Brasil Política

08/10/2021 | domtotal.com

Lula diz que candidatura à Presidência só será decidida no início de 2022

Ex-presidente faz acenos ao mercado e resiste a ir às ruas contra Bolsonaro

Lula concedeu entrevista coletiva, na qual abordou vários temas, mas evitou assumir a candidatura para 2022
Lula concedeu entrevista coletiva, na qual abordou vários temas, mas evitou assumir a candidatura para 2022 (Ricardo Stuckert)

Após uma rodada de conversas com partidos políticos em Brasília, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vai decidir sobre sua candidatura à Presidência apenas no início do ano que vem. "Eu ainda não decidi porque eu vou decidir no momento adequado. Eu vou conversar com todo mundo", disse Lula em coletiva de imprensa nesta sexta-feira. O ex-presidente declarou que ainda não está conversando sobre composições políticas. "Todos os partidos têm direito a ter candidato à Presidência da República, sem exceção."

Depois de conversar com partidos políticos e líderes sociais, o petista declarou que pretende se reunir com empresários e outros representantes da sociedade. Na coletiva de imprensa, o ex-presidente disse estar disposto a "deixar para trás" as polêmicas em relação à Lava Jato e à cobertura dos meios de comunicação. "Eu não vou discutir Lava Jato, na minha vida acabou."

Lula recuou em relação à proposta de regulamentação da mídia defendida pelo próprio partido e afirmou que esse deve ser um assunto discutido pelo Congresso Nacional, e não pelo presidente da República. A regulamentação da mídia é uma das propostas do PT e fez parte do plano de governo de Fernando Haddad na campanha eleitoral de 2018, quando Lula estava preso em Curitiba.

"O que se propõe é que em algum momento da história do Congresso Nacional esse tema pode ser debatido. Esse não é um tema do presidente da República, é um tema do Congresso Nacional", disse Lula.

Apesar da sinalização, Lula reforçou que o debate precisa ser feito com toda a sociedade do país, sobretudo em relação aos meios de comunicação digital. Um projeto de lei para regulamentar as fake news na internet tramita no Congresso, mas é alvo de uma série de questionamentos entre políticos e empresas.

"Eu não sei por que tanta polêmica, sobretudo o digital. Jornais e revistas nunca poderão ser regulamentados porque, primeiro, dependem do dono escrever e, segundo, depende do Congresso Nacional." O petista destacou que não aceita a ideia de que o único controle seja o "controle remoto".

Terceira via

Lula afirmou, ainda, que a campanha presidencial no próximo ano será concentrada entre Bolsonaro e uma possível candidatura dele próprio. Os outros pré-candidatos, afirmou o petista, têm o direito de disputar o primeiro turno da disputa em 2022. "Podem ter quantas vias quiser. Eu acho muito, muito, importante."

O ex-presidente fez acenos ao mercado financeiro e também disse que não irá a atos contra Bolsonaro nas ruas. Ao ser perguntado sobre política econômica, o ex-presidente afirmou que o endividamento deve ser realizado pelo poder público apenas para investimentos e aumento do patrimônio do país.

Desde 2019, o governo do presidente Jair Bolsonaro tem quebrado essa lógica e realizado empréstimos para cobrir despesas correntes, medida vedada pela chamada regra de ouro. "Nós mostramos que sabemos cuidar da dívida", disse o petista.

Lula afirmou que está disposto a conversar com todos os partidos e coletar conselhos em todas áreas, até do ex-ministro da Fazendo Henrique Meirelles, hoje secretário e aliado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). "O mundo é redondo, a gente pode dar voltas e se encontrar outra vez."

O petista criticou o ministro da Economia, Paulo Guedes, mas evitou se alongar em propostas econômicas. O ex-presidente se ancorou na administração de seus governos para dizer que não precisa mais lançar uma Carta ao Povo Brasileiro, como fez após a primeira eleição para minar resistências do mercado. "Não preciso de Carta ao Povo Brasileiro, eu tenho um legado."

O ex-presidente rebateu a especulação de que o PT estaria desinteressado no impeachment de Bolsonaro como estratégia eleitoral para vencê-lo nas urnas em 2022. Lula afirmou, no entanto, que não irá às ruas para pedir o afastamento do chefe do Planalto por conta de cuidados sanitários e disse que terá a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, como porta-voz.

Na coletiva, Lula falou também sobre o preço dos combustíveis. Mais cedo, a Petrobras anunciou reajuste de 7,2% nos preços da gasolina e do gás de cozinha, sustentada no aumento do dólar, do petróleo e do insumo. "Não existe nenhuma razão para que o preço dos combustíveis e do diesel no Brasil seja internacionalizado", afirmou o ex-presidente.


Agência Estado



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