Mundo

17/10/2021 | domtotal.com

França aperta o cerco contra não vacinados, que pagam alto preço na vida social

Testes de Covid passaram a ser cobrados para aqueles que não se imunizaram

Teste PCR na cidade francesa de Nantes; governo aperta o cerco contra os antivacina
Teste PCR na cidade francesa de Nantes; governo aperta o cerco contra os antivacina (Loic Venance/AFP)

"A partir de hoje é pago". A frase é repetida desde sexta-feira (15) nas farmácias da França, onde os ainda relutantes à vacinação contra a Covid-19 devem pagar até 44 euros (R$ 278) por um teste que abre, de maneira fugaz, as portas da vida social.

"Algumas pessoas pediram para fazer o teste, mas quando explicamos que, sem a receita do médico, não são mais subsidiadas, foram embora", conta  Aminata, funcionária de uma farmácia do subúrbio de Paris.

Dos clientes que perguntaram, apenas uma decidiu pagar os 25 euros (R$ 158) de um teste de antígenos para as pessoas não vacinadas. Em caso de resultado negativo, o exame vale um passaporte sanitário durante três dias. "Nas sextas-feiras, geralmente há fila na porta, mas hoje não tem ninguém", constata Aminata.

A medida representa um custo adicional para os quase 7 milhões de adultos que não tomaram nenhuma dose da vacina, ou não completaram o esquema vacinal na França, caso desejem frequentar bares, restaurantes, cinemas, ou academias.

Na farmácia de Claire, diante do parque de Buttes-Chaumont, ao nordeste de Paris, apenas duas pessoas pagaram pelo teste durante a manhã. Muitos franceses correram para fazer o teste na quinta-feira (14), último dia gratuito.

"Conversando com eles, garantem que estão pensando em tomar a vacina, pois, em caso contrário, dizem que não poderão fazer mais nada", diz Claire, para quem a resistência de alguns é provocada pela rejeição à ideia de uma imunização obrigatória.

Exceto para profissionais médicos e de atenção à saúde, na França, a vacinação contra a Covid, possível a partir dos 12 anos, não é obrigatória, mas a implantação do passaporte sanitário transforma-a, segundo os críticos, em quase forçada.

"Tenho amigos que falam: 'Fizeram tudo isso para nos obrigar a tomar a vacina'", diz Jean-Pierre, em outra farmácia, onde pergunta se, para os vacinados, os exames são subsidiados. "Sim, são gratuitos", respondem, para sua alegria.

Na entrada de um laboratório na mesma avenida, Yannis tira as dúvidas de um homem que deseja viajar para a Argélia e precisa do resultado de um teste PCR, que custa 44 euros (R$ 278). "Você está vacinado? Então é gratuito", informa.

O local fez 30 testes na sexta-feira, contra 50 a 60 em média. Yannis afirma que, com o fim do verão (hemisfério norte), a situação está mais calma, pois "muitos PCR são para viagens". 

A França seguiu os passos da Alemanha, que acabou com a gratuidade dos testes na segunda-feira (11), e da Espanha, onde os exames de antígenos, sem receita, custam entre 25 e 50 euros (R$ 158 e R$ 316), e os de PCR, entre 60 e 180 euros (R$ 380 e R$ 1.140). Na Europa, Áustria e Dinamarca estão entre os poucos países que mantêm a gratuidade.

Na França, o custo dos testes gratuitos para os cofres públicos foi de 2,2 bilhões de euros (R$ 13,93 bilhões) em 2020. O valor projetado para 2021 é de 6,2 bilhões de euros (quase R$ 40 bilhões).


AFP/Dom Total



Comentários
Newsletter

Você quer receber notícias do domtotal em seu e-mail ou WhatsApp?

* Escolha qual editoria você deseja receber newsletter.

DomTotal é mantido pela EMGE - Escola de Engenharia e Dom Helder - Escola de Direito.

Engenharia Cívil, Ciência da Computação, Direito (Graduação, Mestrado e Doutorado).

Saiba mais!