Religião

07/10/2021 | domtotal.com

A balada do menino triste

Não foi a primeira e nem será a última das tolices

Bolsonaro na cerimônia de Sanção do PLN para Obras do Metrô de BH no dia 30 de setembro
Bolsonaro na cerimônia de Sanção do PLN para Obras do Metrô de BH no dia 30 de setembro (Isac Nóbrega/PR)

Ricardo Soares*

Houve um tempo em que uma balada era apenas um gênero literário ou uma composição musical de forma indefinida e não esse sinônimo mequetrefe para festa, ajuntamento. Seja qual for a designação correta, todas servem para definir a triste e hedionda cena que o mundo viu semana passada quando o pior presidente de nossa história mais uma vez expôs uma criança fardada empunhando arma, dessa vez em Belo Horizonte.

A cena, sob todos os pontos de vista é degradante, inaceitável, o Comitê da ONU dos Direitos da Criança emitiu uma declaração nessa terça-feira (5), em Genebra, em que condena a atitude do nosso genocida de exibir uma criança vestida com farda da Polícia Militar mineira, empunhando uma arma de brinquedo. Pior que não foi a primeira vez e nem será a última e sequer nos estarrece, diante da imensa lista de inomináveis tolices que comete esse elemento que muitos nomeiam de "presidente".

Não sei quanto a vocês, mas eu fiquei vários dias com a imagem desse menino triste e assustado na minha mente. A carinha assustada dele, olhos traduzindo uma mistura de emoções diversas e ruins, acuado, sem compreender o que se passava e que uso faziam dele, isso para mim é mais uma das completas traduções do despautério que representa o desgoverno desse genocida.

Diante das reações negativas ao episódio que aconteceu na sexta-feira, 30, quando genocida participou de cerimônia de sanção de projeto para obras do metrô da capital mineira, ele cumprimentou os pais do menino ( que deviam ser indiciados pela insanidade) pelo que chamou de exemplo de "civilidade, patriotismo e respeito".  E ainda arrematou: "Estou com quase 70 anos. Quando era moleque, brincava com arma, flecha e estilingue. Assim foi criada minha geração. E crescemos homens fortes, sadios e respeitadores".

Bom, ignoro qual seja o conceito do genocida sobre "forte , sadio e respeitador", que é justamente aquilo que ele não é. Se, como esse triste menino de 6 anos, ele foi submetido a cenas constrangedoras como essa, explica muito os motivos por ter se tornado uma das mais deploráveis e degradantes figuras de nossa história republicana.

*Ricardo Soares é escritor, diretor de tv, jornalista e roteirista. Publicou 9 livros, dirigiu 12 documentários.

O texto reflete a opinião pessoal do autor, não necessariamente do Dom Total. O autor assume integral e exclusivamente responsabilidade pela sua opinião.



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