar", acrescentou, explicando que a fissura no oleoduto está no vértice da dobra provocada.

Willsher se negou a especular o que poderia ter causado isso e se uma âncora seria responsável pelo impacto, mas afirmou: "É um oleoduto de aço de 40 centímetros, de 1,5 cm de espessura, coberto por uma camada de concreto de três centímetros. Mover-se 32 metros não é comum".

Los Angeles e Long Beach estão entre os portos mais ativos do mundo. Os congestionamentos provocados pela pandemia têm deixado dezenas de enormes cargueiros estacionados em alto-mar, enquanto esperam para atracar.

As embarcações recebem coordenadas para ancorar, usualmente longe de locais que representem risco, como aqueles com oleodutos. Mas o Los Angeles Times citou uma fonte a par da investigação do vazamento, segundo a qual uma âncora mal lançada pode ter impactado o oleoduto.

As autoridades do comando unificado - encarregado dos trabalhos - disseram que há 14 embarcações tentando retirar o petróleo da água. Até esta segunda-feira, quase 18 mil litros tinham sido retirados.

"Nossas prioridades continuam sendo garantir a saúde e a vida humana, proteger o meio ambiente e a vida selvagem, e encontrar e remover o petróleo na medida em que o encontramos", disse a capitã da Guarda Costeira, Rebecca Ore.

Ore acrescentou que se desconhecem a quantidade exata de petróleo que vazou na água, mas que as equipes de recuperação trabalham com "o pior cenário", que é de uns 495 mil litros. Isso representa uma quantidade maior do que a prevista anteriormente.

Fauna afetada

Ao menos oito aves foram encontradas cobertas de petróleo, entre outros relatos de animais afetados pelo vazamento. As autoridades advertiram às pessoas para não tocar, nem tentar salvar nenhum animal, mas que ao contrário chamem as autoridades locais para que se encarreguem do resgate.

O vazamento teve origem perto da plataforma Elly, construída em 1980, uma das 23 plataformas de petróleo e gás em águas federais na altura da Califórnia, segundo o Los Angeles Times.

Os ambientalistas chamaram atenção para a antiguidade de algumas instalações - as quais dizem que estão enferrujadas e com má manutenção -, assim como os riscos que representam. O desastre reabriu o debate sobre a presença de plataformas de petróleo e oleodutos perto da costa do sul da Califórnia.


AFP



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