Meio Ambiente

08/10/2021 | domtotal.com

Nuvem de poeira é comum mas foi intensificada pela seca extrema, diz especialistas

Segundo meteorologista, o evento nas dimensão que vimos em 2021 é resultado de um longo período de escassez de chuva

Uma enorme tempestade de poeira engole a localidade de Nossa Senhora do Carmo em Frutal, Minas Gerais, em 26 de setembro de 2021
Uma enorme tempestade de poeira engole a localidade de Nossa Senhora do Carmo em Frutal, Minas Gerais, em 26 de setembro de 2021 (Andrey LUZ/AFP)

Uma gigantesca nuvem de poeira alaranjada que engole a paisagem em poucos minutos: habitantes do interior de São Paulo e Minas Gerais experimentaram fortes tempestades de areia nos últimos dias, um fenômeno comum nesta época do ano, mas que foi intensificado pela seca extrema.

A cena se repetiu pelo menos três vezes desde o final de setembro e aterrorizou moradores de cidades como Franca, Ribeirão Preto e Frutal, no interior dos estados de São Paulo e Minas Gerais, que registraram com seus celulares a poeira cobrindo ambientes urbanos e rurais, impulsionada por rajadas de vento de até 100 km por hora.

Pelo menos seis pessoas morreram em São Paulo devido ao desabamento de árvores, casas e outras consequências diretas das tempestades, segundo a imprensa local. "De certa forma esses eventos são comuns, mas não dessa dimensão como vimos em 2021. Isso é resultado de um longo período de escassez de chuva", afirma o meteorologista Estael Sias, da agência Metsul.

Após a estação seca, chegam as chuvas, geralmente acompanhadas de tempestades de vento. "As rajadas de vento encontram esse solo arenoso e jogam na atmosfera poluição, detritos, resíduos de queimadas, que também ocorrem neste período de seca", acrescentou Sias.

Para o especialista, "não dá para dissociar isso das mudanças climáticas". "Neste século, todos os anos foram anos de recorde da temperatura mundial", continuou. "A gente vê mais calor na atmosfera, que acaba sendo energia para eventos extremos. E não é só chuva, temporal, enchentes, enxurradas, mas eventos de frio, seca, calor, que acabam desencadeando esses outros fenômenos", enfatizou Sias.

Esse tipo de tempestade, habitual em regiões desérticas, pode chegar a milhares de metros de altura, até 160 quilômetros de largura e durar várias horas, segundo o especialista.

Além de ser afetada pela seca extrema, a região que registrou essas enormes tempestades é uma zona agrícola com extensas áreas de solo sem cobertura vegetal, o que resulta em mais partículas soltas suscetíveis a fortes rajadas de vento.

O Brasil vive a pior seca dos últimos 91 anos, o que provocou uma baixa das reservas das hidrelétricas do Centro-Oeste e do Sul a níveis críticos e, por consequência, encareceu a conta de luz para os consumidores.


AFP



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