Meio Ambiente

13/10/2021 | domtotal.com

Líder indígena alerta que destruição da Amazônia seria 'apocalipse' mundial

Gregorio Miraba pede às nações desenvolvidas que na COP26 trabalhem junto aos povos nativos para proteger os 8,4 milhões de km² da Floresta Amazônica

O líder da Coica, Gregorio Mirabal, durante entrevista em Unión Base, na província de Pastaza, no Equador, em 24 de setembro de 2021
O líder da Coica, Gregorio Mirabal, durante entrevista em Unión Base, na província de Pastaza, no Equador, em 24 de setembro de 2021 (Rodrigo BUENDIA/AFP)

Milhões de indígenas da bacia amazônica travam uma luta contra o relógio para salvar a floresta que possui 20% da água doce do planeta e evitar um "apocalipse" mundial.

Um de seus líderes é o venezuelano Gregorio Mirabal, responsável pela Coordenadoria de Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica), entidade que representa os 3,5 milhões de indígenas amazônicos de nove países. "Se a floresta desaparecer, este mundo ficará em chamas, a temperatura vai subir", adverte Mirabal, em entrevista na aldeia Unión Base, na Amazônia equatoriana.

O líder indígena pede às nações desenvolvidas que, na COP26, a conferência sobre o clima que começa em Glasgow, na Escócia, em 31 de outubro, trabalhem junto aos povos nativos para proteger os 8,4 milhões de km² da Floresta Amazônica.

Mirabal, que pertence ao povo wakuenai kurripaco, lembra que 17% da floresta foi destruído pela exploração de petróleo e minérios, pela poluição e pelo desmatamento para favorecer a agricultura e a pecuária.

Para o ativista, o futuro da Amazônia pode ser dividido em dois cenários: "[um é o] do apocalipse, do não retorno. As pessoas vão ficar sem oxigênio, o planeta vai esquentar, a vida não será possível no planeta se a Amazônia desaparecer".

"O outro é o que nossos filhos poderão se banhar neste rio, conhecer o que existe aqui, ver as árvores, a biodiversidade. Este é o cenário que nós estamos oferecendo ao mundo se nos ajudarem a proteger 80% da Amazônia", afirmou.

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'Ponto de inflexão'

Segundo Mirabal, "estamos em um ponto de inflexão", pois, se 20% da Amazônia for desmatada, será muito difícil recuperá-la, já que a "própria desertificação, a falta de água, e os incêndios" vão acabar com a floresta.

"A Amazônia está sendo assassinada", ressaltou o ativista, que acredita que é necessário protegê-la por ser "uma das grandes reservas de água doce do planeta" e "ter a maior biodiversidade", "que garante o equilíbrio do clima".

Ameaças

Na opinião do líder da Coica, o maior perigo que a floresta enfrenta é "a falta de vontade política" dos governos locais, junto com a corrupção e o não fortalecimento dos direitos dos povos indígenas.

Para Mirabal, os países desenvolvidos precisam ver a Amazônia como um espaço que "também lhes dá vida". "Queremos garantir a Amazônia para a humanidade", sentenciou.

Entre os maiores inimigos da floresta, o ativista afirma que estão os grandes bancos que "financiam a destruição ao ofertarem recursos para a exploração de petróleo e outras formas de extrativismo". Outro "inimigo" da floresta, citado por Mirabal, é o atual governo brasileiro, comandado por Jair Bolsonaro.

"O Brasil tem quase 60% de toda a bacia amazônica. Com este presidente, Jair Bolsonaro, aumentou o desmatamento, a mineração ilegal, o extrativismo e os assassinatos de nossos irmãos e irmãs. É o pior governo que temos na bacia amazônica", frisou o líder indígena.

Nesse sentido, Mirabal menciona que o Brasil, ao lado da Colômbia, é um dos piores lugares do mundo para lideranças indígenas e defensores da natureza, pois "há 80% de chance de que seja assassinado ou preso". Segundo o ativista, apenas em 2020 foram registrados 202 assassinatos na Amazônia, um aumento em relação a 2019, quando houve 135 homicídios.


AFP/Dom Total



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